27 junho 2017

Humor de resistência

Genildo vê Temer na sarjeta, resistindo.

Por que não cai?

As moedas de troca de Temer
Luciano Siqueira, no Blog da Folha

Frágil como um fiapo, o rosto e o corpo sujos de lama, quase ignorado na cena internacional — mas assim mesmo ainda de pé.

Trôpego, porém de pé.

Apenas 7% da população brasileira o apoia, mas persiste.

Assim é Michel Temer. E por que não cai?

Ele ainda se apega ao uso esperto de duas moedas de troca.

Uma é que o destino do seu governo está nas mãos do Mercado. A agenda regressiva de direitos e de direcionamento neoliberal para a economia — cânones do Mercado financeiro — precisa de um governante que, mesmo no fundo do poço, se empenhe em executá-la a qualquer custo.

É a tarefa "modernizante" a que se refere próprio Temer em seus sucessivos e atabalhoados pronunciamentos.

A outra moeda é o relacionamento "fisiológico" com grande parte da base governista no parlamento, que troca o voto nas reformas antipopulares por cargos na máquina pública e outros favores imediatos.

Nessa seara Temer sempre se moveu muito bem. Sua trajetória ascendente no parlamento e na máquina peemedebista decorre daí.

E para o próprio Temer não há alternativa senão resistir, pois uma vez apeado do poder de imediato poderia ser preso, tal a gravidade das denúncias comprovadas de ato de corrupção e de interceptação de investigações contra si e seu grupo de que é alvo.

A viagem internacional que fez na semana passada em busca de agenda positiva mostrou-se tremendo fiasco.

Na Rússia, foi recebido no aeroporto pelo vice-ministro das Relações Exteriores. Na Noruega, pelo chefe da segurança do aeroporto. Tratamento de terceira classe para quem governa um país da importância geopolítica do Brasil.

E ainda ouviu acovardado admoestações da primeira-ministra norueguesa, que ousou se intrometer em questões internas do Brasil, sentindo-se à vontade diante de um energúmeno.

Lamentável, sob todos os títulos!

E o impasse prossegue. Com as três denúncias sequenciadas da Procuradoria Geral da República, o presidente seguirá exposto à execração pública.

Nesse ambiente, a greve geral convocada para o próximo dia 30 haverá de reforçar mais ainda a resistência popular.
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26 junho 2017

Na lama

"Nada nos destruirá, nem a mim nem aos nossos ministros", diz Temer. Claro, já se autodestruíram num mar de lama.

Plano único

"Deixem eu terminar meu moribundo mandato e fazer as reformas antipopulares", é a mensagem de Temer em sucessivos discursos pífios.

Defensiva

Acossado, Temer reuniu ontem à noite seu núcleo político. A semana será dura: a PGR formalizará denúncia acusando-o de chefiar quadrilha.  

25 junho 2017

Cotado

Chico Buarque é uma quase unanimidade de nossa MPB. Temer chega perto na política, negativa: 8 em cada 10 brasileiros querem sua queda.

Que História é essa?

A pesquisa histórica promove o estudo dos Direitos Humanos. O projeto “Adote uma memória – construa nossa História” trabalha com o estudo da memória de vítimas da ditadura militar entre 1964 a 1985, permitindo o conhecimento mais detalhado sobre o recorte histórico, abordando temas transversais como cidadania, direitos humanos e democracia – explica a professora Analice Rocha de Araújo, em artigo publicado na Educação Básica Revista. As pesquisas sobre esses personagens da História recente do Brasil resulta num trabalho que é apresentado em vídeos, livreto, banners e apresentações artísticas. A escola também colabora no processo de reparação pelas atrocidades cometidas. Acesse aqui e baixe a versão em pdf http://encurtador.com.br/gpFO3

Blindagem nociva

Juristas e advogados têm apontado em vão irregularidades na Lava Jato

Janio de Freitas, Folha de S. Paulo

A crise vai ficando a cada dia mais original. Mais brasileira. Há dias, discutia-se a autoridade do Supremo, ou sua falta, para reexaminar a imunidade criminal concedida pelos procuradores da Lava Jato a Joesley Batista, o chefão da JBS que gravou comprometimentos ilegais de Michel Temer. O próprio Supremo entregou-se à discussão do acordo que autorizara. Pôs-se, portanto, em questionamento público. Mas a preocupação dominante, notada inclusive em integrantes do tribunal, não era com a respeitabilidade da instância mais alta da Justiça. Era, se admitido o reexame do acordo, com a repercussão na Lava Jato. Logo, na primeira instância que criou a imunidade mal vista na opinião pública.
É o país ao contrário. Onde o Supremo, a Presidência, o governo e o Congresso estão questionados, é em vão que juristas e advogados têm apontado irregularidades processuais, além de outras, na Lava Jato do primeiro nível judicial. Em artigo na Folha e, depois, em defesa formalizada nesta semana, advogados reiteraram que só dois dias antes do recente indiciamento de seu cliente puderam conhecer o inquérito. O juiz Sérgio Moro o manteve sob sigilo desde que o instaurou em julho de 2016. Nenhum recurso alcançou resultado, possível, porém, contra medida do Supremo. Mas entrevistas e sentenças dirão, depois, que no processo foi respeitado o pleno direito de defesa exigido pela Constituição.
Em breve haverá motivo para outra discussão no gênero da motivada pela imunidade de Joesley Batista. O tema será suscitado pelo procurador-geral Rodrigo Janot, que planeja propor a suspensão dos processos contra políticos que receberam, e não declararam à Justiça Eleitoral, dinheiro não ligado a facilitações e negócios. Seria o caixa dois sem corrupção. Apesar disso, com transgressão da lei.
O novo presente traz de volta o favorecimento a políticos do PSDB. Não fazendo parte dos governos Lula e Dilma, esses políticos não teriam como vender facilidades de ministérios e estatais (a Lava Jato não se interessa pelas práticas ilegais anteriores aos dois governos). Nem por isso deixaram de receber altas contribuições. Muitas só declaradas em parte ou nem declaradas. São, no entanto, a explicação não só para a evidência de gastos de campanha superiores ao declarado, como para compras de imóveis e outros bens sem reservas para tanto. E ainda proporcionam lavagem de dinheiro da corrupção, com a explicação falsa, se necessário, de que o acréscimo de patrimônio veio de doação eleitoral não declarada. É frequente essa prática em políticos mais expostos.
À parte a volta do dirigismo judicial, pouco importa se deliberado ou não, a suspensão dos processos é outro privilégio de classe. E também um calmante para várias dezenas de congressistas hoje hostis ao Ministério Público. Sobretudo, é uma discriminação entre os que agiram fora da lei e os que a seguiram. Em benefício dos incorretos. No país ao contrário.
UMA BOA
Se você gosta de livros, agora há uma revista dedicada a eles e a você: "Quatro cinco um", só de resenhas e novos lançamentos. Bem feita, agradável, eclética, já está no segundo número. Encontrável em livrarias, não em bancas. Enfim, uma novidade positiva. 
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Desinformação e intolerância

As redes sociais são a pornografia da opinião?
Não está na hora de discutir mais a fundo as redes sociais? Se elas são o núcleo da vida pública atual, se todo o jornalismo converge para elas, se toda a informação produzida por atores sociais de qualquer tipo é divulgada por elas, se a política depende delas, não é urgente debater o papel que elas cumprem?
Gabriel Priolli, no blog Nocaute
Não está na hora de discutir mais a fundo as redes sociais?
Se elas são o núcleo da vida pública atual, se todo o jornalismo converge para elas, se toda a informação produzida por atores sociais de qualquer tipo é divulgada por elas, se a política depende delas, não é urgente debater o papel que elas cumprem?
Seu papel na cultura? Seu impacto na democracia?
Ainda predomina uma visão apologética das redes sociais. Uma ideia de que elas são libertárias, empoderam os indivíduos, demolem hierarquias e privilégios na comunicação social.
Mas elas não são também responsáveis, em alguma medida, pela cacofonia ensurdecedora de opiniões em que vivemos, pela mediocrização do debate público, pela explosão da pós-verdade, do preconceito e do ódio político?
Onze anos atrás, numa reportagem muito profunda que publicou no jornal Financial Times e que foi reproduzida aqui no Brasil, o pesquisador de mídia Trevor Butterworth apontou um novo fato social: a “pornografia da opinião”.
Ele comentava o fenômeno dos blogs, que já eram quinze mil em 2002, nos Estados Unidos, e que em 2005 se reproduziam à razão de 56 por minuto. Já então a chamada “blogosfera” ameaçava o jornalismo tradicional.
O pesquisador se perguntava: seria o “blogging”, de fato, uma revolução da informação? Não deveria ser encarado com um pouco de ceticismo?
Daquele tempo para cá, os blogs viraram café pequeno. Tivemos a explosão do Orkut, depois do Twitter, do Facebook, do WhatsApp.
Apenas o Facebook tem mais de 100 milhões de usuários no Brasil. O WhatsApp tem 120 milhões. Isso é mais de 83% do eleitorado do país, que reúne 144 milhões de pessoas aptas a votar.
Toda essa gente troca informações e impressões o tempo todo, numa escala sem precedentes.
Compartilha informações reais ou fake news, forma e deforma opinião política, combate ou reforça preconceitos – e tudo na velocidade da luz, sem o menor tempo de reflexão e maturação dos conteúdos.
Dissemina-se uma cultura epidérmica e uma política de consensos e dissensos imediatos, estimuladas por uma sensação artificial de urgência. É tudo sempre apressado, nada jamais aprofundado.
A julgar pelo Brasil e o mundo que essa nova esfera pública está produzindo, é impossível não se preocupar.
Professores de comunicação recentemente reunidos no seminário Compós 2017 elencaram questões cruciais, em torno da sociabilidade nas redes sociais e do momento distópico que vivemos.
Como sair desse “eterno presente” da timeline? Como pensar a longo prazo? Como dialogar? Como vencer a “ditadura” da velocidade? É possível construir uma democracia e uma governança em tempo real?
Estas são as questões realmente relevantes para a comunicação nesses tempos.
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Fiasco

Acossado por denúncias, presidente buscou agenda positiva, mas encontrou protesto, cometeu gafe e viu governo estrangeiro cortar financiamento ao Brasil. Leia mais http://encurtador.com.br/cmsvR

Precarização

A permissão de que empresas contratem trabalhadores com contratos intermitentes, sem jornada definida, precariza de forma profunda a situação dos trabalhadores e, em vez de facilitar a geração de empregos, irá apenas tornar legal o que hoje é proibido. Leia mais http://encurtador.com.br/sxB14

O prazer da fotografia

Amanhece no Recife, detalhe (Foto: LS)

24 junho 2017

No fundo do poço

Datafolha: 81% defende o impeachment de Temer e 83% quer Diretas Já 

A nova pesquisa do Datafolha confirma o que outras sondagens já haviam indicado: a grande maioria da população brasileira rejeita o ilegítimo Michel Temer como presidente da república, quer sua saída e que em seu lugar assuma alguém eleito pelo voto popular. O levantamento feito entre quarta-feira(21) e sexta-feira(23) revela que Temer é avaliado como ruim e péssimo por 69% dos entrevistados, enquanto 23% o consideram regular e apenas 7% o avaliam como ótimo ou bom. Há dois meses a avaliação positiva de Temer era de 61%.

A pesquisa concluiu também que 65% da população prefere a saída de Temer para que seja superada a crise política e que ocorra uma recuperação da economia. Por outro lado, apenas 30% defendem sua permanência na presidência. Entre os que defendem sua saída, 76% defendem que ela ocorra através da renúncia, enquanto 81% querem que Temer sofra um processo de impeachment. A pesquisa indica que 20% são contra a renúncia e 15% contra o impeachment.
 

Voto popular - O maior índice, entretanto, é entre os que desejam que Temer seja substituído por um presidente eleito pelo voto direto. Independente da forma que ele deixe o cargo, 83% da população defende a convocação de eleições diretas. O percentual também confirma a tendência de pesquisas feitas por outras institutos e do próprio Datafolha, que em abril indicou que 85% (uma variação dentro da margem de erro) já defendia a soberania do voto popular para substituir o presidente golpista. Por outro lado, apenas 12% prefere uma eleição indireta.

Do Portal Vermelho, com informações de agências

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Ciência brasileira

Há mais de 10 anos, o Laboratório de Bioquímica de Vírus do Instituto de Bioquímica Médica (IBqM) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e o Laboratório de Bioquímica Física de Fármacos do Instituto de Medicina Molecular (iMM), em Lisboa, colaboram em estudos sobre a interação de proteínas virais e as membranas celulares. Resultados desses estudos deram origem a um projeto internacional – chamado Inpact – com o objetivo de desenvolver fármacos inéditos para combater aquela que é conhecida como a doença do século 21 – o câncer –, além de várias doenças infeciosas causadas por bactérias.

Entre os resultados dessa colaboração que serviram de base para a proposta do projeto Inpact – que reúne instituições de cinco países – está a descoberta de que uma proteína presente na camada que envolve o vírus da dengue é capaz de transportar ácidos nucleicos (moléculas que compõem o DNA e o RNA) para o interior das células, sem que estas percam sua funcionalidade. Essa capacidade deve-se a certas características também desvendadas pelo mesmo grupo, como o fato de essas proteínas conseguirem atravessar as membranas celulares dos mamíferos. Leia mais http://twixar.me/Smq

Poesia & pássaros

Nesta manhã de sábado, canários-da-terra e beija-flores disputam água com mel na minha varanda, enquanto me alimento da poética de Fernando Pessoa:
"Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo."
A vida verdadeira se faz assim: a soma de fragmentos de sonhos, luta, luz e paz.

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Minúsculo

Temer retorna da Rússia e Noruega menor ainda do que foi - anêmico em credibilidade e compostura.

Soberania

‪Críticas da primeira-ministra norueguesa são até procedentes, mas é inaceitável a ingerência estrangeira sobre assuntos internos do Brasil.‬ Temer não reagiu porque não tem espinha dorsal.

23 junho 2017

Poesia no rádio

O projeto nasceu para a Rádio Frei Caneca, emissora pública, que em fase experimental toca música. Eu pensava, e penso ainda, que a poesia pode entrar no rádio como se fosse música nos intervalos das canções. Talvez com um anúncio: “a rádio que toca poesia”. É possível, desde que o poema seja bem lido e organizado em um ambiente receptivo. Afinal, todo ouvinte é uma pessoa, e toda pessoa é capaz e carente de poesia. Leia mais http://encurtador.com.br/uFY23

Saída possível?

Na crise, placas tectônicas se movem
Luciano Siqueira, no portal Vermelho e no Blog do Renato


Há uma enorme distância entre as necessidades essenciais do povo brasileiro (e os desafios da nação) e as instituições que compõem a República. 

Distância e desencontro. 

Os chamados Três Poderes literalmente experimentam um processo de contínuo esgarçamento, envoltos em conflitos intestinos e colidentes entre si.

Crise econômica se resolve pela política. Crise complexa, multifacetada - econômico-financeira, social e político-institucional - como a nossa, mais ainda.

Não há saída à margem da política.

O Estado brasileiro é configurado de tal forma que o terreno próprio da política, em âmbito institucional, reside no Parlamento e no Executivo.

Em tese, não cabe às instituições judiciárias, nem ao Ministério Público, nem à Policia Federal, ocuparem esse espaço.

Hoje ocupam - e têm a iniciativa, em conjugação com o "partido" em que se converteu o complexo midiático monopolizado. 

Vê-se no noticiário de hoje, como no de ontem e no de anteontem, e se verá nos dias que virão: ministros do STF debatem publicamente a natureza política dos processos que devem julgar, convertem sessões da alta corte em espetáculos midiáticos; o procurador geral da República comanda um destacamento próprio em guerra; gente da espécie do juiz Moro e do minúsculo procurador Dellagnol fazem proselitismo (recebendo generosos cachês) para plateias diversas - todos confluindo para uma espécie de substituição dos partidos, das casas legislativas e do próprio Executivo, que tratam de desmoralizar perante a opinião pública, para muito além dos limites de investigações, denúncias e processos procedentes. 

Como pano de fundo, na base da sociedade, ampliam-se e se agravam os efeitos danosos da crise sobre a maioria da população.

O Brasil exibe uma gama de impasses em todas as esferas.

Nesse cenário, atores políticos bem intencionados e responsáveis (longe dos holofotes da mídia, corretamente) buscam a construção de um pacto que nos conduza à solução desses impasses.

Às forças populares e democráticos cabe abertura, sem preconceitos, até a soluções "heterodoxas" — desde que tenham como pedra de toque (mesmo via pleito indireto) a interrupção das reformas trabalhista e previdenciária, elementos mais visíveis da agenda regressiva neoliberal.

A antecipação do pleito presidencial, e mais ainda, se possível, a realização de eleições gerais arejaria o ambiente da melhor forma, recorrendo à soberania popular através do voto. 

Por enquanto, tudo ainda é imprevisível. 

Há que como um movimento de placas tectônicas, subterrâneas, do qual poderá emergir a solução política para a crise ou o prolongamento da agonia. 

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Na lama

Registros desse tipo são desagradáveis – sobretudo porque se inserem no ambiente geral de denuncismo estimulado poelas delações premiadas. Este dá conta de que o grupo palaciano parece mesmo atolado na lama: “Previsão foi feita em depoimento à Polícia Federal na semana passada; Lúcio Funaro, que está preso e é acusado de ser operador de propinas de Eduardo Cunha, negocia delação premiada com os investigadores da Lava Jato e promete entregar inclusive Michel Temer; em dois depoimentos à PF, Funaro contou e entregou provas de que teria sido pressionado por Geddel Vieira Lima, um dos principais aliados de Temer, para não delatar; segundo ele, Geddel recebeu R$ 20 milhões em propina para ajudar na liberação de crédito para empresas da holding J&F; ele diz ainda ter pago comissão para Moreira Franco, atual ministro da Secretaria-Geral da Presidência e outro braço direito de Temer, relacionados à recursos do FI-FGTS”, noticia o Brasil 247. Leia mais http://encurtador.com.br/pyzBF

22 junho 2017

Regressão

Constrange a qualquer observador atento ver que senados e deputados da base governista condicionam seu voto a favor das reformas trabalhista e previdenciária a dois fatores: a ocupação de cargos na estrutura do governo; a garantia de se manter em ambos os textos itens dos mais frontalmente regressivos de direitos. 

21 junho 2017

Terreno árido

A reforma trabalhista seguirá tramitando no Senado (agora na Comissão de Constituição e Justiça), em ambiente de mal estar. Na Câmara, a reforma previdenciária está empacada.

Concomitantemente, as dissidências da base parlamentar governista tendem a aumentar.

Péssimo para Temer, Meirelles & cia, que se respaldam no Mercado justamente com a promessa de que as reformas antipopulares serão aprovadas a ferro e fogo. 


Inferno

As pressões dos próprios tucanos para que Aécio renuncie à presidência do PSDB revelam o tamanho da encrenca em que está metido o senador mineiro. 

Crise sem fim

Revista "Piauí"
O rei está nu e mal acompanhado
Luciano Siqueira, no Blog de Jamildo/portal ne10

Numa crise que se arrasta sem sinal de superação, todo fato novo é importante, ainda que não decisivo. A rejeição do relatório apresentado pelo senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES) na Comissão de Assuntos Sociais do Senado, ontem, dá fôlego à luta contra a reforma trabalhista.

Mais do que isso, sinaliza o avanço das rachaduras na base parlamentar governista, subproduto do crescente desgaste do presidente ilegítimo Michel Temer, alvo de ataques da Polícia Federal e da Procuradoria Geral da República.

Enquanto isso, Temer viaja à Rússia e à Noruega – reconhecem ministros da sua intimidade – para passar a impressão de que há normalidade no País.

Arguido sobre a derrota de ontem, transferiu suas expectativas para a votação em plenário.
Perguntado sobre o relatório da Polícia Federal que o acusa de corrupção com base em evidências factuais, respondeu (pateticamente) que o assunto é da esfera judiciária e não política.

Em breve palestra a empresários e autoridades russas, Temer afirmou sem a menor desfaçatez que “quando a economia dava sinais de crescimento, surgiram fatos absolutamente ‘irrelevantes’ para perturbar a superação da crise”, referindo-se ao escândalo da J&F.

Ou seja, o rei não apenas está nu – e faz de contas que se veste a rigor -, como anda muito mal acompanhado: há os que o apoiam e prenunciam a retirada e os que já desembarcam das hostes governistas desde já.

Seu “núcleo duro” de governo segue tão enlameado quanto o próprio presidente, preservado apenas o ministro Meirelles, que a grande mídia e o Mercado blindam por ser justamente ele o operador do projeto de regressão de conquistas sociais e direitos e de submissão completa e definitiva de nossa economia a establishment financeiro externo e interno.

Quando o governador de São Paulo Geraldo Alckmin reafirma que o apoio do PSDB ao governo está como que “sub judice”, condicionado à natureza e a à repercussão de novas revelações comprometedoras contra o presidente, dá a medida da fragilidade atual da coalizão governista.

E a crise aprofunda suas implicações sociais, num misto de piora crescente das condições de existência da maioria da população e de falta de perspectiva.

Tendo em mira as eleições gerais do ano vindouro – se de fato acontecerem -, há espaço para uma alternativa renovadora da política e das expectativas, desde que se conjuguem forças em torno de uma plataforma comum consistente e capaz de empolgar a maioria do eleitorado.

Nada está fácil e prevalece a imprevisibilidade.

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Um olhar original sobre o Sertão

Noventa anos de Ariano Suassuna

Ariano Suassuna inaugura uma nova maneira de olhar o sertão. Não falo do sertão a que se referiam os ingleses – backlands, terras de trás –, conceito que abarcava tudo o que não é litoral, incluindo até mesmo os interiores de São Paulo. Refiro-me ao sertão do nordeste brasileiro, já visitado pelo romantismo de José de Alencar no “O Sertanejo” e por Euclides da Cunha na sua epopeia de Canudos. 
Por Ronaldo Correia de Brito*, no Vermelho

Há uma sucessão de recriadores desse lugar ou não lugar. Com o Romance de 30 e o Movimento Regionalista, surge a visão moderna e social de Graciliano Ramos, José Lins do Rego e Raquel de Queiroz. No “Grande Sertão: Veredas”, de Guimarães Rosa, sobrepondo-se à épica e ao social, o mundo sertanejo é representado através da poesia e da metafísica. 

No “O Romance da Pedra do Reino”, Ariano Suassuna retoma a tradição mítica e a épica sertaneja, através dos romances ibéricos de tradição oral, da literatura de cordel, do teatro, dos contos e brincadeiras populares, e de sua história familiar, tão rica de acontecimentos trágicos e burlescos. “O Romance da Pedra do Reino” tornou-se um novo marco inaugural, um sertão com matriz nas cidades de Taperoá, Princesa e São José do Egito, e nos estados da Paraíba, de Pernambuco, do Rio Grande do Norte e de Alagoas.
 

Ariano Suassuna nunca negou seu nacionalismo. Os escritores russos Tolstoi, Dostoievski e Gogol foram importantes na sua formação por serem nacionalistas. Compositores russos, romenos, húngaros e tchecos serviram de modelo e inspiração aos conceitos do Movimento Armorial, pois criavam a partir de matrizes populares. O xilogravador Gilvan Samico, um dos primeiros membros do Armorial nas artes plásticas, elabora suas gravuras inspirado nas histórias dos folhetos de cordel. Da mesma forma, o compositor Antonio Madureira compõe sua música Armorial ouvindo os violeiros, aboiadores, rabequeiros e brincantes.
 

No nordeste do Brasil, a arte popular é um bem comum a todas as pessoas, não há um abismo entre ela e a tradição erudita. Câmara Cascudo e Mário de Andrade referiam que ainda não tínhamos resolvido a questão da nossa oralidade. Ariano, um artista de formação culta, trabalha com os recursos da tradição oral e uma grande bagagem erudita, principalmente ibérica e latina clássica. Dialoga com Molière e Goldoni, para construir o teatro e o romance que o notabilizaram, e para elaborar um discurso político em defesa da cultura brasileira, a maior razão de sua existência.

*Ronaldo Correia de Brito é escritor e dramaturgo brasileiro
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Encurralado

Inquérito da PF e novas revelações apertam o cerco contra Temer. Investigadores apontam corrupção no caso da JBS. Cheques a Henrique Alves e esquema envolvendo coronel complicam situação do presidente ilegítimo. Leia mais http://zip.net/brtK2L

Soberania ameaçada

Não é só no terreno das medidas internas (como Previdência Social, relações trabalhistas e investimentos sociais) que a desmontagem do que resta de um projeto de desenvolvimento autônomo e inclusivo do Brasil está sendo levada a cabo por um governo que carece da legitimidade que só o voto do povo pode conferir. Fatos recentemente noticiados, sem muita análise, têm o potencial de afetar de maneira significativa a visão que até hoje prevaleceu sobre a inserção do Brasil no contexto global e regional. Comecemos pelo mais simples. Segundo relatos, sempre esparsos e desprovidos de detalhes, estariam programados (ou já em curso) exercícios militares envolvendo alguns de nossos vizinhos, além de Panamá e Estados Unidos. Leia mais http://zip.net/bftK3w

Falácia

Reforma trabalhista desmente crise no sistema previdenciário;  é uma miríade de incentivos à “sonegação” de contribuições sociais por diversos motivos. Leia aqui http://twixar.me/gKq

20 junho 2017

Crise agônica

Crônica do impasse persistente
Luciano Siqueira, no Blog da Folha

Tudo normal – é a impressão que Temer quer passar ao viajar ao exterior agora, enquanto o deputado Rodrigo Maia faz de contas que governa e o Congresso da sequência à agenda regressiva e assim por diante.

Entrementes, vêm à tona novas escaramuças entre membros do STF (internamente dividido) e o procurador-geral da República.

O PSDB, mentor do programa de governo de Temer e principal pilar das reformas antipopulares, pela voz de dois dos seus próceres mais destacados - o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin -, sinalizam o desembargue próximo do governo, dando gás a uma parcela de parlamentares tucanos que cobra da cúpula a ruptura já é a renovação do discurso da agremiação. 

No campo oposicionista, o volume da pressão organizada ainda se faz algo defasado em relação à generalizada insatisfação que envolve cerca de noventa por cento da população, segundo as mais recentes pesquisas de opinião.

São componentes do impasse que perdura. E tudo leva a crer que o desenlace não se dará agora e que Temer e seu grupo palaciano, crescentemente desmoralizados, poderão ocupar o Planalto até o fim do ano vindouro, numa espécie de agonia calculada que a ninguém serve e esgarça mais ainda o tecido social e as instituições enroladas em crise.

A ninguém serve, vírgula. Não é à toa que o próprio Temer destaca a "fidelidade" do ministro Meirelles e a mídia monopolista o enaltece: é ele quem toma a iniciativa, como lídimo representante e principal operador do Mercado no governo. 

Em suma, vivemos em plenitude as consequências do golpe parlamentar-judiciário-policial-midiático que derrubou a presidenta Dilma, democraticamente eleita, com a justificativa principal de que seria necessário dar um jeito na economia e retomar o crescimento do País.

A vida demonstra a dimensão dramática dessa falácia. E a nação aguarda que de atores envoltos em multifacetadas dificuldades, surja - por dentro de instituições agastadas - uma solução política viável.

A realização de eleições antecipadas, ao devolver ao povo a iniciativa através do voto, poderia oxigenar o ambiente e, via debate aberto entre diferentes alternativas, produzir algo plausível que viesse a superar ar a gravidade da crise. 

Porém enquanto não se aprofundarem as fissuras na chamada base parlamentar governista, a maioria dos senadores e deputados federais persistirá tentando a todo custo impor as reformas trabalhista e previdenciária, principais sinais de sua compromisso com o Mercado, onde se instala o verdadeiro comando das operações da guerra regressiva de conquistas e de direitos e fragilização da soberania nacional.
Ao movimento oposicionista cabe intensificar a resistência por todos os meios possíveis e ampliar o arco de forças envolvidos na peleja. 
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O remador e o rio

Dei a volta ao mundo num barco a remo
Pedro Caldas Ramos

Quem acorda para Remar nunca sabe se vai remar. Quem vai remar nunca sabe por qual caminho vai até pôr o barco na água, posicionar os remos e fechar as forquetas. Quarta-feira quando fomos para a água, umas cinco e dez da manhã, só remamos e fomos seguindo automaticamente até perto do Sport, foi quando houve a pergunta: e aí, bora? Bora!
Ir significava dar a “VOLTA AO MUNDO”, ou seja, dar uma volta na Ilha de Antônio Vaz.
(Dar a VOLTA AO MUNDO é sair do náutico passar pela Boa Vista e Coelhos, dobrar no braço sul do Capibaribe, sair no Parque dos Manguezais, passar pelo Riomar/Pina e entrar no recife antigo, ou seja, remar por mais de dez quilômetros (para quem sai da Rua da Aurora, como nós) passando por Santo Amaro, Boa Vista, Coelhos, Joana Bezerra, Cabanga, Afogados, Imbiribeira, Ilha de Deus, Pina, São José, Recife Antigo, Santo Antônio e Santo Amaro novamente. Uma loucura.)
Mas e aí, bora? Bora! Fomos para o desconhecido e foi uma experiência louca, vivi um misto de medo, cansaço e êxtase por uma hora enquanto navegava pelas costas do Recife.
O primeiro Trecho, já muito conhecido por nós tem uns 3,5 km e vai do náutico até o perto do Hospital Português, foi tranquilo e basicamente o aquecimento. Não sabíamos que iríamos fazer o que fizemos e por isso foi sem expectativas.
Isso durou até entrarmos no Braço Sul do Capibaribe.
Remando esquerda entramos no segundo trecho, no desconhecido. O Braço Sul do Capibaribe é estreito, relativamente curto e são as costas de Joana Bezerra e Afogados, uma parte cheia de miséria, viveiros (que aparecem entre os casebres) e pontes. Fomos surpreendidos pela passagem de um metrô que quebrou a trilha sonora de remos, aves e da respiração ritmada. O fim desse trecho é marcado por uma ponte bem baixa que nos impede de ver o que vem a seguir.
Passada a Ponte surge um mundo d’água cheio de canais, mangue, casas e barcos de pesca atracados, o vento frio da manhã nublada bate forte e é sentido por todo o corpo. Esse foi um momento de êxtase profundo, a paisagem é bonita e desconhecida (pelo menos desse ponto de vista) e nunca me imaginei ali num barco de dois palmos de largura.
Paramos na frente do Riomar, a água meio calma pouco nos movia e deu para se hidratar tranquilamente. Eu e Heleno conversávamos sobre a cidade e sobre a remada até que bateu uma rajada de vento frio, sinal de que a chuva se aproximava, era melhor não ficar ali.
Voltar a remar foi necessário, a maré não nos ajudava e estávamos regredindo. A dor nas pernas apareceu e sumiu assim como um barco de pesca que apareceu, seguimos.
Enquanto remava não percebi a aproximação das gigantes pontes do Pina e confesso que me assustei, nessa parte da jornada todas as proporções são gigantescas e nós minúsculos.
O tempo foi fechando e o vento ficando mais frio, sinal de que a chuva ia chegar. Aumentamos o ritmo na tentativa de não tomarmos banho, o que de nada adiantou, já que no meio do Cais José Estelita a chuva fina começou a cair. A nossa sorte é que a chuva era fraca e o vento inexistente, ou seja, poderíamos ter sofrido muito mais. Cerca dez minutos depois a chuva cessou, o corpo estava molhado de suor e de chuva e seguimos remando.
O fim do Cais José Estelita é também o fim da calmaria, as ondas vão aumentando de tamanho o que começa a dificultar a remada completa. Remamos normalmente até uma onda cobrir o barco, a água já não era de Rio e remar normalmente poderia nos fazer virar, aí eu pensei: e se virarmos? Estaríamos muito fodidos, no mínimo boiaríamos por uma meia hora até que outro barco passasse e nos desvirasse. Em voz alta perguntei: e se virarmos? Escutei como resposta: nem pensa nisso... Era melhor não pensar mesmo. Por causa dessas ondas passamos a remar Meio-Carro (uma remada mais curta e mais segura, porém mais lenta). Remamos até as Torres Gêmeas onde nem Meio-Carro dava para remar, as enormes ondas não só nos desequilibravam como nos jogavam para o paredão da margem, decidimos remar só Braço, ou seja, mais lento ainda só que de forma totalmente equilibrada. Chegar à Ponte Giratória foi um alívio, a água estava mais calma e o caminho era conhecido, além de ser a reta final.
O ultimo trecho, passando pelo Recife Antigo e pelo Cais de Santa Rita, foi tranquilo, não havia ondas e deu para ver a cidade acordando e o sol saindo , eram umas seis e meia e já dava para escutar os ônibus e as muitas pessoas que saiam e chegavam, algumas nos olhavam, outras, mais apressadas, só passavam.
Chegamos à Rampa do Náutico de seis e quarenta mais ou menos, minhas pernas totalmente destruídas precisaram de um tempinho de descanso para eu poder sair do barco, a vontade que tinha era de dormir ali mesmo.
Quando sair do Double estava cansado, mas ainda precisava tirar o barco da água, lavar e guardar. Sabe o que me motivou nesse momento? Saber que tinha um cuscuz com ovo e um chá-mate me esperando no Refeitório, ou seja, o ponto alto do treino de um remador.
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Caixa baixo

Segundo dados divulgados nesta terça-feira (20) pela Receita Federal, a arrecadação do governo em maio foi a pior para o mês desde 2010. O resultado teve influência da diminuição das receitas pagas pela indústria, chegando a R$ 97,6 bilhões, uma redução real de 0,96% na comparação com o mesmo mês do ano passado, já descontada a inflação no período. Leia mais http://twixar.me/GKq

Bóia fria

"É o cenário do trabalhador bóia-fria". Esse é o comentário do diretor-técnico do Departamento Intersindical de Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), Clemente Ganz Lúcio, sobre a afirmação de que a reforma trabalhista vai gerar empregos. Estudo feito pelo Santander e publicado nesta terça-feira (20) pelo jornal O Globo afirma com estardalhaço que em caso de aprovação a reforma criará em menos de um ano 2,3 milhões de empregos. Leia mais http://twixar.me/mKq

Poesia sempre

QUIMERA
Waldir Pedrosa Amorim

Um dia 
hei de sonhar um sonho
infindo
e desacostumado de ter tempo
e de ter pressa.

Um dia
sonharei um sonho louco,
sem metáforas,
curtido...
desacostumado
de ter senso
de ter nexo...
limpo ou sujo
radiografia de mim.
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Bosco & Chico

Para os 73 anos de Chico Buarque
Bosco Rolemberg, no Facebook

Compartilhei cela e sofrimento com Chico Buarque, mesmo à distância, sem ele saber.

Graças a sua música, enfrentei a solidão, recompus os cacos e mantive acessa a chama da esperança.

A notícia falsa de sua visita aos presos políticos de Itamaracá deixou em alvoroço o coração das esposas e seus maridos encarcerados.

Um dia, bastava um dia.....como nas visitas de nossas esposas, mães e filhos, para aplacar nossa agonia.

Suas canções tocavam o coração de todos nós.

No meu violão, com suas letras, transmitimos inquietudes e angústias do nosso tempo.

Obrigado Chico Buarque por sua generosidade e solidariedade, ainda hoje, inesgotáveis.

Por um país democrático e justo.

Por muitos e muitos anos você será cantado no mundo inteiro.

Grande abraço, 

Bosco Rolemberg
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Pantomima

Temer encena deplorável pantomima em sua agenda na Rússia: um morto-vivo fazendo de contas de que é estadista. Ridículo.

19 junho 2017

Compromissos

Geraldo Alckmin também muda o discurso e agora diz que sempre discordou da participação do PSDB no governo Temer. O essencial - afirma - são as reformas trabalhista e previdenciária. Ou seja: se divorcia de Temer e consolida o casamento com o Mercado. Neoliberal até a medula.

Tentáculos norte-americanos

JBS e a globalização da Justiça americana

Joaquim Falcão, na Folha de S. Paulo

 

Para entender a delação premiada da JBS é necessário compreender o que se passou ou ainda se passa entre a companhia e as autoridades dos Estados Unidos.
Sendo a JBS um grupo global, com cerca de 56 empresas nos Estados Unidos, dificilmente haveria delação premiada aqui sem prévio ou potencial acordo lá, com as autoridades americanas.
O cenário maior a ser considerado é que a globalização econômica tem sido acompanhada por uma globalização judicial. Ou seja, há expansão unilateral das leis e da judicialização americana. Juízes e autoridades passam a ser globais.
Quem confere a eles esse poder é a cooperação internacional entre autoridades e a múltipla legislação: Anti-Corruption Act, Anti-Terrorism Act e tantas outras.
Através desta judicialização, autoridades americanas interferiram na Suíça, via Fifa. Na Argentina, via fundos abutres. No Brasil, via Embraer, que pagou, lá, mais de US$ 200 milhões por corrupção praticada na República Dominicana, em Moçambique e na Arábia Saudita.
Braskem e Odebrecht também concordaram em pagar multas ao governo americano. A Petrobras, seus conselheiros e diretores, deverão fazê-lo no momento adequado.
Para que tal jurisdição ocorra, basta que se tenha conta bancária nos Estados Unidos. A JBS tem. Basta que se tenha empresas nos Estados Unidos. A JBS tem. Basta que se tenha estado presente no mercado de valores mobiliários. A JBS tem estado. Ou apenas ter transacionado em dólar em qualquer país no mundo. A JBS fez isso.
Não é por menos, inclusive, que os irmãos Batista, donos da JBS, escolheram um escritório de advocacia, Baker e Mckenzie, de lá. E, de lá, gerem a negociação aqui no Brasil.
Não é razoável esperar que se desconheça, lá, a corrupção sistêmica daqui, que até as tribos da Amazônia conhecem, como bem ressaltou o ministro do TSE Herman Benjamin. E que se desconheça o amplo envolvimento da JBS.
O ponto crucial é o desejo, necessidade mesmo, de os irmãos Batista pretenderem morar nos Estados Unidos, com visto permanente de residentes. Logo depois da denúncia do procurador-geral da república, Rodrigo Janot, a família embarcou para lá. Antes, familiares, irmãos e sobrinhos, inclusive moradores de Goiânia, já tinham ido.
Deve ter havido, ou estar ainda em andamento, negociação com o governo americano para concretizar essa pretensão. Provavelmente pelas pessoas físicas, os sócios.
No sistema legal dos Estados Unidos, são múltiplas as maneiras de conseguir vistos ou algum tipo de benefício em situações dessa natureza.
A delação premiada precisa ser reconhecida por um juiz, mas pode se manter secreta se as partes concordarem. Dificilmente saberemos. Informações estratégicas.
O DPA, que pode ser traduzido como a Suspensão Condicional do Inquérito, permite multa, confissão, delação e provas contra terceiros. O investigado não é fichado como criminoso e obriga-se a delações futuras e a não reincidir no crime. Não há também publicidade.
Direta ou indiretamente, parece inevitável, o maior grupo empresarial do mundo em proteína animal, através de seus controladores ou de suas empresas, deve estar agora sob controle da expansionista jurisdição americana.
Seria esse o destino dos campeões nacionais? Ao se tornarem campeões globais, transmudam-se em campeões americanos?
Há muito ainda o que revelar. Aqui e lá.
JOAQUIM FALCÃO, mestre em direito pela Universidade Harvard (EUA) e doutor em educação pela Universidade de Genebra, é professor da Escola de Direito do Rio da Fundação Getulio Vargas
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A semana se inicia com escaramuças entre o Judiciário, o Ministério Público, e Executivo e o Legislativo. Como já acontece desde os antecedentes do golpe institucional que derrubou a presidenta Dilma.

Como pano de fundo, a crise que se aprofunda e é administrada com rédeas curtas pelo Mercado financeiro, via ministro Meirelles. Temer é apenas uma marionete - desgastado, encurralado e perdido. Quase figurativo.

O conflitos entre os Poderes da República dão a medida da incerteza que paira no horizonte. Uma ágil reformulação das regras eleitorais e a antecipação do pleito poderia ser uma saída - incluindo, para contar com a anuência e a participação das oposições, a suspensão da toda Itacoatiara das reformas trabalhista e previdenciária. 

A nação aceitaria isso. O Mercado, não. Aí está o nó que as forças ora dominantes no Congresso não parecem ter fôlego nem vontade de desatar. (LS)
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Fiel

Temer - registram os jornais - elogia sempre o ministro Meirelles por sua fidelidade. A fidelidade é ao Mercado, ora!

Para quem?

Temer cobra punição para criminosos. Deve pedir punição inclusive para si mesmo, ou não? 

Contra o povo

Reforma da Previdência e as desigualdades

Katia Maia e Oded Grajew, na Folha de S. Paulo

Dos vários desafios pelos quais passa o Brasil, a necessidade de promover uma reforma da Previdência está sobre a mesa. Mas reformar para quê? Para beneficiar quem? Quais objetivos e valores devem nortear esse processo?
O Brasil é um dos países com maior índice de desigualdade no mundo. Quase dois terços dos brasileiros têm renda mensal média inferior a dois salários mínimos e cerca de 45 milhões de pessoas recebem apenas um salário. Por outro lado, 5% da população se apropria de metade de toda a renda nacional. Apenas seis pessoas possuem riqueza equivalente à dos 50% mais pobres.
No nível local, o Mapa da Desigualdade da capital paulistana, elaborado pela Rede Nossa São Paulo, torna visível a situação.
O município é dividido em 96 distritos, com uma população média de 120 mil habitantes em cada um deles. A idade média no distrito de Pinheiros é de 79,67 anos, enquanto em Cidade Tiradentes é de 53,85. Uma diferença de 25 anos na mesma cidade! Mais de 4 milhões de pessoas que vivem em 36 distritos da cidade têm uma idade média menor de 65 anos ao morrer.
É claro que vários elementos contribuem para uma idade média baixa, como a violência urbana, a mortalidade infantil e o falho sistema de saúde. Desse modo, como podemos estabelecer uma idade mínima de 65 anos para aposentadoria se a maioria da população em situação de pobreza não terá a mínima chance de chegar até lá?
Pessoas pobres, por razões óbvias, começam a trabalhar mais cedo. Nesse novo sistema, teriam que contribuir por mais tempo que as pessoas mais ricas. Muitas não conseguirão se aposentar. Ainda que o país esteja passando por uma recessão severa, as soluções não podem estar centradas em medidas que recaiam sobre os que mais sofrem com as desigualdades do nosso país. 
Vivemos uma das maiores crises políticas da nossa história recente. Nesse contexto, a proposta de uma reforma da Previdência, ainda que seja um tema importante a ser enfrentado, é inoportuna tanto pela ausência de participação adequada da sociedade quanto pela falta de legitimidade da política brasileira.
A proposta do governo permanece excessivamente pesada para os trabalhadores de baixa renda e desconsidera a desigualdade na própria contribuição previdenciária. Segundo Marcelo Medeiros, do Ipea, o 1% mais rico dos aposentados fica com a mesma fatia dos gastos da seguridade social que os 50% mais pobres -situação que se agravará se a mudança for aprovada.
Hoje não há mais ambiente político apropriado para tal debate. Segundo o Datafolha, 71% dos brasileiros são contra a reforma. Tamanha resistência deveria servir de freio ao governo e ao Congresso.
Foram conquistados, desde a Constituição de 1988, direitos e políticas que possibilitam o combate à pobreza e às desigualdades. Neste momento, é fundamental que essa quase esquecida agenda seja priorizada, norteando as políticas de retomada da economia.
KATIA MAIA, socióloga, é diretora-executiva da Oxfam Brasil; ODED GRAJEW é presidente do Conselho Deliberativo da Oxfam Brasil e presidente emérito do Instituto Ethos. É idealizador do Fórum Social Mundial
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Waldir Pedrosa Amorim, presente!

Uma dor imensa! Recebi agora a notícia do falecimento do querido amigo e companheiro de luta, médico e poeta Waldir Pedrosa Amorim – que se foi ontem levado pelas dores do mundo.

Versos do poeta que permanecerá para sempre em nossa memória:

“Não eram manchas,
Nem tatuagens eram.
Eram mapas de dor
Gravados n’alma”.

Waldir, presente!

18 junho 2017

Humor de resistência

Laerte vê a vulnerabilidade de Aécio Neves, protegido pela aliança PSDB-PMDB.

O prazer da fotografia

Cena urbana: Vista aérea do Recife, contrastes (Foto: LS) #cenaurbana #fotografia #recife

17 junho 2017

Deu cupim na pinguela

Em meio a divergências e indecisões nas hostes tucanas, a recém-assumida posição de Fernando Henrique Cardoso em favor da antecipação das eleições gerais é fato novo relevante. Tudo a ver com nova sequência de denúncias contra Temer e seu grupo palaciano e com o crescente repúdio da maioria dos brasileiros ao governo ilegítimo.

Ao mesmo tempo, parlamentares chamados de cabeças pretas (em contraposição aos velhos quadros de cabeça grisalha) falam em renovar o discurso do PSDB - que expressa uma visão do Brasil com o olhar da Avenida Paulista e de nada atrai os trabalhadores e os segmentos médios da população.

O dilema tucano é parte inseparável do tsunami que atinge duramente o governo Temer. 

Entrementes, Temer e seu grupo se sentem ainda respaldados pelo Mercado e optam por seguir em frente numa exótica experiência de governo moribundo a se arrastar até o final do 2018. 

Ou seja: o projeto golpista se concentra em aprovar as reformas antipopulares a qualquer custo, enquanto pavimenta sua estrada em direção à lata de lixo da História. (LS)
#foratemer #diretasjá


15 junho 2017

Aliança PMDB-PSDB

Dependência mútua em areia movediça 
Luciano Siqueira
No Portal Vermelho, Blog do Renato e Blog de Jamildo/portal ne10

O PSDB decidiu permanecer no governo, mas nem tanto. Temer se apoia no PSDB, mas nem tanto... Como se dizia antigamente, tudo "meia sola".

A relação entre tucanos e peemedebistas se faz assim, sob a espada de Dâmocles de novas revelações de envolvimento de ambos com atos de corrupção. Nenhuma das partes se sente segura. Nem acredita em fidelidade.

Por que, então, celebram de público uma aliança tão movediça?

Porque não têm outra alternativa, ora.

Da parte dos tucanos, o argumento principal para a manutenção de tão conturbado casamento é o interesse de concretizar as reformas trabalhista e previdenciária, pontas de lança da agenda regressiva neoliberal encetada pelo governo Temer. Como disse recentemente o senador afastado Aécio Neves, “como sair de um governo cujo programa foi o PSDB que formulou?”

Contam com o poder de persuasão de Temer sobre parlamentares indecisos, via manipulação da liberação de emendas e outros favores.

Mas estamos quase às vésperas de um novo pleito, previsto para outubro do ano vindouro. Deputados e senadores (e também parlamentares temporariamente ministros) envolvidos com um governo cuja aceitação pela população é inferior a dez por cento certamente temem o revés nas urnas.

Temem, mas não o suficiente para mudarem de lado agora. Por duas razões muito concretas.
Uma, o compromisso das duas agremiações, sustentado pelo núcleo duro das direções partidárias e das suas lideranças no parlamento, com o chamado Mercado (ou seja, o setor rentista da elite dominante).

Afinal, por trás das cortinas é o Mercado que dita as regras a serem seguidas pelo complô parlamentar-policial-judiciário-midiático que patrocina e mantém a atual situação de absoluta falta de rumo e de instabilidade política e institucional.

Isto como consequência de inteligente e eficaz exploração dos erros cometidos no primeiro ano do governo deposto, causados em boa parte por concepções exclusivistas e sectárias da força hegemônica da coalizão que então dirigia o país.

Erros políticos, sobretudo, que abriram flancos para o desmonte do conjunto das políticas que vinham proporcionando transformações sociais de grande monta, sem precedentes na história de nossa frágil República.

O centro político, que em aliança com a esquerda, dava sustentação aos governos petistas, migrou para a direita e gerou a cena atual.

Acresce que, se a direção do processo situada no establishment financeiro tem norte claro e determinação suficiente para segurar as rédeas, a operação política se faz por uma gama de legendas partidárias internamente fracionadas e de lideranças chamuscadas por denúncias de corrupção.

É o pano de fundo da aparentemente esdrúxula aliança PMDB-PSDB, com os tucanos a condicionando ao noticiário diário. 

Em tempo: o mesmo PSDB que decidiu ficar no governo apela ao STF contra a decisão do TSE que absolveu o chefe desse governo, tentando ainda cassá-lo. 

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