27 maio 2017

Movediço

PSDB, PSD e DEM seguem no governo, mas à espera da decisão do TSE e atentos à eventualidade de algum "fato novo" que possa comprometer mais ainda Temer. 

É o que se pode chamar de "apoio movediço". E dá a dimensão da fragilidade dos laços que hoje unem os golpistas. 

Rombo

Reportagem do Estadão registra estimativas de perdas para a atividade econômica em 2017 entre R$ 25 bilhões, no cenário mais otimista, e R$ 170 bilhões, no mais pessimista, na comparação com que se esperava antes das denúncias envolvendo o presidente Michel Temer. É consenso entre os especialistas ouvidos pelo Broadcast/Estadão que o tamanho do estrago vai depender da duração da turbulência em Brasília e do desfecho da reforma da Previdência.

Há um outro cálculo que precisa ser feito: o da dimensão das perdas sofridas pelos milhos de trabalhadores atingidos pela crise e pela redução dos gastos públicos com políticas sociais, sobretudo nos doze meses de governo Temer. 

O prazer da fotografia

Um detalhe do Recife (Foto: LS)

Nó a desatar

O país chegou a um gargalo, um poderoso impasse, no momento com um vazio político a preencher. Quem tem em mente os acontecimentos da Argentina em torno do ano 2000, quando ocuparam a presidência cinco mandatários em algo como 18 meses, também aqui a saída de Temer da Presidência não é garantia total em termos de estabilidade, salvo se se levar a solução ao arbítrio do voto popular – assinala Walter Sorrentino em artigo no Vermelho. Leia mais http://migre.me/wHaC2

Acuado

Temer sob a proteção e o temor
Janio de Freitas, na Folha de S. Paulo

A elevação do modo de protesto popular violento em Brasília, do vandalismo para o ataque típico de revolta civil, não foi um aviso.
Os avisos estão dados desde o colar de incidentes começados ainda no governo Dilma. Os ataques aos ministérios foram já o primeiro ato.
Quem até aqui não quis ver –nos governos e no Congresso, na imprensa/TV, no empresariado que influi na política– está confrontado pelos fatos: a situação interna do país mudou.
Iniciou-se um processo que, embora não irreversível, é propenso a avançar, sob o incentivo ignorante das classes privilegiadas, aqui sempre empedernidas e vorazes.
Só esses predicados podem levar à crença de que é possível impor, a um só tempo e impunemente, desemprego, ostentação de roubalheiras premiadas do dinheiro público, salários atrasados, cassação de direitos trabalhistas, redução dos miseráveis recursos e serviços da saúde, ainda piores condições de aposentadoria para quem de fato trabalha ou trabalhou, corte dos investimentos públicos e, pairando sobre ou sob esse conjunto idealizado pela classe dominante, uma composição imoral de governo.
As ações diretas do povo não seguem regras. Obedecem à lógica das suas contingências.
Nessa lógica está, hoje em dia, o alto grau de indignação e de violência –praticada e potencial– nas cidades difusamente armadas e mais suscetíveis a próximos capítulos da nova etapa de escalada. Caso notório de Rio e São Paulo, mas não só.
Brasília é mais vulnerável a ocorrências ditas de praça pública, na arrogância dos seus prédios e no convite das suas vidraças, não porém em armas à mão. São Paulo, território primordial para a comercialização de droga em dimensões nacionais, e Rio, território com enclaves bandidos, exemplificam melhor o risco que a Capital projeta sobre o país.
Michel Temer e seus parlamentares pretenderam mais uma atitude indecente. Na calada, não da noite, mas da bagunça mental que se generalizou, quiseram fazer na Câmara e no Senado aprovações que levariam o empresariado influente e imprensa/TV a ampará-los, em retribuição e por querer mais.
Em consequência, o Palácio do Jaburu, apesar de proteção especial, passa a ter horas, talvez noites e dias, de suspense e temor. A Câmara e o Senado deixam de saber quando poderão funcionar não ou, como ontem.
Forças Armadas são postas a reprimir, não bandidos, mas a gente comum. Alguma dúvida de que tirar Michel Temer é a única hipótese das chefias políticas e seu empresariado para atenuar as tensões do país? Mas no povo a ideia também única, que se constata por toda parte, é de que o país está entregue a ladrões. E ele em pessoa é uma vítima de todos os ladrões.
É apenas lógica e induzida a elevação do modo de enfrentamento popular. 
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26 maio 2017

Vício de origem

Qualquer adolescente minimamente informado sabe que o governador Geraldo Alckmin encontra imensa dificuldade de se legar presidente em votação direta. Não conhece o Brasil, vê os problemas com o binóculo invertido da avenida Paulista e fala uma língua que a maioria não entende. 

Agora é citado como alternativa à presidência numa eleição indireta, no Congresso Nacional. É o DNA da velha UDN funcionando...

Indulto

A colunista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, comenta que estaria em estudo a hipótese de um indulto de Temer logo que ele deixe a presidência da República. 

A se confirmar essa hipótese, claro que haveria reação negativa na opinião pública. Mas o que há de positivo na notícia é que se consolida o fim do governo. Falta a fórmula. 

Indicadores negam

Um dos argumentos de Temer para lamentar que seu governo tenha sido abatido em pleno vôo é que a economia ia bem... Nada disso. Ao tentar explicar a polêmica revisão dos indicadores relativos ao desempenho do comércio e dos serviços em janeiro, o economista Paulo Rabello de Castro, presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), terminou se contrapondo ao discurso oficial do governo. De acordo com ele – e ao contrário do que diz Michel Temer -, o cenário “é muito ruim” e o ambiente econômico "não melhorou". Leia mais http://migre.me/wGQBA

O tamanho do impasse

Enquanto Temer e seu pequeno e desgastado grupo palaciano faz tudo para adiar a queda do governo, permanece o vazio político - que não pode ser preenchido tão somente pela conspiração tucano-peemedebista pela eleição indireta de alguém que toque adiante a agenda das reformas antipopulares. 

Entrementes, o movimento democrático pelas diretas há que se expandir rapidamente. E agregar conteúdo através de uma plataforma de unidade destinada a tirar o país da crise.

Submeter a agenda anticrise ao crivo das urnas seria não apenas o democrático e maus sensato, como faria o contraponto à prolongada agonia de instituições esgarçadas e conflitantes  entre si.

Por enquanto, o movimento é de placas tectônicas, em ritmo incompatível com s gravidade da crise. 

25 maio 2017

Hediondo

Usar Exército para mandar recado a opositores é hediondo, comenta o governador Flávio Dino (PCdoB-MA), a propósito do decreto de Michel Temer, publicado ontem, autorizando o uso das Forças Armadas para conter as manifestações que pedem a sua renúncia e rechaça as reformas. Leia mais http://migre.me/wGzL1

Recuo

Acuado, Temer recua e revoga o decreto que pôs as Forças Armadas nas ruas contra o povo. Fragilidade ou tibieza?

Conspiração antidemocrática

Deplorável atalho ao poder
Luciano Siqueira, no portal Vermelho e no Blog do Renato

Na história das sociedades há fenômenos que, recorrentes, ganham status de lei objetiva - ou seja, se incorporam definitivamente às peculiaridades do povo e da nação.

No Brasil, cuja história é marcada por soluções "pelo alto" em situações críticas, via negociação entre as forças litigantes, fator decisivo das "rupturas inconclusas" que se sucedem desde o Império aos instantes recentes, uma corrente política se faz presente e invariavelmente nefasta.

Refiro-me ao “udenismo”, expressão política do que podemos chamar de inclinação ao centro-direita, que empalma importante segmento da sociedade composto por parcelas da classe dominante e da chamada "classe média" conservadora.

No espectro partidário, a representação mais precisa disso foi a UDN, nos anos cinquenta e início dos anos sessenta; e na atualidade o PSDB.

Não à toa os udenistas eram chamados de "vivandeiras dos quartéis", assim caracterizados pela insistência com que à intervenção militar para reparar seu fracasso nas urnas. 

A tradução dessa atitude na atualidade está nos esforços do tucanato que, tão logo proclamados os resultados do último pleito presidencial, já batiam às portas dos tribunais na tentativa de anulá-lo, assim, tentarem dar a volta por cima pós-derrota eleitoral.

O senador afastado e processado por corrupção Aécio Neves, então candidato derrotado e presidente do PSDB, é o signatário do pedido de cassação da chapa Dilma-Temer, alegando uso indevido do poder econômico na campanha.

Agora que Temer vai ao fundo do poço e se discute a fórmula mais rápida e menos conflitante de sua queda, justamente próceres do PSDB lideram articulações ao centro e à direita em favor da escolha, em eleição indireta, no Congresso Nacional, de um novo presidente comprometido com a agenda regressiva em curso.

Em outras palavras, o programa neoliberal do candidato tucano Aécio Neves, derrotado nas urnas, pode se viabilizar plenamente num arremedo de eleições a cargo de um colégio eleitoral cuja credibilidade se aproxima de zero! Um deplorável atalho ao poder.

O caminho está traçado: o TSE cassa a chapa Dilma-Temer, o presidente da Câmara assume o posto e, pelas normas vigentes, convoca o pleito indireto num prazo de trinta dias. 

E eis que a nação estará constrangida a ser presidida por um Tasso Jereissati da vida, que num pleito direto jamais teria chances.

Isto se as próprias contradições entre os golpistas, que não são poucas e se acirram a cada instante, e a pressão da sociedade, que tende a aumentar rapidamente, não levarem à aprovação da PEC 227, que viabiliza eleições diretas já. 

Não se mudam leis objetivas (fenômenos recorrentes, como queiram) facilmente, porém o curso da História pode se alterar num dado momento, mediante a conjugação de muitos fatores e a emergência de uma força capaz de sobrepor na cena política.

À trama tucana há que se opor um amplo movimento pela democracia que, ao lado de conquistar eleições diretas na sucessão do moribundo governo Temer, apresente à nação uma plataforma de proposições destinadas a tirar o país da crise e instaurar um novo ciclo transformador. 

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Humor de resistência

Simanca vê o despero de Temer diante da pressão popular

"Descoberta"

Dizer agora que a Operação Lava Jato "não está imune a críticas" parece piada de mau gosto. Antes estava imune? 

Desespero

Temer, entre desesperado e patético, implora à sua esgarçada base que defenda o governo. Gesto típico de quem chegou ao fundo do poço. 

Decadência

O ministro da Defesa e o presidente da Câmara dos Deputados, anêmicos em autoridade, praticam o jogo de empurra um atribuindo ao outro a responsabilidade por induzir o fraco e decadente presidente Temer a recorrer ao uso das Forças Armadas para coibir as manifestações contrárias às reformas trabalhista e previdenciária. 

Tiro no pé

Temer erra a todo instante, revelando-se irremediavelmente sem qualificação para o cargo. O decreto pondo as Forças Armadas nas ruas para reprimir o povo, além de questionado por renomados juristas - que qualificam a medida como inconstitucional -, provoca reação negativa no comando das próprias Forças Armadas. É a crise institucional se arrasta na areia movediça. 

Distorção

Distúrbios provocados por black blocs infiltrados entre manifestantes de ontem, em Brasília, são destaque no noticiário de hoje. 

Jogo combinado: a intenção é desqualificar o movimento contras as reformas trabalhista e previdenciária.

CNBB contra Temer

Em uma contundente manifestação, o secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Leonardo Ulrich Steiner, diz que não há a mínima condição ética para que Michel Temer continue no cargo, após as revelações da JBS. Leia mais http://migre.me/wGlns

Autoritário e ilegal

Dallari: Decreto de Temer é um absurdo jurídico e inconstitucional
"Li o decreto e estou convencido de que é um absurdo e inconstitucional", afirmou o professor emérito da USP, o jurista Dalmo Dallari, ao comentar o decreto publicado por Michel Temer, nesta quarta-feira (24), que prevê uso das Forças Armadas no Distrito Federal por uma semana.
Por Dayane Santos, no Vermelho

"Primeiro, porque ele [Temer] faz a invocação de dois incisos da Constituição que não dão fundamento para determinar o uso das Forças Armadas como polícia", explica Dallari, que é um dos mais renomados constitucionalistas brasileiros.

De acordo com o jurista, o decreto publicado menciona o artigo 84º da Constituição e os incisos IV e XIII, que prevê que compete exclusivamente ao Presidente da República publicar decretos e "exercer o comando supremo das Forças Armadas, nomear os Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, promover seus oficiais-generais e nomeá-los para os cargos que lhes são privativos", respectivamente.

"Nenhum desses incisos tem haver com o uso das Forças Armadas como polícia, ou seja, não há fundamento constitucional. A fundamentação que consta no decreto é absolutamente falsa", denuncia Dallari.

Segundo o jurista, pelo conteúdo do decreto, "há uma deturbação evidente dos objetivos das Forças Armadas, pois existe forças policiais - nacionais e locais - que estão preparadas para cuidar e manter a ordem interna e são essas instituições que se deve recorrer". "As Forças Armadas têm objetivos específicos estabelecidos pela Constituição e não substituem a polícia", reforça.

"Outro absurdo que não tem justificativa é o fato de estabelecer um período de 24 a 31 de maio. É absolutamente arbitrário", destaca em tom de indignação. "Realmente, o decreto é um absurdo jurídico e deve ser declarado inconstitucional", completa.

Ele conclui: "Para a democracia é negativo, mas o decreto em si não tem força para eliminar a Constituição. E essa é a nossa garantia fundamental. Mas, por outro lado, ele torna duradoura uma situação confusa. Não está sendo tomada nenhuma atitude para que se estabeleça uma ordem pacífica e democrática".
 
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24 maio 2017

DNA

O anúncio da decisão de Temer pòr o Exército contra o povo nas ruas teve solenidade, palavras e gestos que lembram a Ditadura Militar.  ‬

Medo de Lula

Líderes do PSDB e do DEM promovem intensa articulação para assegurar que a sucessão de Temer se dê pela via indireta, e não por eleições diretas, com explícito receio de que Lula possa vir a ser eleito. Por isso manobram para atrasar a tramitação da PEC das eleições diretas. 

LGBTs na mídia

As noções de representação e representatividade são complexas e caras aos movimentos e minorias sociais. No regime da visibilidade em que vivemos, “ser visto” é também uma forma de pressionar instâncias governamentais por mais direitos e políticas de igualdade, a fim de garantir a dignidade humana de grupos sociais cotidianamente vilipendiados. Daí um dos papéis fundamentais da mídia na contemporaneidade: é o espaço da visibilidade por excelência. Leia mais http://migre.me/wG4B4

Pressão em Brasília

As centrais sindicais dão mais um passo nesta quarta-feira (24) no movimento de resistência contra as reformas da Previdência e trabalhista. As entidades dos trabalhadores ocupam Brasília com o apoio das frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo para realizar a 9ª Marcha da Classe Trabalhadora. A concentração será ao lado do Estádio mané Garrincha e às 11h a manifestação se dirige ao Congresso Nacional. O objetivo agora é impedir o atropelo nas votações. Leia mais http://migre.me/wG4wl

A casa cai

Inútil pantomima
Luciano Siqueira, no Blog de Jamildo/portal ne10

Ministros e líderes governistas na Câmara e no Senado repetem, orquestradamente, que "tudo transcorre normalmente". Temer está tranquilo e a sua base parlamentar coesa, dizem.

Mas os fatos, em profusão, mostram o contrário.

Ou seja, envoltos em tremendo mar de lama e sob terríveis ameaças, mentem na vã tentativa de enganar a sociedade e, talvez, a si mesmos.

Enquanto isso, nas coxias, a turma que realmente manda nos partidos governistas e ministros ungidos pelo Mercado, conscientes de que o governo não se sustentará, debatem a fórmula menos dolorosa da queda de Temer e buscam um nome que possa aglutinar, em eleições indiretas, a maioria necessária para fazer o novo presidente.

Segundo o noticiário, a alternativa preferida até o momento é a cassação da chapa Dilma-Temer pelo TSE, acrescida de um acordo para que Temer não recorra ao STF, nem seja preso.

Num cenário de incerteza e de tamanha imponderabilidade, essa trama encontra muitas dificuldades.

Envolve a anuência de muitos atores – do próprio Temer à grande mídia que o sustentava e não mais o sustenta -, esta em última instância manipulada pelo verdadeiro comando por trás das cortinas, o chamado Mercado (ou seja, o sistema financeiro, que aqui e mundo afora detém as rédeas).

Temer reluta em renunciar para que seu gesto não seja compreendido como uma “confissão de culpa” e ainda por cima perca o fórum privilegiado e se arrisque a uma desmoralizante prisão.

Deputados e senadores, liderados pelo PSDB, fazem o seu jogo sabendo que a credibilidade do parlamento se encontra perto de zero.

Entrementes, a crise econômica (e suas múltiplas consequências) segue adiante, como que “alheia” ao bate cabeças dos atores políticos.

As reformas trabalhista e previdenciária, convertidas a um só tempo em face mais evidente da agenda regressiva do governo Temer e principal fator de seu humilhante desempenho nas últimas pesquisas, continuam na prioridade da maioria parlamentar governista.

Alguém menos avisado, olhando à distância, bem que poderia caracterizar o cenário como de suicídio político coletivo.

De outra parte, as articulações Frente Povo Sem Medo e Frente Brasil Popular, as centrais sindicais (sobretudo a CUT e a CTB) e demais segmentos dos movimentos sociais, concentram a partir de hoje, em Brasília, a pressão contra as reformas antipopulares e pela aprovação da PEC 227, que viabiliza as eleições diretas agora.

Portanto, nada de normal, tudo em ebulição e de imprevisibilidade plena.

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23 maio 2017

Soberania popular

Recuperar a democracia através do voto
Luciano Siqueira, no Blog da Folha

Dados de pesquisas revelam que mais de 80% dos brasileiros desejam a realização de eleições diretas para a presidência da República, a partir da queda de Temer. 

No variado espectro de forças políticas, a adesão à ideia envolve inclusive setores conservadores e até situados à direita. 

Há, portanto, um ambiente maduro para a intensificação da luta pelas diretas-já, que há de se desenvolver de múltiplas e multifacetadas formas.

Há lugar e trincheiras para todos.

Mesmo ações aparentemente dispersas ou isoladas convergem para um mesmo leito - o da pressão sobre a Câmara e o Senado para que se aprove uma PEC que viabilize as diretas agora.

As eleições diretas para presidente por si mesmas não solucionam a crise do país. Mas restabelecem a soberania popular, através do voto, neste instante de esgarçamento das instituições que compõem a República. 

Abrem perspectivas.

A disputa através do voto implica riscos. Porém riscos muito menores do que a escolha de um novo mandatário através do atual Congresso, cuja credibilidade se encontra perto de zero.

Nesse restrito colégio eleitoral, pode prosperar uma alternativa tipo Henrique Meirelles, homem de absoluta confiança do Mercado Financeiro, comprometido até a medula com a agenda regressiva ora encetada por Temer. 

Em pleito direto, todas as candidaturas que se apresentem terão que expor propostas para o impasse atual, inclusive acerca das reformas trabalhista e previdenciária.

Proposições destinadas a tirar o país da crise terão que ser submetidas ao debate e ao voto.
E coloca-se a possibilidade de uma candidatura patrocinada por amplo arcos de forças do campo democrático e popular, com prometida com a retomada do crescimento econômico em bases inclusivas, a preservação da soberania nacional e a democracia.

Seja qual for o resultado, o exercício democrático através do voto gerará fatores de renovação da vida nacional.

Mas é evidente que o consórcio golpista, mesmo às voltas com dissensões e fraturas, consciente da queda de Temer, opera em favor da alternativa das eleições indiretas.

O propósito dessas forças é encontrar uma candidatura capaz de dar sequência ao golpe e à agenda antinacional e antipovo.

Daí a absoluta necessidade de elevar o tom da luta pelas eleições diretas – nas redes, nos salões e nas ruas.

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Humor de resistência

Nani vê o calvário de Aécio Neves.

Neurose midiatizada

A corrida de celebridades como Luciano Huck para apagar fotos nas redes sociais com o, agora, radioativo senador Aécio Neves, é a face mais visível de um novo fenômeno: o surgimento uma classe média midiatizada: jornalistas, artistas, celebridades esportivas entre outros da fauna midiática que, por respirarem e viverem em uma bolha que os isola das ameaças do deserto do real, começam a criar relações promíscuas e comprometedoras com personagens empresarias e políticos que habitam no entorno do poder. Como sintoma “tautista” (tautologia + autismo) desses ambientes midiatizados, confundem câmeras, teleprompter e claque de aplausos em auditório com a própria realidade, chegando alguns a acreditar que de fato ocupam “espaço de poder”. Casadas com políticos e empresários além de manter amizades com centros de poder corporativos e governamentais fazem muitos jornalistas acreditar que também pertencem à classe dominante, criando um tipo de jornalismo e entretenimento marcado por relações promíscuas e conflitos de interesses – escreve Wilson Ferreira no Jornal GGN. Leia mais http://migre.me/wFGJN

Estado & Mercado

Poder econômico se apossou do Estado e barrou avanços civilizatórios. Os escândalos são fruto da natureza viciada da relação do Estado com o mercado. É necessária uma reforma política que democratize o voto e coíba o poder do dinheiro sobre Legislativo, Executivo e Judiciário – escreve Marcio Pochmann. Leia mais http://migre.me/wFGBz

Quem manda

O ministro da Fazenda Henrique Meirelles, homem do Mercado, trata de demonstrar ao Sistema Financeiro que “o governo não acabou” – noticiam os jornais de hoje.


Meirelles oferece garantias de que a agenda regressiva seguirá. “Eu sou o governo”, é a mensagem.

Trama

Roteiro tucano: Temer renuncia com o compromisso de não ser preso; um nome de consenso à direita se elege presidente da República em pleito indireto por deputados e senadores; segue célere a agenda regressiva de conquistas e direitos, em favor do Mercado Financeiro.

Seria a continuidade do golpe aprimorada. A via por onde o PSDB, enfim, chegaria à presidência da República sem o voto dos brasileiros. 

Vale a pena saber

As condições do caos
Janio de Freitas, na Folha de S. Paulo

Toda a dramaticidade da situação sintetiza-se em uma pequena frase: não há saída boa. A pior seria a permanência de Michel Temer ainda mais apalermado. Mas nenhuma das outras possíveis evitaria a continuidade das condições caóticas que sufocam o país.

Com alguma sorte, no máximo se chegaria sem tumulto maior às eleições daqui a perto de ano e meio. Isso, se não for gasto tempo demais, enquanto o país deteriora, com a disputa das correntes políticas (não só as partidárias) para definir o que se seguirá ao atual estado crítico.

É preciso considerar ainda que as denúncias, sejam as já iniciadas, sejam novas, podem agravar a situação interna das instituições, com decorrências de efeito extenso. Está visto, para ninguém mais negar, que os motores da corrupção política e administrativa não são só as empreiteiras.

E não falta quem, para receber os generosos prêmios dados aos delatores, mostre mais aos brasileiros como é de verdade o seu país. Nem faltam candidatos a ver-se, de repente, passando de louvados a execrados. Como a estrela do bom-mocismo, Aécio Neves.

Agora senador afastado pelo Supremo, e com Eduardo Cunha preso, Aécio fica mais exposto a que afinal se esclareçam em definitivo as trapaças de contratos em Furnas, cuja lista de beneficiários lhe dá lugar de destaque. Associados nessa lista, os dois retiveram por muito tempo as investigações devidas e suas consequências.

Com esse inquérito em andamento, Aécio se torna um dos senadores mais apreciados por procuradores e juízes: seis inquéritos – um por suborno e fraude na construção da Cidade Administrativa em seu governo mineiro, outro por suborno na construção de usinas hidrelétricas, três por caixa dois, e o de Furnas. Aguarda-se o sétimo.

Não foi sem motivo, portanto, que esse senador e presidente do PSDB (retirado de um cargo e licenciado do outro), conforme suas palavras agora públicas, disse ser necessário acabar com tais investigações e estar "trabalhando nisso como um louco".

E pensar que esse era o presidente da República desejado e proposto ao país pelo "mercado", pelos conservadores de todos os tipos e por imprensa, TV e rádio. Derrotado e ressentido, foi o primeiro a conclamar pela represália que originou o desenrolar político hoje incandescente.

Para onde vai esse desastre em sua fase judicial, continuaremos sem saber. As gravações de Joesley Batista ainda aumentam muito a obscuridade, com pequena menção que a conveniência deu por despercebida pelo pasmo.

Como queixa por perseguições a sua maior empresa, ele conta a Temer ter visto o vídeo da delação de Sérgio Machado, o ex-diretor da Petrobras que gravou Renan Calheiros, Romero Jucá e José Sarney. Esta é a cena: procuradores da Lava Jato dizem a Machado que fale sobre a JBS, Machado diz desconhecer fatos que incluam a empresa.

Os procuradores insistem em vão. Até que Machado aparece lendo um pequeno papel, decora o lido, e o recita como depoimento: é uma acusação à JBS. Não há menção a quem lhe passou o dizer exigido. Nem era necessária, para proporcionar a advogados mais um questionamento e a magistrados isentos um problema, sobre certos métodos e motivos da Lava Jato.

A JBS, parte da empresa-mãe J&F, é a maior exportadora mundial de carne bovina e de frango. Seu crescimento no mundo tem sido, em grande parte, decorrente de apoios financeiros e outros, legítimos ou não, dos governos brasileiros. E contraria poderosas multinacionais e governos estrangeiros empenhados na promoção internacional de seus exportadores. 

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Nas mãos do povo

PCdoB: "Diretas Já" é o caminho para a restauração da democracia
Vermelho

A Comissão Política Nacional do PCdoB divulgou nota, nesta segunda (22), na qual reitera a necessidade de encerrar o governo Michel Temer, realizar eleições diretas e barrar as reformas neoliberais. Nesse sentido, o partido defende uma grande mobilização popular e uma frente ampla, que agregue diferentes forças políticas, sociais e econômicas em torno da saída de Temer e de uma plataforma mínima.
 
Fora Temer, Diretas Já!
Desde o último dia 17, agravou-se seriamente a situação de crise e instabilidade a que o golpe de Estado empurrou o país. O usurpador da cadeira presidencial, Michel Temer, já ilegítimo, perdeu por completo as condições de governar. Impõe-se, para o bem do Brasil, que se coloque fim ao governo golpista seja pela renúncia, seja pelo impeachment, seja por uma decisão do Poder Judiciário, respaldada pela Constituição. 

Todavia, receoso de ser fulminado politicamente pelo próprio consórcio golpista que o entronizou, Temer reluta em deixar o cargo. Busca ganhar tempo, negociar, “vender” sua saída.

Temer já estava fragilizado, batendo recordes de impopularidade. Um governo de penosa sobrevida. A entrega do patrimônio nacional, a desnacionalização da economia brasileira e o violento corte de direitos dos trabalhadores proporcionavam-lhe um condicionante apoio das classes dominantes e de seu monopólio midiático.

A situação do governo, entretanto, se deteriorou. Temer está sendo investigado, por autorização do Supremo Tribunal Federal (STF), por crimes de corrupção passiva, organização criminosa e obstrução da Justiça. Aécio Neves, que lavrou em nome dos tucanos um pacto de sangue com Temer e Cunha, na trama do impeachment fraudulento, foi afastado do mandato de senador e da presidência do PSDB e é alvo do mesmo inquérito de Temer.

Em razão desse novo quadro, o consórcio golpista que sustenta o governo ilegítimo se dividiu. Parte retirou o apoio e outra mantém um respaldo claudicante, como é o caso do PSDB. Legendas como PSB, PPS, Podemos (ex-PTN) já se afastaram do governo.

A desagregação chega também à base empresarial e financeira do golpe. A recessão, agravada pelo golpe, tende a se prolongar. Além disso, se tornou menos provável que Temer possa entregar o objeto de desejo da plutocracia: as contrarreformas do trabalho e da Previdência.

Cresce, com rapidez, o número de personalidades do campo democrático e entidades da sociedade civil que tomam posição pela saída de Temer. O Conselho Pleno da OAB decidiu que a entidade irá protocolar na Câmara dos Deputados um pedido de impeachment de Temer.

Entidades como a CNBB, Clube de Engenharia do Rio de Janeiro, entre outras, defendem a soberania do voto popular como saída à crise política.

Ante a efetiva possibilidade da saída do usurpador da cadeira presidencial está em curso a disputa política entre duas alternativas: as eleições indiretas e as eleições diretas, sendo que a diretas dependem da aprovação de uma Emenda Constitucional.

O PCdoB, desde a consumação do golpe, está empenhado pela realização de eleições diretas para presidente da República. Convicto de que a soberania do voto popular é o caminho para a restauração da democracia e, com base nela, encaminhar o país à normalidade institucional.

Agora, com o paroxismo a que chegou a crise, segue ainda mais empenhado pela vitória do caminho das Diretas Já.

Ante a tendência principal de que a queda de Temer é apenas uma questão de tempo, o consórcio golpista, mesmo rachado, se movimenta para impor a alternativa das eleições indiretas e construir arranjos em torno de nomes que possam assumir a Presidência da República, dando sequência ao golpe e à agenda antinacional e antipovo. Neste âmbito, o chamado Partido da Lava Jato, patrocinador do Estado de Exceção, dá prosseguimento às suas investidas em benefício de suas ambições, entre elas o controle, de algum modo, da própria chefia do Poder Executivo. Segue também determinado a excluir, a qualquer custo, o ex-presidente Lula da disputa presidencial. 

Neste quadro, para que o país se veja livre de Temer e de seu desastroso governo, para que a saída dele não resulte numa mera solução de reciclagem do golpe, será indispensável a conjugação de rápidas iniciativas das forças democráticas, patrióticas e populares. Dentre as quais, duas, para o PCdoB, se destacam.

Primeiro: empreender ampla mobilização do povo em assembleias, reuniões, e sobretudo com ondas crescentes de manifestações de rua, como as que já estão acontecendo, embandeiradas com as palavras de ordem “Fora, Temer” e “Diretas Já”. Nesse sentido é preciso fortalecer as agendas de mobilização das Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, e das centrais sindicais, como a que está sendo convocada para Brasília no próximo dia 24. E, além da batalha das ruas, travar a luta de ideias nas redes sociais.

Segundo: agregar amplas forças políticas, sociais e econômicas – inclusive entre aquelas que apoiaram o impeachment e que, neste momento, rompem com Temer-- em torno de um consenso cujo ponto de partida é a saída de Temer e que passe por uma plataforma mínima. Programa que salvaguarde os interesses do Brasil, a retomada do crescimento econômico, os direitos do povo, a restauração do Estado Democrático de Direito e da democracia, e descarte as reformas ultraliberais. Destaca-se a importância de se atrair para essa jornada vastos setores das camadas médias. Obviamente, impõe-se também, de imediato, examinar quais lideranças, quais personalidades poderiam se colocar à frente dessa larga aliança e dessa agenda.

Em um ano o governo ilegítimo provocou um retrocesso de décadas no país. Se continuar provocará uma tragédia ainda maior.

A crise pode se precipitar, a qualquer momento, provocando uma espécie de vazio de poder. 
Assim, às forças vivas da Nação e dos trabalhadores, ao campo político e social da produção e do trabalho, da democracia, da soberania nacional, às lideranças, aos movimentos e partidos cabe, sem demora, aproveitar a presente oportunidade para o país se ver livre do governo golpista, como passo inicial para se reencontrar com a democracia e o desenvolvimento.

Fora Temer, Diretas Já!
Defesa dos direitos, contra as “reformas” do trabalho e da previdência
Contra o Estado de exceção, em defesa do Estado Democrático de Direito

São Paulo, 22 de maio de 2017
Comissão Política Nacional do Partido Comunista do Brasil - PCdoB
 
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22 maio 2017

Quem?

A possibilidade de uma eleicao indireta assanha o Mercado e seus prepostos.  Como balão de ensaio, põem na mídia Meirelles para presidente.

Voto

Diretas-já, em si, não asseguram antecipadamente nada, mas põem o povo no jogo através do voto.

Poesia sempre. Na luta

Nossos inimigos dizem
Bertolt Brecht

Nossos inimigos dizem: A luta terminou.
Mas nós dizemos: ela começou.

Nossos inimigos dizem: A verdade está liquidada.
Mas nós dizemos: Nós a sabemos ainda.

Nossos inimigos dizem: Mesmo que ainda se conheça a verdade
Ela não pode mais ser divulgada.
Mas nós a divulgamos.

É a véspera da batalha.
É a preparação de nossos quadros.
É o estudo do plano de luta.
É o dia antes da queda
De nossos inimigos.

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Sem tribuna

Aécio Neves abandonou a coluna semanal que mantinha na Folha de S. Paulo.

Perde, assim, uma tribuna onde poderia se defender.

Tudo a ver

O truculento deputado Carlos Marun (PMDB-MT), que liderou a tropa de choque de Eduardo Cunha, é hoje um dos mais ativos integrantes da tropa de choque de Temer.

Não é mera coincidência. 

Seletiva, sim!

Não foi a Lava Jato (seletiva, cuidadosa com o PSDB) que pegou Temer e Aécio, como dizem alguns "analistas". Foi a PRocuradoria Geral da República.

21 maio 2017

Sem base

No fundo do poço, Temer suspende hoje jantar com parlamentares da base aliada. Faltou quorum.

Engrenagem do pensamento único

O retorno à demência
Mudaram as formas de comunicação através da revolução tecnológica mas, paradoxalmente, regredimos aos parâmetros políticos, sociais, institucionais de décadas atrás. Na aparência a civilização atingiu novos patamares, mais sofisticados e civilizados. Mas só nas aparências.
Eduardo Bomfim, no Vermelho

O capital financeiro mundial passou a ditar como nunca os destinos dos povos e das nações.

A Europa encontra-se em grave crise onde é abundante a desorientação geral, o recurso à violência, o desemprego, a perda das Históricas conquistas trabalhistas dos cidadãos. Por lá continuam as vagas intermináveis de refugiados, vítimas da destruição de seus Países por meio das guerras, que não são provocadas por eles, mas fruto de intervenções das grandes potências em busca de riquezas naturais, que lhes pertencem, em seus territórios.

O terrorismo que assola a Europa é consequência de uma gama de fatores malignos e não por geração espontânea, brotada do nada ou como pretendem alguns: um choque de civilizações distintas.

A desertificação de Países, alguns de cultura milenar, em consequência dos saques de riquezas naturais ou motivos geomilitares estratégicos, explica a tragédia europeia e dos povos do Oriente Médio. O Papa Francisco tem sido uma voz lúcida na denúncia dessa diáspora criminosa.

Tudo isso em parceria com a grande mídia que já não é mais informativa, mesmo que parcial, é um verdadeiro condutor de propaganda do capital rentista e da desinformação dos povos.

A desorientação tem sido, quase, geral, onde forças políticas procuram algum sentido no caos, tal qual o demente Nero fazendo poesia com o incêndio de Roma por ele provocado.

Aqui, as coisas não são diferentes com o ilegítimo, interino presidente Michel Temer, que lembra o ator de filmes de terror Boris Karloff, com seus gestos manuais desconexos e a única coisa que o segura no poder: promover as reformas antinacionais, antipopulares, ao gosto da grande mídia, do Mercado financeiro.

Enquanto essa grande mídia impõe a agenda pós-moderna, corporativa, macarthista, politicamente correta, da pós-verdade, o brasileiro tem seus direitos elementares ameaçados, o País subtraído no papel de grande nação solidária no cenário internacional. Urge um projeto nacional, que una as grandes maiorias, e um novo rumo de desenvolvimento para o Brasil.
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