25 abril 2017

Manipulação dos fatos

Tanto quanto nas outras redes
Luciano Siqueira, no Blog da Folha

No Estadão, leio conceitos emitidos pelo professor Pail Mihailidis, da Emerson College e diretor da Salzburgo Cademy on Media & Global Change, de Boston, EUA, acerca do cerceamento da boa informação nas redes sociais. 

 “As redes sociais têm que responder pela polarização que causam”, diz ele. Isto porque as ferramentas de uso na internet geram uma situação que leva as pessoas a viverem em pequenas "bolhas" de informação, nas quais não há espaço para opiniões contrárias. 

O que se agrava pela profusão de informações falsas, que circulam sem resistência do público que as recebe. 

Ao que se acrescenta – acentua ele - que também a mídia tradicional, em busca de público, pega carona na esteira das redes sociais e também difunde notícias falsas.

Tudo isso é verdade. Mas não é novidade.

Antes desse salto qualitativo em matéria de tecnologia a serviço da conecção entre as pessoas - as chamadas redes sociais -, os meios de comunicação tradicionais já cumprem papel semelhante na distorção das informações.

No Brasil, onde é permitido a um mesmo grupo econômico o controle da mídia impressa, TV, rádio e internet, não passa de ingênua ilusão supor que o cidadão tem acesso às informações efetivamente relevantes e confiáveis.

O acesso é parcial e dirigido. Apenas nove famílias, à testa de conglomerados de comunicação, determinam o que o brasileiro pode saber, ouvir, ver e ler. 

Grupos regionais se conectam às redes nacionais e se submetem ao mesmo diapasão.

Além disso, a informação restrita aos interesses representados pelos conglomerados de multimídia, nos chega com a marca e o rótulo de uma espécie de pensamento único dominante.  

Aqui e acolá uma notícia diferenciada ou a presença de articulistas de opinião própria dão um falso tom da pluralidade. Mas tão somente isso: um falso tom.

De tal modo que os conceitos do professor norte-americano são válidos, sim; mas extensivos a todas as mídias.

E no que se refere às redes sociais especificamente, bem sabemos que através de sofisticado uso de algoritmos os provedores dessas redes terminam por confinar cada um de nós aos nossos próprios grupos de afinidade.

Esse amigo de vocês utiliza regularmente as redes - Facebook, Twitter, Instagram e WhatsApp - pela possibilidade de alcançar, em frações de segundos, alguns milhares de pessoas. Mas com a consciência de que a liberdade para tanto é relativa e, em certa medida, o faço circunscrito à redoma a que eu, como você que me lê agora, estamos confinados. 
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Bom sinal

PSB fecha questão contras as reformas trabalhista e previdenciária propostas por Temer. Contra apenas cinco votos contrários.

Arcebispo pela greve geral

video
Tem conteúdo, consistência e emoção a palavra de Dom Saburido, arcebispo de Olinda e Recife, em vídeo, convocando para greve geral do dia 28. Confira.

O prazer da fotografia

Cena urbana: Morro Dois Irmãos visto do Arpoador em fim de tarde, Rio (Foto: LS) #cenaurbana #riodejaneiro #fotografia

Protesto

Outro dia, no ônibus de Casa Caiada, Olinda, com destino ao Recife, uma vendedora de “cremosinho” fez demorado discurso aos passageiros protestando contra a reforma da Previdência.

Expressão de uma consciência crítica que se amplia rapidamente no seio do povo.

24 abril 2017

Ciência & ambiente

Entre a lenda e a ciência: as 25 espécies mais buscadas pelos cientistas

A lista inclui animais e uma planta que não são vistos há mais de 1.500 anos

Joana Oliveira, El País 

O último exemplar vivo da tartaruga gigante da ilha Fernandina, em Galápagos, foi visto pela última vez há 111 anos

É difícil imaginar que seja possível perder uma tartaruga gigante, mas é exatamente o que aconteceu com a espécie da ilha Fernandina, a menos explorada e a mais jovem das Ilhas Galápagos. O único exemplar já encontrado foi um macho, descoberto em 1906 por pesquisadores da Academia de Ciências da Califórnia, que o mataram para estudá-lo como modelo. A pista seguinte apareceu em 1964, quando um grupo de cientistas encontrou excrementos do animal. Uma expedição aérea em 2009 detectou algo parecido com uma tartaruga gigante, mas para todos os efeitos práticos o rastro desse réptil se perdeu há 111 anos.
Agora, a busca para encontrar esta e outras 24 espécies desaparecidas se renova graças a uma iniciativa da organização Global Wildlife Conservation (GWC), que lançou uma campanha global para encontrar o que consideram os 25 animais (e uma planta) mais procurados do planeta. Nenhum está oficialmente extinto, mas, coletivamente, as espécies não foram vistas em mais de 1.500 anos. “A tartaruga gigante, por exemplo, está na mais vulcânica das Ilhas Galápagos. Todo o território é um cone vulcânico massivo, coberto de matagais quase impenetráveis. Alguém poderia caminhar muito perto de uma tartaruga de mais de um metro do outro lado de um arbusto e sequer perceber que estava ali”, comenta Robin Moore, biólogo e líder do projeto.
A lista, elaborada por centenas de cientistas da União Internacional para a Conservação da Natureza, inclui um morcego, uma abelha, um periquito, um cavalo-marinho e um tipo de coral. Os especialistas tiveram de nomear espécies que não tinham sido detectadas em mais de 10 anos —aquelas já declaradas extintas, como o tigre da Tasmânia, não foram consideradas— e, a partir de uma lista inicial de 1.200 espécies, a organização reduziu a busca ao que considera 25 espécies “peculiares e carismáticas” que, se ainda existem, são encontradas em 18 países em todo o mundo.
As expedições começarão no fim do verão europeu (fim do nosso inverno), depois de uma campanha para arrecadar 500.000 dólares (cerca de 1,6 milhão de reais). Moore explica que cada investigação será diferente. Os cientistas podem dar início a uma busca de duas semanas nas pradarias e pântanos do norte de Myanmar (antiga Birmânia) para procurar o pato de cabeça rosada, que está desaparecido há 68 anos. Para procurar a equidna de Attenborough, o mais provável é que os cientistas utilizem armadilhas de câmeras que serão monitoradas pelos moradores. A busca da salamandra escaladora de Jackson vai exigir uma expedição aos bosques nevoentos da Guatemala para revirar troncos durante o dia e percorrer a selva com lanternas à noite. “Falar com os moradores será chave na maioria das buscas, como no caso da rã conhecida como sapinho arlequim, na selva da Venezuela”, comenta o biólogo.
Moore tem certeza de que a campanha funcionará e tem evidências em primeira mão para acreditar: liderou em 2010 uma busca por sapos possivelmente extintos, que envolveu 33 equipes de especialistas em espécies desaparecidas em 21 países, e que resultou não só na redescoberta de três dos 10 anfíbios mais procurados, mas também conseguiu encontrar outras 15 espécies.
Há, além disso, indícios que sustentam a hipótese de que as 25 espécies procuradas atualmente podem estar escondidas em algum canto do planeta. Em 2007, um grupo de cientistas encontrou rastros de tocas que, por sua forma, poderiam ser da equidna de Attenborough, apesar de não haver evidência física ou de DNA. Entre 2000 e 2001, caçadores encontraram sinais que indicam que uma espécie de macaco antes considerado extinto, o colombo vermelho ocidental, sobreviveu. Na Guatemala, duas espécies de salamandra foram redescobertas depois de mais de três décadas sem deixar rastro —“O que nos leva a crer que a salamandra escaladora também pode nos surpreender”, diz Moore. E na Venezuela, os nativos relataram ter visto rãs que coincidem com a descrição do sapinho arlequim. “Todos esses fragmentos de evidências são tentadores. É uma centelha de esperança para a redescoberta dessas espécies”, afirma o biólogo.
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Sintonia

A conhecida loja de roupas Dimpus, na Visconde de Pirajá, Ipanema, zona sul do Rio, procura atrair clientes em sintonia com o sentimento da maioria. Num cartaz anuncia: quem gritar Fora Temer ganha 20% de desconto. #ForaTemer #cenaurbana

Humor de resistência

Bessinha vê o direcionamento político das delações no âmbito da Operação Lava Jato.

Por um amplo pacto

Tempus fugit
Eduardo Bomfim, no portal Vermelho

A prolongada crise nacional vai atingindo múltiplos aspectos da sociedade brasileira e nada indica que nesse rumo, ou na absoluta falta dele, as coisas vão chegar a um bom termo.

No plano econômico, mesmo com o denodado esforço da grande mídia hegemônica, a contínua queda dos indicadores econômicos aponta no sentido do agravamento da recessão, aumento galopante do desemprego, além do processo estrutural da desindustrialização do País.

No aspecto institucional, o que se observa é a afirmação de uma espécie de novo tipo de fascismo adequado às características e exigências do Mercado financeiro, e das oportunidades que usufruem as grandes empresas estrangeiras com o desmonte do parque produtivo nacional, estatal e privado.

No campo social são evidentes as ameaças, e concretizações destas, às Históricas conquistas trabalhistas adquiridas desde a revolução de 1930. De outro lado, tramitam no Congresso Nacional projetos que ameaçam a soberania e integridade nacional, como a venda criminosa de terras a grandes grupos estrangeiros, incluindo a Amazônia brasileira.

A nação já não vive um clima de legalidade democrática, encontra-se sob um verdadeiro Estado de Exceção, onde o poder executivo, a presidência da República, vítima de golpe de mão, não representa qualquer segmento da sociedade nacional, salvo os interesses do capital rentista, da mídia golpista e de aventureiros de ocasião cujos anseios estão a anos luz da grandeza que a nação exige.

O Congresso Nacional, salvo louváveis exceções já conhecidas, vai à deriva, abatido por si próprio tanto como pelos ataques cirúrgicos da grande mídia hegemônica, uma das protagonistas do golpe de Estado.

O açoitamento da política, caminho da participação social nos rumos do País, tem sido uma constante por essa mesma grande mídia hegemônica, que é recorrente na prática de arranjos autoritários para o País, como nos tempos atuais.

Por isso, tempus fugit: o tempo voa para que os democratas, patriotas e progressistas constituam um amplo pacto político, com intensa participação de variadas camadas sociais, que enseje a reconstrução nacional, a integridade do País, assegure os direitos trabalhistas dos cidadãos, aponte um novo rumo para a economia e o desenvolvimento, antes que alguma figura delirante empalme os destinos do Brasil.
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Menos direitos

A reforma trabalhista proposta pelo governo Temer permitirá que o patrão possa reduzir os salários dos trabalhadores ainda que ele continue a exercer a mesma função na empresa, e nem mesmo a Justiça poderá interferir no assunto. A irredutibilidade dos salários é uma garantia da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho). Leia mais http://migre.me/wuU7x

Pela ciência

Uma inédita manifestação mobilizou milhares de pessoas em mais de 500 cidades de diferentes países no último sábado (22). Cientistas, professores, pesquisadores, estudantes de graduação e pós-graduação, além de parlamentares e lideranças sociais ocuparam as ruas em cerca de 70 países para participar da Marcha pela Ciência. No Brasil, pelo menos vinte cidades participaram da marcha. Leia mais http://migre.me/wuTX3 

23 abril 2017

Desastre

Em três anos, empresas investigadas pela Lava Jato já demitiram mais de 600 mil trabalhadores. É no que dá a não separação do joio e o trigo e colocar na mesma vala a punição de executivos corruptos e a inviabilização das empresas. Campo aberto para empresas estrangeiras ocuparem o lugar das nacionais e para a liquidação da engenharia brasileira. 

Para onde?

Oito dos onze candidatos à presidência da França, hoje, defendem a saída da União Europeia. Subproduto da crise global e da transição a uma nova ordem multipolar. 

O prazer da fotografia

Cena urbana: O sol se põe no Arpoador (Foto: LS) #cenaurbana #riodejaneiro

22 abril 2017

Inquisição

Numa escola sem partido, quais autores seriam permitidos, comunistas arrependidos ou reacionários assumidos?, pergunta Marcelo Rubens Paiva em sua coluna no Estadão. "Se o projeto escola sem partido for adiante, nossos melhores historiadores e escritores serão chamas da grande fogueira da intolerância, livros queimando em pátios, numa inquisição ideológica de que ninguém tem saudades", afirma.

Tem razão.

Ônus

Lula afirma — com toda razão — que os que o acusam têm o dever de provar a sua culpa; e não ele provar sua inocência.

Delação

Advogados de Lula afirmam que o empresário Leo Pinheiro, da OAS, está mentindo sobre o ex-presidente para ter a sua delação premiada aprovado. Pode ser. Faz sentido

Golpe

Enquanto a grande mídia monopolizada se deixa com sofreguidão à sanha de atacar Lula a todo custo, a revista CartaCapital publica extensa reportagem, na dação desta semana, dando conta das confissões de Temer que confirmam o espírito de vingança que moveu Eduardo Cunha ao deflagrar o processo de impeachment de Dilma Rousseff. Rolou uma negociata de 40 milhões de dólares com Temer e Cunha no escritório do atual presidente. Confira: cartacapital.com.br 

21 abril 2017

Carga pesada

Na capa do jornal O Globo hoje, verdadeiro bombardeio contra Lula — das principais manchetes às chamadas das colunas. Enquanto isso, Aécio, Serra, Alckmin, Temer, Fernando Henrique Cardoso et caterva continuam tratados amigavelmente. Não se trata de combate à corrupção; é o jogo duro para evitar Lula em 2018.

20 abril 2017

Preferência

Pergunto a Alice, 3 anos:
- Do que é que você gosta mais aqui na praia?
- Bolo de rolo e piscina!

Tarefa indispensável

Nada substitui o trabalho político na base
Luciano Siqueira, no portal Vermelho e no Blog do Renato

Resultados de pesquisa recente realizada pela Fundação Perseu Abramo com foco em populações periféricas de São Paulo causam estranheza e inquietude.

Mas não deviam surpreender, pois apenas revelam conhecido dado da realidade: a discrepância entre o discurso político dos segmentos mais avançados da sociedade e o nível de percepção da maioria da população.

Essa discrepância é maior ou menor, dependendo em boa parte das circunstâncias políticas; e é mediada por vários fatores – entre os quais a natureza e a qualidade dos vínculos de partidos e agrupamentos políticos com a base da sociedade.

Pesa, sobretudo, a qualidade do diálogo entre militantes e ativistas e o cidadão comum.
Quando do último pleito presidencial, uma expressão esteve presente no discurso de todos os candidatos: "Você chegou até aqui por esforço próprio".

Isto porque as pesquisas de então já revelavam que os quase 40 milhões de brasileiros que haviam ascendido socialmente em doze anos de Lula e Dilma não percebiam sua melhoria de vida como fruto de políticas públicas adotadas pelo governo. Atribuíam o êxito ao próprio esforço.

É que o processo de formação de uma consciência social avançada é algo complexo, nem é instantâneo nem se dá em linha reta.

Espontaneamente o indivíduo tende a ver quase que somente a realidade local e pessoal. Não faz a relação de suas vivências individuais ou coletivas com a realidade do país e com a necessidade de se mudar a natureza do poder político como condição indispensável a transformações sociais e políticas que permitam solucionar os problemas fundamentais do povo e destravar o desenvolvimento nacional.

Por mais eficiente que seja a propaganda dos feitos e benefícios atribuídos a determinado governo, jamais dispensará um trabalho cotidiano que proporcione ao cidadão seu aprendizado político.

É o que é Lenin em sua obra clássica "Que fazer?" chamou de introdução do elemento consciente no movimento espontâneo.

A realidade atual é bem diversa daquela em que o grande líder russo atuou, final do século XIX e início do século XX.

Hoje o trabalho político militante envolve um conjunto de variáveis, da sofisticação dos meios de comunicação à multiplicidade de estímulos com os quais o indivíduo convive no seu dia a dia.

Mas o desafio é o mesmo. E não foi enfrentado devidamente pelas forças governantes no ciclo transformador recém-interrompido.

O limitado descortino estratégico da força política hegemônica e a presença saliente, na coalizão governista, de segmentos conservadores pesaram nesse sentido.

Neste instante da vida do país em que está instaurada a crise e a instabilidade em todas as esferas da sociedade, sob correlação de forças favorável ao agrupamento que deu o golpe e promove o retrocesso neoliberal, a luta no terreno das ideias e a atividade militante, pedagogicamente eficiente, têm enorme relevância.
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Futuro

Um novo salto civilizatório no Brasil se dará com o socialismo. Há um longo, complexo e sinuoso caminho a ser percorrido até lá - passando por conjunturas adversas como a atual. 

Vai quem quer

A frente ampla contra o governo golpista de Temer e por um novo ciclo de transformações políticas e sociais é uma proposta justa. A sua construção é um processo gradativo, sem esquema prévio; e provavelmente não incluirá todas as forças de esquerda, ficando de fora alguns grupos que não compreendem a necessidade de uma coalizão ampla e preferem o autoisolamento.

Alvo

Informações dadas por delatores não são necessariamente verdadeiras. A mídia faz uma edição muito bem feita e com orientação política clara: já não pode esconder os tucanos e os peemedebistas, mas mantém Lula e o PT como alvo principal.

19 abril 2017

Reforma política em alta

Mais de cem entidades civis se reuniram para reativar a Coalizão pela Reforma Política, nessa segunda-feira (17), em Brasília, dentre elas a CNBB, o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, UNE e OAB Nacional. A decisão foi tomada por representantes do grupo para fazer pressão à reforma política-eleitoral, em discussão na Câmara dos Deputados. Recentemente, o relator da proposta, Vicente Cândido (PT-SP), defendeu o sistema de voto em lista fechada e o financiamento público para as eleições de 2018 como um modelo de transição que vigore até as eleições de 2022. A partir do ano eleitoral seguinte, em 2026, as escolhas dos candidatos seriam realizadas no modelo distrital misto. Para o eleitor desatento, todos esses termos como “voto em lista aberta, ou fechada”, “modelo distrital puro, ou misto”, por exemplo, acabam causando confusão. Por isso, o ex-deputado pelo PCdoB e um dos articuladores da Coalizão pela Reforma, Aldo Arantes, defende a máxima divulgação do tema na imprensa e nas redes sociais. Em entrevista para Luis Nassif, do Jornal GGN, Arantes explicou que o que obrigou o Congresso a colocar na mesa a reforma política foi o fim do financiamento privado de campanha, apontando o tipo de sistema eleitoral defendido pela Coalizão e os riscos de a reforma reforçar a cultura do coronelismo no país, caso um modelo distrital consiga passar. Entenda os principais pontos da reforma que propõe mudanças eleitorais e pode reforçar retrocessos no país http://migre.me/wt0Zh

Rejeição

Na pesquisa CNI/Ibope, a maior rejeição a Temer se dá na população entre 25 a 44 anos de idade.

Gesto elevado

Defesa da nação
Luciano Siqueira, no Blog da Folha

Um país que se respeite há de ter sempre, nos momentos mais difíceis, vozes que se alevantam em defesa dos interesses nacionais e do povo.

O Brasil é um país de peso geopolítico próprio, mais do que respeitável, ainda que temporariamente – com José Serra e agora com Aloysio Nunes -, tenha abandonado a postura de independência e altivez e se realinhado com os EUA.

Num mundo em transição para uma nova ordem multipolar, voltamos a uma posição retrógrada.
Isto num cenário geral de crise mundial e interna, o que acentua nossas vulnerabilidades.

E para completar os infortúnios do momento, na esteira da controversa Operação Lava Jato se acelera o esgarçamento das instituições e a negação da política, abrindo um perigoso vazio muito próprio de situações pré-ditaduras.

Mas, nessas adversas circunstâncias, sob a liderança do ex-ministro Luiz Carlos Bresser-Pereira, renomados economistas, professores, físicos, engenheiros, sociólogos, músicos, arquitetos, cineastas, escritores, intelectuais, políticos, advogados lançaram dias atrás o Manifesto do Projeto Brasil Nação  http://migre.me/wqMLG.

Nele, com clareza e consistência, a denúncia do desmonte do Estado nacional e a regressão de conquistas e direitos sociais, o esfacelamento de nossa indústria a partir da espoliação da Petrobras – que ameaçam conduzir o Brasil “à dependência colonial e ao empobrecimento dos cidadãos, minando qualquer projeto de desenvolvimento.”

“Privatizar e desnacionalizar monopólios serve apenas para aumentar os ganhos de rentistas nacionais e estrangeiros e endividar o país”, assinala o documento. 

E acentua que “o governo reacionário e carente de legitimidade não tem um projeto para o Brasil. Nem pode tê-lo, porque a ideia de construção nacional é inexistente no liberalismo econômico e na financeirização planetária. Cabe a nós repensarmos o Brasil para projetar o seu futuro – hoje bloqueado, fadado à extinção do empresariado privado industrial e à miséria dos cidadãos”.

Nessa direção, os subscritores do documento se ajuntam aos que se batem pela necessidade de se combinar a denúncia e o protesto – no parlamento, nas redes e nas ruas – com a construção de uma plataforma capaz de unir amplos segmentos sociais e políticos verdadeiramente comprometidos com a defesa da Nação.

O documento sentencia que “nossos pilares são: autonomia nacional, democracia, liberdade individual, desenvolvimento econômico, diminuição da desigualdade, segurança e proteção do ambiente – os pilares de um regime desenvolvimentista e social.”

Uma palavra sensata, aguerrida e oportuna – a ser considerada e debatida amplamente.

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Marionete

Em carta enviada a Temer, o Papa Francisco alerta: "Não se pode confiar na 'mão invisível' do mercado". O problema é que Temer é um marionete do "mercado"!

Cena esquisita

Moro e Temer riem de quê?

Vamos ver

Derrota do pedido de urgência para a tramitação da reforma trabalhista pode ter dois sinais: ou a base governista que por negociar mais vantagens na negociação direta com o Planalto ou cresce o volume de dissensões. É acompanhar para ver. 

Intriga no covil

No Planalto, há queixas de que o líder do governo no Congresso, deputado André Moura (PSC-SE) seria apenas "decorativo", e não líder de fato, segundo a coluna política da Folha de S. Paulo. A base governista envolta com uma agenda francamente impopular claudica. 

Até onde?

Pergunta oportuna: Quando chegarão ao Judiciário e ao Mercado Financeiro as revelações feitas nas delações premiadas? 

Saída política

O caos e o futuro
Luciano Siqueira, no Blog de Jamildo/portal ne10

- Nunca vi tamanha confusão, pra onde a gente se vira só tem notícia ruim, comenta o amigo no WhatsApp.

- Pois eu já vi, rapaz. Vi, vivi e a História registra inúmeras situações assim, respondo.

- Até aqueles grupos que organizaram manifestações pelo impeachment viraram avestruz, cara!

- Como assim?

- Calaram o bico, enfiaram a cabeça no chão e estão feito cachorro de mudança que cai de caminhão...

- Sim, é verdade. Derrubaram Dilma e botaram Temer achando que o país ia melhorar e quebraram a cara. O país afunda e o grupo que governa com Temer se revela envolvido em tudo o que não presta.

- Então, a gente não sabe o que fazer nem sabe para onde ir...

- De lado de cá, da oposição, também tem muito bate-cabeça, tem gente que alimenta a revolta (justa) e protesta, mas não encontra o rumo.

- Uns reclamam dos outros...

- Alguns usam uma metralhadora giratória, atacam inimigos, adversários ocasionais, aliados, potenciais aliados...

- E aí, como a gente sai dessa?

- Calma, amigo. Esse caos aparente é próprio das situações de crise, acontece no Brasil e mundo afora. Nem tudo é delação da Odebrecht, embora a mídia só fale nisso.

- Você acredita numa luz no fim do túnel?

- Mais ou menos isso. Meu partido, o PCdoB, tem trabalhado nessa direção. O ex-ministro Bresser-Pereira lidera um movimento chamado Projeto Brasil Nação, que reúne expressivo contingente de economistas, físicos, artistas, sociólogos, arquitetos, jornalistas... muita gente respeitada. Setores de partidos de oposição, juristas, a OAB, a CNBB, parcelas dos movimentos sociais trabalham também nisso...

- E tem a greve geral dia 28, né?

- A greve geral, as manifestações contra as reformas previdenciária e trabalhista, o Grito da Terra, a defesa de conquistas sociais e direitos.

- O pessoal está reagindo...

- Sim, há uma crescente resistência que ganha as ruas e sensibiliza milhões dos que não estavam compreendendo as mudanças políticas recentes. E há um esforço, ainda disperso, mas que tende a convergir, no sentido de construir uma plataforma que una todas as forças que lutam pela democracia, pela retomada do desenvolvimento econômico com inclusão social, pela soberania do país.

- Você é otimista.

- Sempre. Do caos pode brotar o futuro.
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