16 fevereiro 2018

Lobby

Nos EUA, cada estado possui regras específicas sobre a posse privada de armas de fogo. Massacre da Flórida não deve provocar mudanças. O lobby da indústria armamentista segue com todo o poder.

Nó cego

Vox Populi: 85% dos brasileiros rejeita reforma previdenciária. Em ano eleitoral, cada vez mais difícil a Temer comprar os votos que faltam. 

14 fevereiro 2018

Conflito

Se Alckmin é o pré-candidato do PSDB e FHC estimula o apresentador Luciano Huck, no mínimo o ninho tucano está sem rumo definido e pode rachar quebrando muitos ovos.

09 fevereiro 2018

Realinhamento de forças


Juan Carlos Bonilla
Quem é você, para onde vamos? 
Luciano Siqueira, no portal Vermelho e no Blog do Renato

Já em pleno carnaval, pois há dias em muitas cidades do país saem blocos de rua, as articulações políticas ganham um quê de fantasia, ainda que presas à realidade...

No que se refere aos blocos em formação para a disputa nos estados, os versos de Chico Buarque caem muito bem:
“- Quem é você, diga logo...
- Que eu quero saber o seu jogo...
- Que eu quero morrer no seu bloco...
- Que eu quero me arder no seu fogo.”

Aqui mesmo na mauriceia, enquanto o prefeito do Recife, Geraldo Julio e o governador Paulo Câmara, ambos do PSB, declaram que a oposição a Temer põe num mesmo lado socialistas e petistas, e líderes do PT admitem a hipótese de uma aliança de ambos no próximo pleito (embora sofrendo resistências internas), o senador Armando Monteiro, PTB, ex-ministro de Dilma, incomodado com esse movimento e hoje aliado da base governista no plano local, denuncia o PSB como co-responsável pelo impeachment de Dilma...

Ou seja: há constrangimentos e cobranças mútuas, sob o ângulo e o interesse de cada um, em razão de posições discrepantes recém-adotadas. O realinhamento de forças, fenômeno comum e recorrente na cena política, nem sempre é bem assimilado.

Mas é tão natural quanto o parto aos nove meses de gestação! Mais ainda na complexa e instável situação brasileira.

Errado seria engessar opiniões e atitudes, como se fosse possível paralisá-las no tempo, em contraste com a realidade concreta, que dialeticamente impõe o repouso como relativo e o movimento como absoluto.

Se tudo está em permanente movimento e pode se dissolver no ar... como não considerar o redesenho de forças diante de uma nova situação criada?

O que atrapalha é a visão esquemática e mecanicista de alguns, colados no sectarismo e na intolerância, que teimam em desconhecer a realidade como ela é. Para estes, o relógio deveria marcar sempre e invariavelmente meio dia e meia noite. Qualquer alteração nos ponteiros perturba.

O PCdoB está infenso a esse tipo primário de incompreensão. Sobretudo do início dos anos sessenta do século passado em diante, vem acumulando amadurecimento teórico e tático que o permite combinar, na prática, firmeza e determinação na busca de objetivos lastreados estrategicamente com o máximo de amplitude e flexibilidade tática.

Daí comparecer às mais diversas coalizões no campo democrático e popular, buscando sempre a unidade possível em torno de proposições ao alcance do conjunto, sem entretanto borrar seus propósitos estratégicos e a sua independência de classe.
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07 fevereiro 2018

"Não é não!"


Assédio não tem graça
Cida Pedrosa*

Carnaval é sinônimo de alegria, irreverência, criatividade. Também é momento e espaço de manifestações culturais tão caras ao nosso povo como o frevo, o maracatu e os caboclinhos. Infelizmente, nessa festa de pierrôs, colombinas, Mateus e Catirinas quase sempre aparecem personagens indesejáveis.  Fantasiados ou não, eles podem ser identificados pelas suas atitudes equivocadas e machistas. Não entendem que mulher fala sério quando diz “Não!”, que roubo de beijo também é crime e que assédio não é brincadeira e não tem graça nem durante o reinado de Momo.
De olho nessa situação, estamos lançando, na semana pré-carnavalesca, a terceira edição do Pequeno manual de como não ser um babaca no Carnaval, uma parceria entre a Secretaria da Mulher e o Gabinete de Imprensa da Prefeitura do Recife. Usando a mesma linguagem leve e divertida que transformou as edições anteriores em sucesso de público e mídia com repercussão nacional, o manual mostra a conduta de uma dessas personagens desagradáveis da folia, o Zé Mamão. Ele não entende os limites entre flerte e assédio e acaba causando transtornos por onde passa.  Essa publicação será distribuída em todos os polos descentralizados do Carnaval recifense.
Para esvaziar o “Bloco do Zé Mamão”, pretendemos estimular as mulheres a denunciar qualquer tipo de agressão sofrida.  Essa ação começa no desfile do bloco carnavalesco político Nem com Uma Flor, criado para ser um espaço de prevenção à violência contra as mulheres.  Vamos divulgar material informativo com os serviços que estarão funcionando durante o Carnaval para apoiar mulheres vítimas de qualquer tipo de violência, seja física, psicológica, moral ou patrimonial. Mais uma vez, elas poderão contar com a Central da Mulher para fazer denúncias ou, simplesmente, pedir orientação.
A unidade será instalada na Rua do Observatório, no Bairro do Recife, e vai funcionar das 16h às 22h com uma equipe multidisciplinar do Centro de Referência Clarice Lispector, composta por advogadas, assistentes sociais e psicólogas. Este ano, a equipe vai contar com o apoio da recém criada Brigada Maria da Penha. Quem preferir denunciar por telefone poderá discar para o serviço gratuito Liga, Mulher (0800 281.0107).
Todas essas iniciativas fazem parte de um política que vem se intensificando nesses últimos dois anos de combate ao assédio, com ações coordenadas e apoio a iniciativas de movimentos sociais que defendem os direitos das mulheres. Entendemos que é preciso aproveitar esses grandes eventos – quando ficamos mais vulneráveis - para esclarecer as pessoas sobre temas como igualdade de gênero e respeito à diversidade. Pierrôs, arlequins, papangus: abram alas que ela vai passar como quiser e gostar!
* Secretária da Mulher do Recife
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05 fevereiro 2018

Disputa internacional

O que a disputa da Boeing com a Bombardier diz sobre o Brasil
Dizer que os países desenvolvidos deixam o mercado agir livremente não passa de uma mentira mal-intencionada

Por Manuela D'Ávila, na "Folha de S. Paulo"

O jornal britânico "The Guardian" trouxe em janeiro reportagem sobre uma queda de braço entre os Estados Unidos e o Canadá a respeito da importação de aeronaves. De um lado, estava a norte-americana Boeing. Do outro, a canadense Bombardier.

A Boeing acusou a Bombardier de vender jatos abaixo do preço de custo para a companhia norte-americana Delta Airlines e disse que o dumping teria sido financiado por subsídios ilegais dos governos do Canadá e do Reino Unido (este último está interessado no tema porque uma das principais fábricas da Bombardier fica na Irlanda do Norte).

Por conta disso, o presidente dos EUA, Donald Trump, chegou a ameaçar subir os impostos de importação da Bombardier em 292%.

No dia 25, no entanto, a Comissão de Comércio Internacional dos EUA votou por unanimidade em favor da companhia canadense, o que deve salvar milhares de empregos na Irlanda do Norte.

O que eu pretendo realçar não diz respeito a essa disputa em si, por mais que seja instigante dada a importância econômica e geopolítica da fabricação de aviões.

Chamo a atenção para um fato que pode ter passado despercebido por aqui: os protagonistas da contenda não foram os presidentes das empresas, nem seus respectivos departamentos jurídicos, mas os principais líderes políticos dos três países envolvidos. A luta entre Boeing e Bombardier foi, na verdade, uma importante queda de braço entre Theresa May e Justin Trudeau, de um lado, e Trump, de outro.

Foram eles que usaram sua força para pressionar a Comissão de Comércio Internacional dos EUA em favor dos interesses de seus respectivos países.

A história começou quando Trump, preocupado com o avanço da empresa canadense sobre o mercado da Boeing, decidiu estabelecer taxas que preservassem o mercado americano para a empresa de seu país, dificultando a entrada de aeronaves fabricadas pela concorrente.

A justificativa para estabelecer a taxação? Os governos do Canadá e do Reino Unido teriam oferecido subsídios pesados para a Bombardier, de modo que não haveria livre concorrência no caso.

Trump lutando pela Boeing. Trudeau, pelos interesses geopolíticos e tecnológicos do Canadá. May, pelos empregos em Belfast.

Enquanto esses governos lutam com unhas e dentes pelos interesses de suas empresas estratégicas e pelo emprego qualificado de seus trabalhadores, o que o Brasil faz?

Promove uma política econômica que desindustrializa o país, aceita e patrocina um processo violento de desnacionalização e, justamente na aviação, apesar do jogo de cena, permite que a Embraer seja comprada pela Boeing.

Esse caso da disputa que citamos é muito representativo. Dizer que os países desenvolvidos deixam o mercado agir livremente é uma mentira mal-intencionada.

Prova ainda a importância estratégica da indústria de ponta, especialmente em um setor decisivo, inclusive para assuntos de defesa, como o da fabricação de aviões.

E, por último, demonstra que qualquer governo comprometido com o desenvolvimento tem a obrigação de proteger, incentivar e fomentar sua indústria.

Essas são as regras do jogo geopolítico internacional. Diante delas, só há duas opções: lutar pelos interesses do país ou traí-lo, transformando-o em um quintal neoextrativista habitado por um povo pobre e sem perspectiva.


Manuela D'Ávila* é deputada estadual pelo PCdoB no Rio Grande do Sul e pré-candidata do partido à Presidência da República

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Deplorável

Rodrigo Maia e Michel Temer trocam farpas na disputa sobre qual dos dois é mais competente para “acalmar” Mercado. Ai de ti, República! 

Diretrizes do PCdoB

Amplitude para enfrentar a direita e vencer as eleições
Resolução do PCdoB

Reunida nesta sexta-feira (2), em Brasília, a Comissão Política Nacional do PCdoB divulga resolução em que afirma que diante da ofensiva da direita é preciso reagir com amplitude para enfrentar e vencer as eleições.
O texto aponta ainda que a investida jurídica contra o ex-presidente Lula é um capítulo “a mais” do golpe no Brasil, que visa abrir espaço à eleição de um candidato conservador para dar continuidade à agenda neoliberal.
O PCdoB reafirma que mesmo que os partidos de esquerda lancem diferentes nomes na disputa ao Planalto, o cenário exige um movimento de Frente Ampla.
“O PCdoB simultaneamente que sustenta e fortalece a pré-candidatura de Manuela D’Ávila, se empenha para que a esquerda dialogue entre si e estabeleça um proativo contato com um amplo leque de forças, movimentos, lideranças e representações dos trabalhadores, do povo, do empresariado, do mundo da cultura, das instituições do Estado”, diz a nota.
Nesse sentido, o partido ressalta que Manuela se movimenta de forma a ajudar a tecer esse movimento de Frente Ampla, que os comunistas consideram o caminho para que as forças progressivas voltem ao governo do país. A Comissão Política defende ainda que, para enfrentar a ofensiva da direita, é preciso persistir na mobilização do povo e dos trabalhadores, em defesa de seus direitos.
Confira abaixo a íntegra:
Ante ofensiva da direita, reagir com amplitude para enfrentar e vencer as eleições
O ano da sucessão presidencial começou com um gravíssimo ataque à soberania do voto popular. No último dia 24 de janeiro, a Oitava Turma do Tribunal Federal da Quarta Região (TRF-4), sem apresentar prova alguma – alicerçada tão somente em indícios derivados de depoimentos de criminosos confessos que receberam benefícios de delações premiadas – condenou o ex-presidente Lula, em segunda instância. A condenação de Lula é o ápice do ativismo político de parte Ministério Público e do Judiciário, a serviço de forças políticas conservadoras e de uma agenda de cunho ultraliberal e antinacional.
Em uníssono com juristas e advogados do Brasil e do exterior, o governador Flávio Dino, do Maranhão, ex-juiz federal, destacou vários aspectos do julgamento e da sentença que colidem “com milhares e milhares de páginas” do Direito brasileiro. Em particular sobre a sentença de mais de 12 anos de prisão, Flávio Dino argumentou que ela foi aumentada com o nítido objetivo de evitar a prescrição em decorrência da idade do réu, algo que nunca antes havia acontecido no direito brasileiro.
Um novo golpe contra a democracia
Agravam-se assim ainda mais a instabilidade política do país, a crise institucional, o desequilíbrio entre os Poderes da República.
Para o PCdoB e para sua pré-candidata à Presidência da República, Manuela D’Ávila, cassar os direitos políticos de Lula, prendê-lo – objetivo que vem sendo meticulosamente construído desde o impeachment – trata-se de uma investida infame, um capítulo a mais do golpe de Estado, de tipo novo, jurídico-parlamentar, que em agosto de 2016 mutilou a democracia com a deposição da presidenta Dilma Rousseff por meio de um impeachment fraudulento. Para os comunistas, essa investida visa a abrir espaço à eleição de um candidato do campo político conservador que dê continuidade à agenda neoliberal e neocolonial do governo ilegítimo de Michel Temer. Desse modo, os comunistas reafirmam sua solidariedade ao ex-presidente Lula e seguirão na luta contra o estado de exceção e na jornada em defesa do direito de Lula se candidatar.
Direita neoliberal se debate em dificuldades
O campo político conservador, embora esteja na ofensiva, enfrenta dilemas, ainda não se coesionou em torno de uma candidatura e carrega a responsabilidade de ter entronizado Michel Temer, um dos presidentes mais rechaçados e impopulares da história da República.
Cresce a indignação do povo em face do desemprego, de uma crise que não tem fim, de um governo que usa o dinheiro público para abertamente barganhar votos no Congresso Nacional para cortar direitos, como faz agora, com mais uma tentativa de a preço de ouro aprovar uma antirreforma da Previdência. Cresce a repulsa em setores da Nação a um governo que dilapida os bancos públicos, como fez com o BNDES para cobrir rombos do deficit fiscal, e criminosamente vende o patrimônio público como busca fazer com a privatização da Eletrobras, com a entrega da riqueza do pré-sal às petroleiras estrangeiras.
Movimento de Frente ampla para a esquerda e o campo progressista retomarem o governo
É grande a responsabilidade, ante momento tão grave, dos partidos, das lideranças, dos movimentos, das personalidades, que têm compromisso com o Brasil e com a classe trabalhadora. Essa situação cobra, sobretudo da esquerda brasileira, uma conduta política sagaz, flexível e, ao mesmo tempo, de coragem e coerência.
Na atual fase da pré-campanha eleitoral, é legítimo que cada partido da esquerda e do campo progressista que tenha formado convicção para tal, lance pré-candidaturas e as movimente com a maior intensidade possível. As legendas de esquerda e suas pré-candidaturas não podem, todavia, perder de vista que a força e a ofensiva da direita exigem um movimento de Frente Ampla do campo da Nação e da classe trabalhadora, dos partidários da democracia, do Estado de Direito contra o estado de exceção. O esforço conjunto para se elaborar um projeto de fortalecimento e desenvolvimento da Nação pode contribuir para se alcançar esse objetivo.
Neste sentido, é promissora a articulação das Fundações do PT, PDT, PSB, PCdoB e PSOL que conjuntamente estão debatendo um Manifesto programático em torno de alternativas para o Brasil.
A pré-campanha de Manuela D’Ávila
O PCdoB simultaneamente que sustenta e fortalece a pré-candidatura de Manuela D’Ávila, se empenha para que a esquerda dialogue entre si e estabeleça um proativo contato com um amplo leque de forças, movimentos, lideranças e representações dos trabalhadores, do povo, do empresariado, do mundo da cultura, das instituições do Estado. O movimento de Frente Ampla, construído e liderado pela esquerda, é o caminho, da ótica do PCdoB, à vitória das forças progressistas para que retomem o governo da República.
A pré-candidata Manuela D’Ávila se movimenta ajudando a “tecer” a Frente Ampla e lutando pela vitória das forças da Nação e da classe trabalhadora nas eleições presidenciais de outubro. Manuela realiza uma diversificada agenda no país, com trabalhadores, empresários, intelectuais, artistas, mulheres, jovens, tendo em vista elaborar seu programa de governo focado num novo projeto nacional de desenvolvimento.
Enfrentar a ofensiva da direita exige também persistir na mobilização do povo e dos trabalhadores em defesa de seus direitos sob ataque contínuo do governo Temer. Desse modo, é imperativo fortalecer a agenda de mobilizações das entidades e movimentos sociais na qual se destaca o Dia Nacional de Luta contra a Reforma da Previdência, marcado pelo Fórum das Centrais Sindicais para 19 de fevereiro, quando deverão acontecer greves e manifestações. É importante, também, fortalecer a realização do Congresso do Povo Brasileiro convocado pela Frente Brasil Popular.
Dar prosseguimento à construção e ao fortalecimento do Projeto Eleitoral do Partido
Finalmente, o PCdoB renova o chamamento às suas direções e ao seu coletivo militante para que dê prosseguimento às tarefas e aos preparativos que visem a assegurar a vitória do projeto eleitoral do PCdoB de 2018 ultimando as definições de objetivos e metas, táticas eleitorais e candidaturas, com a pré-campanha e o planejamento da campanha desde já, conforme as indicações da Comissão Política de dezembro de 2017, bem como do Encontro Nacional sobre as Eleições de 2018 realizado em 2 e 3 de fevereiro.
Renovamos, também, o apelo ao eleitorado do Partido, aos aliados, amigos, amigas, ao campo político e social progressista, que venham apoiar e respaldar o PCdoB na jornada que empreende desde já para superar a antidemocrática cláusula de desempenho. Restaurar a democracia exige uma esquerda forte, um PCdoB expressivo no Congresso Nacional e demais Casas Legislativas. Uma esquerda forte, o PCdoB e o campo político do povo fortalecidos, demandam a reeleição do governador Flávio Dino, no Maranhão, que realiza um governo democrático, desenvolvimentista e direcionado para distribuir renda e melhorar a qualidade vida do povo.
Brasília, 2 de fevereiro de 2018
Comissão Política Nacional do Partido Comunista do Brasil – PCdoB


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Jogo duro

Câmara e Senado iniciam o ano divididos diante da agenda anti povo proposta por Temer. Aumentar a pressão é preciso. 

04 fevereiro 2018

Humor de resistência

Maurício vê a imagem de Temer perante a opinião pública.

Insustentável

Capitalismo ultraconcentrador: 82% de toda a riqueza do planeta nas mãos dos 1% mais ricos. Prenúncio de novo ciclo de transformações revolucionárias futuras.

03 fevereiro 2018

Democratização da gestão pública

Manuela D'Ávila, pré-candidata à presidência da República, propõe a democratização da gestão pública nos três níveis federativos, tendo como fio condutor a execução orçamentária.

A força do capital

Temer usa poder dos donos do dinheiro para mudar a Previdência
Editorial do Vermelho

Quando o dinheiro manda, quem dá as ordens são os donos do dinheiro. Esta verdade é novamente comprovada pela notícia, divulgada nesta terça-feira (30), de que o governo usurpador de Michel Temer repassou a agentes do mercado financeiro uma lista com os nomes de pelo menos 90 deputados federais “indecisos”, contrários à contrarreforma da Previdência.

A informação, obtida pela Agência Reuters, foi confirmada por duas fontes – uma do mercado e outra do próprio Palácio do Planalto.

O governo radicaliza seu privatismo exacerbado e, ao apelar para a ajuda do “mercado”, para convencer estes deputados, terceiriza sua própria ação política. Que, por esta via canhestra, prescinde da legitimidade que os mandatos eletivos representam, e repassa a intermediação política diretamente para os donos do dinheiro. Cujo instrumento de pressão é o tilintar das moedas. O governo abre mão da intermediação daqueles que têm mandato popular para isso, e vai direto à fonte do poder: os banqueiros e agentes do mercado. E busca sua ajuda para tentar vencer a votação da contrarreforma da Previdência, prevista para 20 de fevereiro. A proposta só será aprovada se alcançar 308 votos, em duas votações. Segundo seus próprios cálculos está longe disso, e mal chega a 270 votos favoráveis.

O terrorismo previdenciário do governo difunde um imaginário deficit bilionário nas contas da Previdência – rombo desmentido pela CPI da Previdência, do Senado, cujo relatório foi divulgado em outubro. Mesmo assim, o discurso alarmista do governo piora sua própria situação. Um levantamento divulgado pela imprensa revelou um crescimento exagerado nos pedidos de aposentadoria em 2017. O número de pedidos de aposentadoria por tempo de serviço cresceu 5,5% no ano passado, e o de aposentadorias por idade (mínimo de 65 anos para homens e 60 anos para mulheres) subiu 3,7%.

É uma corrida óbvia. Os brasileiros tentam garantir direitos que constam da lei. E o governo tentando suprimir estes direitos, usando para isso a ação, ilegítima e ilegal, do poder do dinheiro.


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No YouTube

Comentando temas atuais no canal LUCIANO SIQUEIRA OPINA

Manuela: novo rumo

Esquerda deve apontar saídas para crise e não focar só Lula, diz Manuela
Pré-candidata do PC do B ao Planalto critica 'ataques machistas' a Cristiane Brasil
 Anna Virginia Balloussier, na Folha de S. Paulo
Se a esquerda quiser avançar nestas eleições, "deve trocar o pneu com carro andando, lembrando de "apontar saídas para a crise" em vez de centrar todos os esforços "no direito de Lula concorrer", diz a pré-candidata do PC do B à Presidência, Manuela D'Ávila, 36.
E não é só o campo progressista que perderia com a instabilidade da candidatura do ex-presidente, que periga cair na Lei da Ficha Limpa após ter a sentença decretada por Sergio Moro ampliada em dois anos e meio pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região. A ausência do nome mais bem colocado nas pesquisas "agravará a crise", afirma a deputada.
Ser oposição ao governo não faz com que D'Ávila compactue com o que julga serem "ataques machistas" contra a indicada de Michel Temer ao Ministério do Trabalho e colega na Câmara, Cristiane Brasil (PTB) ---que, em vídeo, aparece num barco envolta de amigos com torso nu. "A crítica não deve ser moral, por ser uma mulher em torno de dois ou três homens sarados."
Com sua condenação no TRF-4, a hipótese de Lula ser candidato até o fim é cada vez mais improvável. Qual o estrago para o campo da esquerda?
Lula é o principal líder popular do Brasil. Não creio que o impacto da instabilidade de sua candidatura se dê apenas na esquerda. Seja porque ele é o primeiro colocado em todos os cenários [da pesquisa Datafolha], seja porque, na nossa interpretação, é legítimo que possa disputar. A possibilidade de não figurar [no pleito] é antidemocrática não só por acharmos que ele foi julgado sem provas, mas também porque isso agravará a crise.
Antes especulava-se que, com Lula viável, o PC do B pudesse abrir mão de ter presidenciável. Algo muda?
Nossa pré-candidatura não tem relação com a hipótese de ele ser ou não candidato, mas com apontamentos de saídas para a crise.
Em entrevista ao jornal português "Avante", você diz que "os comunistas brasileiros não podem ficar reféns" de Lula estar ou não no páreo, que isso seria "fazer o jogo da direita".
O menino [o repórter] traduziu para o português de Portugal, não usei esse termo [reféns]. Isso dá uma alterada no conteúdo. Disse que a eleição tem que ser o debate de uma saída para crise. Se juntarmos todas as energias apenas na defesa de Lula... O que disse é que temos que trocar o pneu com carro andando, ou seja, defender o direito de Lula concorrer e apontar saídas para a crise.
O Datafolha mostra que, sem Lula no páreo, nomes de centro e direita dominam. É um baque para a esquerda?
Falta bastante para a eleição ainda. Outros cenários [que excluem o ex-presidente] são sem campanha intensa do próprio PT e de outros candidatos. É um registro do momento.
Pois neste registro do momento, Jair Bolsonaro lidera, e Luciano Huck, mesmo sem se dizer candidato, chega a empatar com um político estabelecido, Geraldo Alckmin. Que leitura fazer disso?
O povo busca saída para enfrentar a crise: 12 milhões de desempregados, violência crescente etc.
Alguém que tente organizar uma força política em meio a incerteza e medo com o futuro, como é caso do Bolsonaro, segura bem. Mas, na hora do debate, qual vai ser sua proposta para segurança pública? Dizer que vai armar todo mundo é discurso de dono de fábrica de arma. Com Huck, tem essa vontade de as pessoas buscarem novidade.
Mas por que não buscá-la na esquerda?
Bolsonaro, Huck, Alckmin, todos estão aglutinados em torno do governo Temer. O que o povo sofrerá com as reformas [trabalhista e previdenciária] é o que essa turma defende. Apesar de disfarçar, são todos Temer, que só não foi no "Caldeirão do Huck", já girou toda a mídia brasileira...
A esquerda deve se pulverizar ou se unir para a eleição?
No final de fevereiro, devemos lançar um programa comum com PT, PSB, que por ora tem Joaquim Barbosa como possível candidato, o PDT de Ciro, o PC do B comigo... O ideal é que estejamos unidos programaticamente e que partidos escolham as táticas que julgarem melhor. Nós sempre achamos melhor a construção de frentes.
Testado no Datafolha, o ex-governador Jaques Wagner, um plano B do PT, tem 2%, e você, 3%. Seria mais estratégico se o PT abrisse mão de liderar uma chapa?
Não gosto de opinar sobre o partido dos outros.
Na esquerda, Ciro é o melhor posicionado (até 13%). Seria um bom nome para agregar o campo?
Ciro é grande amigo e candidato, mas hoje os partidos têm quatro candidaturas do nosso campo político.
Antes do julgamento de Lula, o líder do PT no Senado, Lindbergh Farias, disse que não era hora para uma esquerda frouxa. Ela está?
Não sei a quem ele se referiu. O PC do B tem 97 anos de zero frouxidão.
Os atos pela queda de Dilma foram maiores em público.
Vi uma esquerda muito mobilizado e ativa. Problema é que o golpe foi muito bem articulado e intenso, não foi virtual moleza da esquerda. A gente não fez propaganda no "Jornal Nacional" [para chamar gente]...
Em vídeos no Facebook, você adota uma estratégia próxima a de youtubers. Tem um para "desmistificar" o capitalismo, outro sobreTemer no Silvio Santos...
Tenho 36 anos. Meu primeiro mandato foi aos 22 [como vereadora em Porto Alegre]. Na época, a
RBS [filiada da Globo no Rio Grande do Sul] fez um giro pelo plenário para apontar mau comportamento. Outro vereador, por beber chimarrão, e eu porque usava Orkut como forma de prestar contas do meu mandato. Nunca fiz política sem redes. Hoje faço por diversas razões: por algoritmo, por capacidade de distribuição e por preço também, pois é muito barato produzir vídeo para internet.
Você defendeu Cristiane Brasil pelos "ataques machistas, por aparecer ao lado de caras sarados", que ela sofreu após ela publicarum vídeo em alto-mar para se defender de condenação trabalhista.
A gente precisa ser muito vigilante. Todos nós, em alguma instância, reproduzimos valores machistas. É muito natural que as pessoas confundam o absurdo que é uma candidata a ministra respondendo em tom jocoso críticas muito sérias. Mas a crítica não deve ser moral, por ser uma mulher em torno de dois ou três homens.
Como você, como pré-candidata, e o PC do B se posicionam sobre a crise na Venezuela?
Nós respeitamos não só a Venezuela, mas a autodeterminação de todos os povos. O Brasil tem um papel estratégico na construção da paz na América Latina e no mundo.
Mas Nicolás Maduro é ou não é ditador para vocês?
Defendo que o Itamaraty tenha postura de respeito à autodeterminação da Venezuela –e do Uruguai, dos EUA... Que busque sempre a paz para todos. [Por trás dos conflitos,] há senhores da guerra ganhando muito dinheiro com isso.

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Poesia sempre

Te amo
Pablo Neruda

Te amo de uma maneira inexplicável,
de uma forma inconfessável,
de um modo contraditório.
Te amo, com meus estados de ânimo que são muitos
e mudar de humor continuadamente
pelo que você já sabe
o tempo,
a vida,
a morte.
Te amo, com o mundo que não entendo
com as pessoas que não compreendem
com a ambivalência de minha alma
com a incoerência dos meus atos
com a fatalidade do destino
com a conspiração do desejo
com a ambigüidade dos fatos
ainda quando digo que não te amo, te amo
até quando te engano, não te engano
no fundo levo a cabo um plano
para amar-te melhor
Te amo , sem refletir, inconscientemente
irresponsavelmente, espontaneamente
involuntariamente, por instinto
por impulso, irracionalmente
de fato não tenho argumentos lógicos
nem sequer improvisados
para fundamentar este amor que sinto por ti
que surgiu misteriosamente do nada
que não resolveu magicamente nada
e que milagrosamente, pouco a pouco, com pouco e nada,
melhorou o pior de mim.
Te amo
Te amo com um corpo que não pensa
com um coração que não raciocina
com uma cabeça que não coordena.
Te amo incompreensivelmente
sem perguntar-me porque te amo
sem importar-me porque te amo
sem questionar-me porque te amo
Te amo
simplesmente porque te amo
eu mesmo não sei porque te amo…


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Humor de resistência

Lafa vê a desigualdade de gênero

Partido de classe

O PCdoB e sua irrecusável missão 
Luciano Siqueira, no portal Vermelho, Blog do Renato página do PCdoB

Livre pensar é só pensar, convidava Millor Fernandes na sua página Pif-Paf, originariamente publicada na revista O Cruzeiro, destilando sua verve anarquista e bem humorada.
Em tempo de crise – e de dispersão política e ideológica -, pensamentos voam, numa miríade ora fincada na realidade, ora delirante. Mas toda ideia vale a pena, desde que devidamente apreciada e debatida. Para acolher ou refutar. Livremente.
Ora, nos seus quase cem anos de existência e atuação ininterrupta, o PCdoB teve que encarar com paciência, mas firmeza de princípios e clareza política, proposições vindas de aliados, ou mesmo nascentes em suas fileiras, no sentido de aderir a agrupamentos constituídos por outras agremiações, numa espécie de partido-frente.
Em parte, esse tipo de especulação se inspira em experiências de outros países. Como o Uruguai, onde se forma uma frente ampla integrada por alguns partidos, incluindo o Partido Comunista.
De outra parte, denota impaciência e falta de perspectiva, numa espécie de ânsia por ver criado um “fato novo” na cena política, capaz (sic) de “balançar o coreto” e recuperar a esperança e a disposição de luta.
Porém o buraco é bem mais embaixo. O desafio da construção de um programa comum em torno do qual se possa forjar ampla frente social e política dispensa o borramento das fronteiras entre os partidos do campo democrático e de esquerda. 
Aqueles constituídos de fato como partidos políticos - para além de meras legendas eleitorais - expressam interesses de classes e de segmentos de classes. Mesmo que o espectro partidário brasileiro, historicamente frágil e instável, não o traduza com nitidez.
O Partido Comunista do Brasil, de prolongada, complexa e dura trajetória, mas vitoriosa, encara os ingentes desafios de agora com solidez teórica, descortino estratégico e sagacidade tática. É a expressão do proletariado revolucionário.
Ainda um partido organicamente pequeno, tendo em conta a grandiosidade das responsabilidades que lhe cabem, mas fadado a se fortalecer e a expandir a sua influência.
Na busca de reconhecimento por parte da classe que representa e das amplas camadas populares, há que preservar sua identidade e sua autonomia. E isto em nada o impede de exercer papel destacado na formação de uma frente ampla.
Essa combinação entre marca própria e amplitude, firmeza de propósitos e flexibilidade integra seu lastro teórico e político e se confirma pela prática.
Mas há quem assim não compreenda - e passe a negar a necessidade de um partido dessa natureza e se enrede em projetos pessoais ou de curto alcance; e há também quem imagine que um conglomerado de partidos de distintas posições políticas e ideológicas, mas empenhado na restauração democrática, poderia dar conta de um "novo patamar" da luta política no país.
Na prática, são formas de negação do sentido de classe e da missão histórica do PCdoB, ainda que com assento em pretensas manobras táticas.
O velho e renovado Partido Comunista do Brasil comparece hoje à cena política nacional com programa próprio, conduta tática combativa e ao mesmo tempo flexível e ousa integrar o concerto multipartidário em busca de soluções para a crise que o Brasil enfrenta com a pré-candidatura da deputada Manuela d'Ávila.
Ou seja, pugna por uma unidade ampla, sem entretanto renunciar a posições próprias e à sua independência orgânica. 

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Questão democrática

Manuela defende neutralidade na rede em evento de tecnologia
Portal Vermelho

A pré-candidata do PCdoB, Manuela d'Ávila esteve na Campus Party Brasil nesta sexta-feira (2), um dos maiores eventos de tecnologia do país, para participar de um painel sobre a neutralidade da rede. Na ocasião ela conversou com o portal TecMundo sobre a questão.


O fim da neutralidade de rede permite que as operadoras discriminem o tráfego de qualquer site ou serviço em suas redes a fim de obter benefícios financeiros. Ou seja: o usuário vai pagar valores diferenciados para utilizar serviços específicos, caso o fim da neutralidade aconteça.

Há algumas semanas, Gilberto Kassab (PSD), atual ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, comentou que o Brasil não tem como pauta o fim da neutralidade "por agora". Contudo, rumores da indústria indicam que operadoras já fazem lobby para que a neutralidade vá por água abaixo.

Leia a entrevista na íntegra:

TecMundo: Em primeiro lugar, qual o motivo da visita aqui na Campus Party?

Manuela D'Ávila: Eu vim participar de um debate sobre neutralidade, após convite da própria Campus. A ideia era que todos os pré-candidatos à presidência fizessem um debate sobre a questão, mas eu fui a única que veio. Eu acho que a gente precisa fazer um esforço para transformar isso em um debate nessa eleição. Esse é um tema que interessa todo mundo por várias razões, interessa ao Brasil. Precisamos sair com candidaturas engajadas na construção e na proteção de dados.

E onde estão os outros candidatos que foram convidados?

Manuela D'Ávila: Eu não sei [risos], estão falando que eles têm medo dessa galera e dessa juventude.

Você acredita que o Brasil está mirando o fim da neutralidade de rede?

Manuela D'Ávila: Eu acho que sim, e por duas razões: primeiro, sempre existiram muitos interesses em torno disso, os interesses das teles [empresas de telecomunicações] são milionários, fazem muita pressão. E esse governo agora é um governo refém, refém dos interesses internacionais. Então, de um lado as corporações que querem esse modelo de negócio aqui dentro já queriam antes; e de outro lado, as grandes empresas, das grandes economias do mundo que são representadas pelas políticas de seus governos querem acabar com as oportunidades de negócios para a juventude brasileira.

É bom que a gente compreenda que existem duas dimensões da discussão. Essa individual, de garantir o acesso de todos a tudo, mas existe uma dimensão estratégica do desenvolvimento do país.
Quando a gente fala de tecnologia das coisas, por exemplo, que pode existir um carro autônomo, as grandes montadoras que não são nacionais e dois jovens do interior do RS, SP ou BA, poderão competir na rede em pé de igualdade a gente está abrindo oportunidade de desenvolvimento para o Brasil.

O Brasil precisa da indústria, precisa da indústria criativa, que é a indústria 4.0, para ajudar o país.

Pensando especificamente no usuário de internet, como você enxerga o fim da neutralidade? Como isso poderá ser algo ruim?

Como eu sou uma pessoa de esquerda, eu digo que, em primeiro lugar, porque cria a internet dos poderosos e dos pobres. Isso é o oposto do que a internet se propôs a ser em sua origem.

A internet, não sempre, mas ela tem a perspectiva transformadora na comunicação porque ela garante que todas as pessoas se conectam. Ela permite que um cara faça um rap lá no Rio de Janeiro e que ele faça um upload naquele plataforma do momento. A neutralidade permite também que novos negócios surjam, a menos de 10 anos ninguém esperava que a Netflix virasse o que virou.

Como assim tem um monte de filme? [risos]. O fim da neutralidade impedirá o acesso dos usuários, claro que sempre os mais pobres.

A neutralidade de rede não anda sendo combatida de maneira efusiva pelos candidatos da direita, como você enxerga isso?

Um cara lá do meu estado, que chamava Leonel de Moura Brizola, que diria que são os "interésses". O fim da neutralidade tem ligação com os interesses de muitos poderosos internacionais e também com relação às teles e empresas de comunicação.

O Brasil está polarizado politicamente e a tecnologia, como podemos observar na plateia da Campus Party também, é majoritariamente composta por homens. Como você olha para isso e como é fazer parte desta discussão da neutralidade?

Eu vim na Campus várias vezes. É uma galera muito jovem e o lugar deles precisa ser o Brasil, não é? O Brasil precisa acolher eles. Eu entendo a indignação deles com a situação. É muito difícil produzir tecnologia em um país que não investe na sua indústria e as oportunidades são diminuídas. É muito difícil. O problema é não compreender por onde se constroem essas saídas.

Essas saídas precisam acontecer. A gente pode pensar em dois países que têm muito desenvolvimento tecnológica: Estados Unidos e Coreia do Sul. Todo o Estado tem uma participação determinante, o problema é que a galera não se informa sobre isso. Mentem muito na própria internet, não é? Divulgam muita notícia mentirosa, passam a acreditar que as coisas caem do céu. É natural o investimento público.

Mas eu também não tenho medo. Me disseram que ali [plateia da Campus Party] tinham algumas pessoas que votavam na extrema-direita, mas estava todo mundo ouvindo de boa. Eu acredito que seja uma galera que estuda muito, que se prepara muito, e que busca o bem do Brasil. 


Fonte: TecMundo
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