05 maio 2014

Quando julho vier...

Primeiro round

Luciano Siqueira, no Jornal da Besta Fubana

Como numa luta de box entre contendores que se equiparam, o primeiro round se consome com estudos de parte a parte. Assim se dá na atual fase pré-eleitoral, no que se refere às candidaturas presidenciais. Há escaramuças sim, porém ainda em nivel exploratório. O essencial, que são as propostas concretas acerca dos rumos do País, ainda navegam na superfície, sem o calor e o matiz que sensibilizam o eleitorado. 

No caso dos candidatos oposicionistas, por enquanto seus públicos alvos se situam na esfera do grande empresariado. 

Uma vez realizadas as convenções partidárias, em junho, e iniciada a campanha propriamente dita, em início de julho, será a hora de a onça beber água. Quem tem o que dizer à maioria dos eleitores, ao povo, terá que abrir o jogo. Para além dos artifícios midiáticos. 

As pesquisas mais recentes indicam a possibilidade real de um segundo turno. Nada de extraordinário. Os últimos três pleitos se deram assim, nem Lula nem Dilma se elegeram de uma só tacada. E se assim se dé novamente, sobretudo se a presidente vier a despencar para o terceiro lugar nas expectativas de voto, hipótese nada provável, os candidatos Aécio e Eduardo terão que se diferenciar mutuamente. Um não pode ser o simples complemento do outro, como sugeriu o senador tucano em evento realizado na semana passada em Ilhéus, Bahia, como afirmou serem ambos detentores de um mesmo sonho (sic). 

Seja porque Dilma terá que se pronunciar com clareza e objetividade sobre a agenda do avanço em relação ao que se realizou nos governos liderados pelo PT, desde 2001; seja porque Aécio e Eduardo terão que expressar do mesmo modo o que pretendem, os rounds que se seguirão darão ensejo a que os brasileiros e as brasileiras possam decidir segundo seu próprio juízo de valor.

Em desdobramento e, em certa medida com suas especificidades, o mesmo acontecerá com os pretendentes aos governos estaduais, estejam ou não vinculados, em maior ou menor grau, às candidaturas presidenciais. 

Enquanto tal não acontece, o que se vê é uma campanha aberta e nada disfarçada encetada pela mídia hegemônica oposicionista em esfera federal, difundindo costumeira distorção da realidade, que apresenta de forma parcial e unilateral. Quanto a isso, que diferença de Portugal!, por exemplo, onde por lei o tempo dedicado aos litigantes no noticiário diário e nos debates e entrevistas é equânime. E onde além disso, os partidos submetem a debate público seus programas - contribuindo assim para a elevação do nível de discernimento do eleitorado. 

Resta-nos, pois, aguardar o momento pós-convenções. E tomar parte ativa no debate. 



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