17 dezembro 2017

Cegueira

Não é sensato perdoar todos os erros da corrente política a que se pertence e atacar indiscriminadamente aliados com os quais se tem divergências pontuais.

Poesia sempre

David Martiashivili
Primeira palavra
Mia Couto

Aproxima o teu coração 
e inclina o teu sangue 
para que eu recolha 
os teus inacessíveis frutos 
para que prove da tua água 
e repouse na tua fronte 
Debruça o teu rosto 
sobre a terra sem vestígio 
prepara o teu ventre 
para a anunciada visita 
até que nos lábios umedeça 
a primeira palavra do teu corpo.

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15 dezembro 2017

Parcial

Adiamento da votação da reforma previdenciária para depois do carnaval é derrota parcial do governo Temer. Um ponto de destaque na agenda da resistência popular de 2018. 

Lesa pátria

A suspensão do pagamento de R$ 1 trilhão das petroleiras internacionais em tributos devidos é crime de lesa pátria. Temer não tem limites. Impõe-se a defesa da Nação - nas redes e nas ruas.

14 dezembro 2017

Batalha prolongada

A corrupção e a chantagem não for o suficientes: votação da reforma previdenciária fica para fevereiro. Até lá é preciso aumentar a resistência nas ruas e nas redes.

13 dezembro 2017

Uma crônica para descontrair

Palavras fora de lugar 
Luciano Siqueira


Esforçado, arisco, curioso – se é livro, ele traça; debate não perde um, nem que seja sobre a educação de crianças no Japão ou a interferência do estresse no ciclo menstrual. E assim vai amealhando conhecimento sobre temas vários, padecendo, entretanto, de uma enorme dificuldade de concatenar as ideias. E as palavras.

Aliás, palavra que mereça ser pronunciada pelo dito cujo tem que ter sonoridade e um traço de raridade. Uma óbvia vocação para sucessor do Marquês de Pombal, que tanto se esforçou para recuperar termos em desuso.

Certa vez eu me referia a Miguel Arraes e ouvi aquela voz grave: “Um ínclito homem!”. Paulo Maluf, no outro extremo, dele mereceu a qualificação de “energúmeno!” Com exclamação. 

No meio de uma campanha eleitoral o encontro em cima do palanque e pergunto por que não o via nas atividades de rua: “Um interregno estratégico, líder, que, com efeito, resultará num contra-ataque tático específico e sobejo.” Claro que não entendi por que a sua ausência em algumas caminhadas teria sentido estratégico, muito menos o que vinha ser “contra-ataque específico e sobejo”. 

Pois bem. O tempo passou, nunca mais o vi, julgava-o em terras distantes, talvez levado pelo desejo de figurar em algum sodalício lítero-cultural, tipo Academia de Letras do Município de Ribeirão das Almas, coisa assim. Mas eis que o encontro na Livraria Siciliano, em São Paulo, alentado volume à mão (que preferi não olhar o título, já me prevenindo de uma indecifrável resenha). Fiz que não o reconhecia, num gesto que minha mãe classificaria como falta de caridade. Mas fui reconhecido e, como estava só, tive o desprazer de sua ilustrada companhia:

“- Excelência, quanto tempo! Apresento-lhe minhas congratulações pela conquista do pódio no último pleito e renovo meus pretéritos e sempre congruentes votos de confiança em vossa inexorável atuação. E pergunto: em que consonância pretende legislar, em se tratando de um parlamentar filosoficamente nutrido por uma teoria científica que, conforme meus alumiados estudos, tem na contemporaneidade o seu apogeu?”

- Só conversando com calma, amigo. Comprometi-me com um conjunto de temas, tendo como referência a ideia de um novo projeto nacional de desenvolvimento...

"- Ora, nada mais edificante do que tamanha pretensão, de valoração insofismável e ao mesmo tempo profícua e, por que não?, assaz inovadora, pois que um novo projeto direcionado à Nação tendo como mola-mestra o desenvolvimento quiçá...”

Não o deixei continuar. Mirei o relógio, um compromisso imediato salvou-me de tão “insólito colóquio” (uso a expressão naturalmente em homenagem ao meu insigne interlocutor). Despedi-me prometendo que marcaríamos um encontro caso ele visitasse a terra natal. Pura falsidade, pois no íntimo, bem desejo que a egrégia personagem não retorne ao Recife tão cedo. Para que as palavras permaneçam em seu devido lugar. E as ideias também.


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Meio bilhão

Prefeitura do Recife paga o 13° sexta-feira próxima (15) e o salário de dezembro dia 28. Com o salário de novembro, pago no último dia 1°, meio bilhão de reais são injetados na economia local  em apenas 28 dias.

E o chefe?

Advogados de Eduardo Cunha e Geddel Vieira Lima – acusados de formarem quadrilha junto com Temer – pedem ao STF que pare o andamento de denúncia alegando a exclusão do chefe por decisão da Câmara dos Deputados. Faz sentido.

Agilidade

Tribunal da Lava Jato marca julgamento de Lula para 24 de janeiro. Tramitação excepcionalmente rápida, mirando as eleições presidenciais. 

12 dezembro 2017

Pau a pau

Temer combina com grandes empresários a pressão sobre os parlamentares pela reforma previdenciária. A resistência nas ruas e nas redes contra a reforma precisa crescer.

Fio da meada

No embaralhado jogo de forças políticas em Pernambuco, a demarcação de campos se fará pelas propostas programáticas. Mais do que o passado, pesará a visão de futuro.

Além da realidade

Cada um com seu sonho, possível ou não
Luciano Siqueira, no portal Vermelho e no Blog da Folha

O sonho é livre, fundado na realidade ou não. Ou no tempo. Como nesses últimos dias do ano que finda, quando manda a tradição fazer planos para o futuro, ainda que no horizonte limitado do ano vindouro.

Certa vez Millor Fernandes, numa coluna “livre pensar é só pensar”, escreveu que uma das ironias da vida é que quando crescemos, nos tornamos adultos, temos emprego e salário, já não queremos comprar um imenso saco de bombons!

Ou seja, a criança a quem os pais negam a quantidade (exagerada) de bombons desejada, constata que a ameaça que fizera há 18 a 20 anos atrás já não tem sentido.

Mas há adultos, como um tal Elon Musk, bilionário fabricante de foguetes, que simplesmente quer colonizar Marte em 10 anos!

Ele fala sério, conforme atestam diversos órgãos da imprensa norte-americana. Tanto que o cara controla duas poderosas empresas de TI e resolveu criar a SpaceX, que constrói foguetes e alimenta o sonho planetário do seu dono.

Na política também é assim. Há sonhos para todos os gostos – sérios ou delirantes. De objetivos estratégicos alicerçados na compreensão cientifica da realidade a pretensões que, imediatistas, projetam aspirações tão audaciosas quanto inviáveis.

É que a leitura do curso histórico nem sempre considera toda a gama de variáveis que concorreram para determinado desenlace tido como imprevisível e, por premiar a ousadia, se convertem em falsos paradigmas.

Fernando Collor, por exemplo, venceu as eleições presidenciais de 1989 como se fora um outsider, batendo concorrentes que ostentavam muito mais bagagem e prestígio. Desde então, são recorrentes as tentativas de repetir a proeza, mas sem a menor consideração para o fato de que, então, se iniciava novo ciclo político e as forças tradicionais, digamos assim, se subdividiram em mais de uma dezena de candidaturas.

Em meio à dispersão e à busca pelo novo por parte do eleitorado, no segundo turno se confrontaram Collor e Lula.

As eleições presidenciais de outubro se enquadram no novo ciclo conservador pós-impeachment e, no estado atual, inicialmente comporta múltiplas candidaturas. Porém, em sua essência, em nada se compara ao pleito de 1989.

Agora mesmo, cá na província, já tem gente arrotando poder de fogo que na verdade não tem, no intuito de criar o clima desejado para abocanhar o poder local em peleja cujo cenário ainda não está definido.

Equilíbrio e bom senso não fazem mal a ninguém, mais ainda quando se apoiam na avaliação da real correlação de forças e na boa percepção de tendências no comportamento futuro do eleitorado.

Enfim, nem tanto o mar, nem tanto a terra. Nem a fragilidade do garoto sequioso por se empaturrar de bombons, nem a ousadia do magnata que deseja povoar o planeta Marte. Na política, vale sonhar sim, numa perspectiva dimensionada pela realidade objetiva.


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Ilustração: Kandinski

Pressão

Apesar de todo tipo de negociata, Temer e aliados ainda não fecharam a conta e admitem a possibilidade de deixar para fevereiro a votação da reforma da Previdência. da. Jogo duro na lama.

11 dezembro 2017

Gênero e raça

Uma jovem negra no Brasil corre risco 2,2 vezes maior de ser morta do que uma jovem branca, segundo o relatório Índice de Vulnerabilidade Juvenil à Violência, da ONU. Fator de estímulo à luta pela igualdade de gênero e raça. 

Fuga

— Amigo, resolvi me alienar, não vejo noticiário na TV, nem leio jornais. No rádio só escuto música.
— Por quê?
— Não aguento essa corja do Temer. É o meu protesto...
— Protesto mudo ninguém ouve, ora!
#diálogospertinentes 

Lama comum

Aliado íntimo de Eduardo Cunha, Marun assume posto estratégico no governo Temer. Tão natural quanto o parto aos 9 meses de gestação. Cunha e Temer são gêmeos.

08 dezembro 2017

Jogo duro

Apesar da cooptação e da chantagem, a dez dias da votação, Temer ainda não tem votos para aprovar reforma da Previdência. Imagine se houvesse forte pressão nas ruas.