19 agosto 2017

Indigesto

PSDB dividido, pressão do "centrão" por mais cargos e medo de uma nova denúncia da PGR: cardápio de Temer no fim de semana. Merece.

18 agosto 2017

Canoa furada

Trump isolado, sem eira nem beira, demite estrategista-chefe da Casa Branca, Steve Bannon. 

17 agosto 2017

Perdido

PIB do 2º trimestre deve vir próximo de zero ou negativo, diz Meirelles. Isso se chama "jogar a toalha" e reconhecer o fracasso.

Na mesma

Partidos mudam nomes e siglas, mas conservam as posições políticas de sempre. Mero mimetismo eleitoral.

Crise global

Sociedade em chamas
Eduardo Bomfim, no Vermelho

A globalização financeira vem promovendo desde o final da década de oitenta um tipo de hegemonia mundial e de sociedade que já mostra a olhos vistos uma furibunda decadência, quer seja no âmbito das relações internacionais, quer nas estruturas sociais, erigidas nos mais diversos Países em todo o planeta.

Através da captura de várias organizações internacionais, com a associação da grande mídia hegemonizada pelo discurso político, econômico e cultural, com o predomínio das estratégias do capital rentista, armou-se uma espécie de ditadura do pensamento único onipresente, que vai desde noções pseudocientíficas sobre fenômenos naturais, à uniformização global das estruturas sociais que permeiam a evolução do povos, das nações.

Essa ideologia dominante, a serviço de uma governança mundial da nova etapa do rentismo predador, forma o que atualmente costumam proclamar a sociedade global pós-moderna, onde reinam os enunciados do politicamente correto, cuja finalidade precípua é a desconstrução das identidades nacionais ou regionais, no afã de sentenciar como marginal qualquer forma de resistência a esses conceitos.

De tal maneira é o cerceamento à luta dos povos e nações na batalha pela afirmação de seus valores do passado, presente, a confiança no futuro, que tentam imputar aos que propugnam pela solidariedade à nação como portadores de ideias condenáveis.

O historiador britânico Eric Hobsbawm em seu livro O Breve Século XX já alertava para o que chamou, ao final da década de noventa passada, como “a desconstrução do contínuo Histórico que ameaça as novas gerações do milênio que se inicia”.

O que assistimos são os sinais trágicos de um terremoto em um tipo de comunidade que só serve aos ditames do Mercado. Afirmou recentemente o ex-presidente FHC, gestor mor do neoliberalismo no Brasil, sobre as atuais insatisfações sociais que são generalizadas, “alguns segmentos se beneficiaram, mas a sociedade ainda paga um preço alto”. Assim é que o individualismo delirante virou mais que um altar, transformou-se em algo “sagrado”.

Mas em decorrência de tantos males visíveis vai ficando claro no Brasil que a única alternativa, a esse modelo dantesco, é a união das grandes maiorias em defesa da soberania nacional, dos direitos do povo, da democracia, violentamente agredidos.

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Humor de resistência

Bessinha vê a corrupção no Palácio do Planalto.

Qual a saída?

Meta fiscal do fracasso
Luciano Siqueira, no Blog de Jamildo/portal ne10

A queda de braço entre a equipe econômica e a área política do governo Temer durou sete dias até ser anunciada a nova meta fiscal. Querela típica de um governo que prioriza as finanças em detrimento da produção e insiste no falso caminho de retomada do crescimento com redução de investimentos públicos.

Quando Dilma anunciou o déficit de 70 bilhões foi um escândalo: a oposição e a grande mídia logo decretaram o fracasso e irremediável do governo legítimo.

Agora, um rombo de 159 bilhões, patrocinado pelo governo ilegítimo e a maioria parlamentar governista e a grande mídia tratam o assunto como natural e aceitável.
Realmente, tempo difícil e obscuro o que vivemos!

Concomitantemente, o IPEA anuncia o retorno às condições de existência abaixo da linha de pobreza de nada menos do que 4 milhões e 100.000 brasileiros desde o ano passado.

E deram o golpe policial-mediático-judiciário-parlamentar com a justificativa de que era preciso mudar a presidência da República para garantir a recuperação da economia e da oferta de empregos!
Nesse cenário, mostra-se lógico e coerente que em todas as pesquisas o índice de aprovação do atual governo não passa de 5%.

Assim como fica evidente que a cantilena sustentada pela maioria parlamentar neoliberal-fisiológica que votou contra o prosseguimento da denúncia por corrupção contra Temer — a estabilidade política e a normalidade da economia — não tem nenhuma sustentação na realidade.

E a crise segue qual filme de horror de longa duração cujo clímax, tudo indica, que será mais terrível do que o que se vê agora.

"Tudo isso é um absurdo e não entendo por que o povo não está nas ruas protestando", comenta um amigo pelo whatsapp.

A reação popular por enquanto está se alimentando que nem fogo de monturo, lentamente e labaredas surgirão inevitavelmente. É questão de tempo — retruco.

É tão certo que a grande maioria dos brasileiros está insatisfeita quanto ainda não enxerga na linha do horizonte propostas alternativas que inspirem confiança.

Levará tempo para que a multiplicidade de forças sociais e políticas hoje postadas na oposição convirjam para uma plataforma comum, lastreada na preservação da soberania nacional, normalização democrática e retomada do crescimento econômico inclusivo.

Certos estão os que propõem recuperar a capacidade de indução e planejamento do Estado e elevar a taxa de investimento, recorrendo ao sistema nacional de financiamento de longo prazo, restaurando o papel do BNDES e das empresas estatais estratégicas, as parcerias público-privadas e a busca de acesso ao fundo de investimento patrocinado pelo Brics, usando, inclusive, parte das reservas internacionais.

O centro de gravidade da recuperação da economia não pode ser o mercado financeiro e sim a indústria, fator determinante do desenvolvimento e da oferta de emprego. Mais: investimentos em infraestrutura, inovação tecnológica e na esfera social, reduzir estruturalmente a taxa real de juros, manter sob controle a trajetória da dívida pública e defender a moeda.

Como costuma dizer Miguel Arraes, “é por aí...”.

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16 agosto 2017

Prepotência

Trump dissolve conselhos empresariais após renúncias de executivos por polêmica racista. Falta dissolver a própria empáfia.

Engano

"Avanços" incomodam setores que tiveram de "se curvar", diz Temer. Errado. O povo não se curva e reagirá. Questão de tempo.

15 agosto 2017

Tentação

Por apoio à reforma previdenciária, Temer faz ofensiva sobre líderes religiosos - depois de ter vendido a alma ao Diabo.

Contraste

PMDB governista briga pela Diretoria de Controle e Risco do Banco do Nordeste. Na região apenas 4% da população apoia o governo Temer.

14 agosto 2017

Quanto?

Impasse no governo adia anúncio de revisão de meta fiscal. Todos reconhecem o fracasso, mas uns defendem R$ 159 bilhões, outros 170 bilhões. 

Recessão

Investimentos do governo federal podem chegar ao final deste ano no menor nível em dez anos. É o "Estado mínimo" aprofundando a recessão.

Regressão social

Cândido Portinari
A fome voltou
Joan Edesson de Oliveira, no Vermelho

Conheço bem a fome. Quando criança, brincávamos de esconde-esconde com ela, que não raras vezes nos encontrava. Nunca passou, confesso, de fomezinha, minúscula. Há gradações na fome, na miséria, na pobreza, que as estatísticas nem sempre dão conta. As estatísticas não dão conta das gradações da dor que a fome provoca.

Entre a pobreza da minha infância, nós éramos pobres, apenas pobres, sem adjetivos ou advérbios. Havia, numa escala abaixo, os muito pobres e os miseráveis, aqueles para cuja sobrevivência o nada já era muita coisa.

Não me orgulho disso. Não há motivo algum para se orgulhar da pobreza, da miséria, da fome. Faço o registro porque a fome voltou, e eu a reconheço onde a vejo, eu tenho gravado a fogo na minha memória a sua cara feia, eu tenho tatuado no peito a dor que ela causa, eu sei dela por todos os meus poros, e eu não a esqueço, não consegui, não conseguirei jamais. 

Tampouco tenho vergonha disso. Já tive, muita, muita vergonha de ser pobre. É uma perversidade sem tamanho, e em criança me ensinaram que eu era menos que os outros, que os outros eram superiores, e que portanto eu devia me envergonhar da minha condição. Não mais, nunca mais, prometi um dia a mim mesmo. Não me envergonharia mais disso. Tampouco teria orgulho. É um registro apenas, uma condição de certa época da minha vida.

Conheço a fome. A minha, fome pequena, e a de outros, fome enorme, dentes arreganhados, a carantonha a assustar o mais corajoso dos viventes. Naquele ciclo de seca do início da década de 1980, entre 1980 e 1983, foi quando a vi mais de perto. Naquele então ela já não me alcançava mais, mas atingia com força muita gente próxima a mim. Há imagens daquele tempo que estão de tal forma gravadas em minha memória que é como se eu as visse agora, nesse exato momento.

Não esqueço do homem em uma bicicleta com o caixãozinho azul de anjo parado na porta da igreja, colocando aquele minúsculo caixão nos braços e esperando que as portas se abrissem. O padre estava viajando, mas ele só queria que o caixãozinho entrasse na igreja, que alguém murmurasse uma prece, antes que ele amarrasse novamente o pequeno esquife na garupa da bicicleta e fosse, sozinho com sua dor, enterrar o anjinho.

Não posso esquecer os três irmãos, tão pequeninos, mortos num único dia. Os caixõezinhos enfileirados, três anjinhos mortos de fome. A mãe e o pai não choravam mais, não tinham mais pranto. O rosto era uma máscara apenas, indiferença e resignação. Àqueles eu acompanhei até a cova, pois a família, tão desfalcada, não era suficiente para carregar os três até o cemitério. Aqueles me doem até hoje, até hoje me fazem chorar quando sou, como agora, obrigado a esta lembrança.

Naqueles anos eu perdi a conta de quantos anjinhos, em seus caixões azuis, vi desfilar nas minhas retinas. Eu trabalhava ao lado da igreja, numa cidadezinha afogada em seca, fome, morte e desolação, perdida no meio da geografia dos Inhamuns, nos sertões do Ceará.

Há outras imagens, como a do homem que vi, em 1983, batendo com a cabeça no portão de ferro de um armazém de milho. Eu o conhecia, era meu amigo. Como esquecer aquele desespero, aquele homem que de tão faminto acreditava ser possível derrubar um portão de ferro batendo nele com a cabeça? O portão caiu, outras cabeças e outras mãos e outros braços se juntaram a ele, e eu aprendi ali que os castelos podem ser derrubados. 

Não posso esquecer do sargento da polícia batendo no velhinho que juntava do chão os grãos de feijão, abandonados pelo saque, um dentre tantos que presenciei, e levando-o preso mesmo ante o protesto, ainda tímido e medroso, de tantos que pediam para não prenderem o homem.

Acreditei que não precisava mais recordar essas coisas. Acreditei que elas dormiam profundamente no fundo de mim. Mas agora essas cenas retornaram. A fome voltou. Já anda livremente pelas ruas, de mãos dadas com a outra anciã perversa, a morte. As duas buscam alimento farto novamente pelos sertões, assolados por quase uma década de seca. Buscam e encontram.

O golpe trouxe de volta a fome. Ela está aí, esmurrando a porta. Eu a conheço, eu a reconheço em qualquer lugar, e mesmo que por ora esteja a salvo, ela já atinge muita gente próxima a mim.

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Pirotecnia

Governo muda comunicação digital para melhorar a imagem de Temer. Quem disse que a internet faz milagres?

Vulnerabilidade

Com Temer, Forças Armadas sofrem corte de 44% dos recursos e se vêem ameaçadas de colapso. Defesa da nação comprometida.

13 agosto 2017

Retrocesso

Corte de gastos reduz orçamento do PAC ao menor valor em 8 anos. Crescimento estilo Temer: pra baixo, feito rabo de cavalo.