21 outubro 2017

Vergonha

União Internacional de Física pede que Temer reconsidere cortes na ciência. Desnuda caráter antinacional do Governo.

Alienígenas

Moradores relatam suposto pouso de 'disco voador' em Peruíbe, no litoral de São Paulo. [E o povo torcendo para que marcianos levem Temer.]

Quem?

Procuradoria Geral da República afirma que Geddel é o líder da organização criminosa. [Então Temer passa de líder a liderado?] 

Oportunismo

Com medo do desgaste para eleição, deputados governistas estudam faltar em vez de votar com Temer. [O mesmo que calçar luvas para esconder as mãos sujas.]

Decadência

Alimentando a barbárie, EUA debatem armar professores nas escolas. [É a cultura de paz ao inverso].

20 outubro 2017

Semeadores do caos

Sociedade dos dissensos
Eduardo Bomfim, no Vermelho


No final do século XX o velho diário londrino The Times publicou o comentário de que “há um grupo de homens mais ricos, poderosos e influentes do Ocidente que sempre se reúnem para planejar eventos que, depois, simplesmente acontecem”.
Essas reuniões, reservadas, podem ter nomes distintos mas agrupam a elite financeira mundial, em alguns casos com a participação de personalidades de áreas das ciências, exatas ou humanas, além de magnatas da mídia global.
Esses eventos e alguns menos importantes, mais abertos, badalados através da grande mídia internacional, representam o grande poder do capital financeiro.
Eles não são eleitos por ninguém em canto algum do mundo, mas definem a agenda financeira, política e social do planeta, à exceção de um reduzido número de Países que adquiriram condições para ditar suas próprias estratégias geopolíticas e neutralizar, em parte, as ações da seleta elite global financeira.
Indivíduos, como o mega especulador George Soros com suas ONGs, a exemplo da Open Society, difundem com o auxílio da grande mídia global as narrativas econômicas, financeiras, geopolíticas e sociais que parecem surgir nas sociedades ocidentais como “fenômenos naturais, espontâneos”.
Mas nada existe nas sociedades ao acaso, como se fosse uma equivalência à falsa teoria de Lamarck sobre a geração espontânea de certos animais. Tudo é fruto de interesses de grupos, de contradições, antagônicas ou não, nos segmentos sociais ou entre nações.
A hegemonia do capital rentista passou a exercer o domínio das políticas globais, numa escala jamais vista, em quase todas as esferas, procurando ditar as agendas que melhor lhe proveem, utilizando-se sempre do velho jargão imperial “divide et impera”.
O País é alvo destacado, pelas dimensões continentais, riquezas naturais, econômicas e população, de tal estratégia, como nas “Primaveras Árabes”, via fragmentação, “tribalização” dos estratos sociais mais aptos à ação consciente, enquanto o Brasil real das grandes maiorias dos 210 milhões de indivíduos fica à margem dos destinos da nação. É a sociedade dos dissensos.
O único antídoto a essa agenda maligna é a defesa da nação, do seu patrimônio físico, da sua identidade cultural, através de uma ampla política de união nacional, pela soberania e o desenvolvimento do Brasil.

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Discriminação

Racismo é causa de 1 em cada 4 casos de intolerância em São Paulo.  Um retrato do Brasil - que precisa mudar. Com muita luta.

Lamaçal

“Verbas, cargos, emendas parlamentares e outros agrados”, assim sintetiza ‘O Globo’ a agenda de Temer para se livrar da denúncia da PGR. Aí de ti, República!

Relações perigosas

Policia Federal revela que Aécio ligou para Gilmar no dia em que o ministro tomou decisão favorável ao tucano. [Essa intimidade parece notícia velha. E é.]

Sujo

Estadão lamenta em editorial que tudo o que emana do governo Temer “é desde logo tratado como retrocesso, como cassação de direitos ou, simplesmente, como crime.” Mas é verdade, ora!

19 outubro 2017

Emprego

Foram criadas 34,4 mil vagas de empregos formais em setembro em todo o país. Menos mal - mas ainda é muito pouco.

Operação

Temer promove mais uma rodada de oferta de cargos ao ‘centrão’ antes da decisão sobre denúncia da PGR. E segue na lama.

Em defesa da democracia

As prerrogativas do Legislativo são garantia democrática
A Comissão Política Nacional do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) divulga nota nesta quarta-feira (18) ressaltando que as prerrogativas do Legislativo são garantia democrática. Segue abaixo a íntegra:

Há algum tempo percebe-se uma tendência do Supremo Tribunal Federal (STF) de intervir em prerrogativas do Congresso Nacional. O Senador Delcídio do Amaral foi preso sem que tenha havido “flagrante delito de crime inafiançável” e, mais recentemente, uma turma do STF deliberou pela suspensão de mandato do Senador Aécio Neves e por sua prisão cautelar durante as noites.

Sem entrar no mérito da conduta de ambos os senadores, que merecem o rigor da lei, aceitar as decisões do STF seria romper abruptamente com a norma constitucional segundo a qual “são poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário”.

No que diz respeito à posição da Primeira Turma do STF, relativa ao senador Aécio Neves, consideramos acertada a decisão do pleno do supremo que a reviu e considerou que a última palavra no assunto cabe à Casa legislativa a que pertença o parlamentar.

É inquietante a recorrente investida do STF contra a independência e autonomia do Poder Legislativo. Nenhum Poder pode intervir em outro e nenhum pode aceitar a condição de Poder sob intervenção. Todos os precedentes históricos que começaram assim, terminaram com o rechaço da democracia.  Os ditames constitucionais devem ser respeitados rigorosamente, sem “interpretações” que distorçam o espírito e a letra com que foram elaborados.

Ao defender com veemência a independência e autonomia do Poder Legislativo frente a essas estranhas incursões do STF, de forma alguma estamos querendo diminuir a gravidade dos fatos, absolutamente inaceitáveis, em que foi pilhado o Senador Aécio Neves, conforme gravações televisivas mostraram.

O senador Aécio Neves, ao se recusar a aceitar os resultados eleitorais de 2014, desencadeou o processo golpista que depôs Dilma Rousseff e foi um de seus líderes. Sobre sua cabeça pesa o agravamento da situação brasileira, o golpe ao Estado democrático de direito, o desmonte nacional e a derrocada dos direitos do povo brasileiro. Agora, esse senador é alvo de graves acusações de corrupção e obstrução de Justiça.

E aí é bom que se diga: o Senado tem prerrogativas que devem ser respeitadas pelos outros Poderes, mas ele próprio deve honrá-las, não permitindo que elas justifiquem a impunidade de um senador que cometeu atos repulsivos.

O PCdoB defende o Estado democrático de direito.

Repele com força a ofensiva retrógrada que pretende criminalizar a política, pretextando “limpar o país dos corruptos”. Vê nisso uma ameaça fascistizante.

Mas com igual força não concorda que um Poder seja conivente com a aberta corrupção de um de seus membros.

O povo, mais cedo ou mais tarde, cobrará a responsabilidade dos membros dos Poderes da República.

COMISSÃO POLÍTICA NACIONAL do PCdoB
São Paulo, 16 de outubro de 2017

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18 outubro 2017

Será?

Na volta ao Senado, Aécio diz não sentir 'ódio ou rancor'. [Será que sente culpa?]

Intimidade

Entrevista na Globo News, juiz Sérgio Moro considera o senador Aécio Neves “muito espirituoso”. Curioso, né?

Protesto oportuno

Clara Averbuck 
Após denuncia de estupro, hashtag #MeuMotoristaAssediador ganha as redes
 Victória Damasceno, CartaCapital
Escritora Clara Averbuck relatou nas suas redes sociais um estupro que sofreu durante uma viagem do aplicativo Uber

Por meio de uma denúncia pública de assédio sexual em uma viagem da empresa Uber, a hashtag #MeuMotoristaAssediador chegou às redes.
A escritora e militante feminista Clara Averbuck foi vítima de um estupro na noite de domingo 27, em São Paulo, quando voltava para casa por meio do aplicativo que conecta motoristas com passageiros.
“Virei estatística”, escreveu. “O nojento do motorista do uber aproveitou meu estado, minha saia, minha calcinha pequena e enfiou um dedo imundo em mim, ainda pagando de que estava ajudando ‘a bêbada’”.
Averbuck conta que ainda não decidiu se fará a denúncia formal por não querer se submeter a violência que é ir na Delegacia da Mulher. “Não quero impunidade de criminoso sexual mas também não quero me submeter à violência de estado. Justamente por ter levado tantas mulheres na delegacia é que eu sei o que me espera. Estou ponderando”.
A partir do relato a escritora lançou a hashtag #MeuMotoristaAssediador, que visa tornar público casos de assédios ocorridos em aplicativos semelhantes.
A reportagem entrou em contato com a central de atendimento da empresa e foi informada que o único canal para denúncias é por meio do site, e que não existe nenhum número de contato que preste socorro à usuária vítima de assédio. Segundo a empresa, o motorista foi banido e ela está prestando apoio à vítima.

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Agonia

Michel Temer deve vencer na Comissão de Constituição e Justiça, porém continuará execrado por mais de 90% dos brasileiros.

17 outubro 2017

Convergência necessária

Muitos caminhos podem dar na frente ampla
Luciano Siqueira, no Vermelho e no Blog do Renato

Tempo tenebroso o que vivemos. Forças poderosas sustentam o governo frágil e desmoralizado, em favor de um programa de desmonte do Estado nacional e regressivo de conquistas e direitos.

É o novo pacto neoliberal imposto à nação através do golpe institucional que derrubou a presidenta Dilma, constitucionalmente eleita por sufrágio universal.

Interditá-lo é crucial para o presente e o futuro mediato do país. O que não se consegue sem uma ampla e plural conjugação de forças, que faça convergir para um leito comum variada gama de insatisfações e interesses.

Tarefa hercúlea, que se depara com múltiplos obstáculos, sobretudo no plano subjetivo: além de naturais receios e desconfianças mútuos, incompreensões recorrentes no arco de forças situado mais à esquerda.

Tem certa audiência a falsa avaliação de que a frustração do ciclo mudancista verificado nos governos Lula e Dilma se deu em razão da amplitude das alianças, então concertadas para a governabilidade.

Inclusive segmentos do PT, carentes de autocrítica em relação ao próprio exclusivismo, põem a “culpa” na amplitude das alianças e não nos equívocos cometidos em sua condução.

Por extensão, chegam ao disparate de “explicar“ a nossa tradição histórica de rupturas inconclusas pela amplitude das alianças.

Se limitadas as alianças ao campo popular, teríamos avançado muito mais do que conquistamos em episódios marcantes da evolução civilizatória brasileira — dizem —, como na proclamação da Independência, no advento da República, na Abolição da escravatura e assim por diante.

Nada mais falso.

Justamente quando ocorreram coalizões amplas e heterogêneas é que a vitória foi possível — sendo o limite relativo das conquistas resultante, duplamente, da imaturidade momentânea das forças progressistas e da peculiar capacidade de manobra das elites brasileiras.

E é certo afirmar que acumulamos expressiva tradição de frentes amplas no Brasil. Desde a Insurreição Pernambucana de 1645-1649, que culminou com a expulsão dos holandeses, e em outros tantos pelo Brasil afora.

Neste movimento, que findou com a vitória nas batalhas do Monte Guararapes, o desenho frentista é emblemático na figura do seus três principais líderes — o comerciante João Fernandes Vieira, o militar e dono de engenho André Vidal de Negreiros e o índio Felipe Camarão.

Querer delimitar agora a estreito arco de forças sociais e políticas a resistência ao governo golpista de Temer e a busca de superação da crise mostra-se, assim, erro crasso.

Cabe sim, sem fórmula predeterminada nem roteiro rígido, explorar variados caminhos que podem dar num novo pacto social e político, apto a livrar o país da crise e da ameaça neocolonialista, restaurar a democracia e inaugurar um novo ciclo transformador.

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Opção

'Posto que chama, que seja eterno enquanto dure', canta o poeta sobre o amor. A luta pela liberdade e pelo socialismo é sempre.

Poesia sempre

Tereza Costa Rego
Flor de açucena
Thiago de Mello

Quando acariciei o teu dorso, 
campo de trigo dourado, 
minha mão ficou pequena 
como uma flor de açucena 
que delicada desmaia 
sob o peso do orvalho. 
Mas meu coração cresceu 
e cantou como um menino 
deslumbrado pelo brilho 
estrelado dos teus olhos. 
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Uma crônica para descontrair

Farofeiros nas nuvens
Luciano Siqueira, no Blog da Folha e no Vermelho

Tempo bicudo o que vivemos. Para onde você olha, mais dificuldades aparecem. Nisso há uma absurda convergência nacional.

As empresas de aviação estão completamente sintonizadas com a situação. Além de tratarem o usuário com perversa indiferença, como se pudessem tudo e em troca de tarifas pesadas não devessem oferecer nada mais do que o transporte de um destino a outro, acumulam novidades negativas - contra nós indefesos passageiros.

Além de novos limites de tamanho e peso da bagagem - um artifício para a cobrança de uma taxa a mais –, a antipática substituição do antigo serviço de bordo por um saquinho-de-qualquer-coisa, acompanhado de um mísero copo d'água.

- Doce ou salgado, senhor? Aceita água - com ou sem gelo?

A aeromoça nos aborda como quem faz um imenso favor ou generosa cortesia.

Mas vem o comissário de bordo empurrando o carrinho e nos oferece o cardápio sem graça nem gosto, a preços nada agradáveis. 

Pois bem. Num voo da Gol do Rio de Janeiro ao Recife, nossa delegação - Luci, eu, filha, genro e três netos -, ocorreu a todos que a privação de comes e bebes despertaria, se não fome propriamente dita, talvez o desejo irrefreável de mastigar algo.

E ninguém estava a fim de adquirir nada do insosso e inflacionado menu.

Mal nos sentamos, apertamos o cinto e nos preparamos para a decolagem, bolsas se abriram deixando visíveis pacotinhos de biscoito, chocolates e que tais.

Não deu pra trazer o hambúrguer de Miguel, o cuscuz de Pedro e o arroz branco de Alice. Mas a ração de guloseimas era bem razoável.

- Somos farofeiros nas nuvens!, proclamei de imediato.

E assim percorremos as duas horas e quarenta e cinco minutos que nos levaram do Rio ao Recife nos "achando o máximo", com olhares de superioridade dirigidos aos ocupantes dos assentos mais próximos, eles pobres coitados condenados a sobrevirem a mini bolachinhas e água. 

(Meu genro Alexandre, sempre atento a tudo, jura que surpreendeu, uma fila adiante, uma jovem senhora, muito bem posta, saboreando imensa banana prata).

Karl Marx concebeu a História evoluindo em espiral: a cada época, a Humanidade como que retorna ao ponto de partida para recomeçar novo ciclo, agora em patamar superior. Em matéria de viagem aérea, talvez estejamos vivendo um péssimo tempo de escassez e maus tratos como prolegômeno ao início de novo ciclo, tão farto quanto no áureo tempo da Varig, dos aperitivos e das refeições completas.

Não percamos a esperança. 

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Bumerangue

Em carta a parlamentares para se defender, Temer fala em 'conspiração' para derrubá-lo. [“Quem com ferro fere, com ferro será ferido”].

16 outubro 2017

Proteção

Temer cria regras que dificultam acesso à lista suja do trabalho escravo, a pedido da “bancada ruralista”. Para proteger proprietários rurais flagrados na prática criminosa.

Intimidade

Em carta aos deputados, Temer usa argumentos de Eduardo Cunha para atacar o ex-aliado Funaro. Eles se conhecem muito bem.

Rumo a 2018

Preliminares de um jogo complexo
Luciano Siqueira, no Blog de Jamildo 

Nos dois planos — nacional e local — ganham corpo lances e manobras das forças políticas em presença, tendo em vista as eleições gerais de 2018.

Com uma particularidade: desta vez, mais do que o comum, o cenário futuro é marcado pela imprevisibilidade. Tanto pela multifacetada e intricada crise em que o país se vê mergulhado, como pelos movimentos erráteis e algo contraditórios dos atores locais. 

Com a consumação da última mini reforma política, pelo menos as regras do jogo estão postas. 
Mas o desenho das alianças, mais do que se possa supor, ainda demora a se fazer, pois há uma espécie de transição para a realidade eleitoral pós-impeachment, com todas as suas implicações, em que se sobressai a pergunta: qual será o ambiente social no qual o eleitor fará suas escolhas? 

Ou seja: terá perdurado o clima de descrença na política e nos políticos, a desesperança e a apatia? Ou a população terá enfim despertado para a necessidade de reagir usando mais criteriosamente a arma de que dispõe, o voto?

Numa ou noutra alternativa, mais do que artifícios midiáticos e a pirotecnia demagógica será necessário apresentar propostas consistentes e compreensíveis — o que exige um mínimo de compromisso dos candidatos, majoritários sobretudo.

Em Pernambuco, ainda que persista um quadro de alianças algo "misturado", resíduo do projeto presidencial de Eduardo Campos, um passo adiante possivelmente será dado movimento meio que de placas tectônicas (ainda lento) de reaproximação de forças à direita e à esquerda. 

A dispersão ainda é a tônica, mas a tendência é que se afirmem dois polos aglutinadores — um no governo, ainda liderado pelo PSB, outro na oposição, sem que se possa afirmar ainda sob a liderança de quem. Uma terceira via, como sempre é mais uma vez, certamente não será viável.

Alguns agem com truculência e precipitação; outros talvez exagerem na cautela; e todos ainda equidistantes do debate a ser feito, sobre os destinos do estado e do país.  

Mesmo os pré-candidatos à presidência da República ainda se voltam quase que exclusivamente para a narrativa do passado recente e da denúncia (ou do apoio velado) ao Estado de exceção inspirado nos exageros do Judiciário. 

No campo oposicionista em plano nacional, nem Lula, do PT, nem Ciro, do PDT, arriscam um ingresso no debate de soluções para a crise. Obviamente representando uma força organicamente menos volumosa, mas ideológica e politicamente expressiva, o PCdoB poderá decidir em seu 14° Congresso, em novembro, lançar pré-candidatura própria à presidência da República cuja motivação imediata será contribuir para o debate sobre os rumos do país.

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Poesia sempre

ALÉM DA TERRA, ALÉM DO CÉU
Carlos Drummond de Andrade

Além da Terra, além do Céu,
no trampolim do sem-fim das estrelas,
no rastro dos astros,
na magnólia das nebulosas.
Além, muito além do sistema solar,
até onde alcançam o pensamento e o coração,
vamos!
vamos conjugar
o verbo fundamental essencial,
o verbo transcendente, acima das gramáticas
e do medo e da moeda e da política,
o verbo sempreamar,
o verbo pluriamar,
razão de ser e de viver.
(Ilustração: Wellington Virgolino)

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Grana pesada

Cunha recebeu R$ 1 mi para 'comprar' votos contra Dilma, delata Funaro. Só isso? Certamente rolou grana muito mais pesada, ora!

Fissura

Bate-boca entre o presidente da Câmara e o advogado de Michel Temer reflete conflitos acirrados nas hostes governistas. A semana promete.

Negligência

Sem verba, fiscalização do trabalho escravo despenca no Governo Temer. Em benefício de quem? goo.gl/RHD9UR

15 outubro 2017

Vida

As emoções dão cor à vida. As amizades renovam as emoções.

Engodo

Alckmin busca resgatar discurso ‘social’ tucano. Como diria minha neta de 4 anos, “não adianta disfarçar”.

13 outubro 2017

Má saúde

Brasil terá 11,3 milhões de crianças obesas em 2025. A sociedade de consumo faz seus estragos.

Anomalia

Em editorial, Estadão reconhece que o STF “converteu-se definitivamente em fator de grande insegurança jurídica”. Demorou, hein?

11 outubro 2017

Leitura

Pesquisa Retratos da Leitura no Brasil: 44% dos brasileiros não costuma ler e 30% jamais comprou um livro. Programas de incentivo à leitura são necessários.

10 outubro 2017

Bichado

Como se esperava, relator recomenda rejeição da denúncia contra Temer e ministros. A luta agora é em plenário. Difícil.

Congresso

Em reunião, Comissão Política Estadual - em clima de unidade - prepara etapa estadual do 14° Congresso Nacional do PCdoB.

Temer acuado

Marionete em terreno movediço
Luciano Siqueira, no Blog da Folha

Com a leitura do parecer do deputado Bonifácio Andrada (PSDB-MG) na Comissão de Constituição e Justiça, a Câmara dos Deputados desencadeia hoje a apreciação da denúncia encaminhada pela Procuradoria Geral da República contra o presidente Temer.

As acusações são graves. Sem precedentes. O presidente ilegítimo é o primeiro, em nossa República, a ser denunciado no exercício do mandato por crime de corrupção, formação de quadrilha e obstrução de investigações.

Mas a continuidade do processo certamente será rejeitada pela maioria dos deputados.

Isto porque o centro de gravidade do comportamento da Câmara não está na natureza e na procedência das denúncias; está na maioria parlamentar que apoia o governo.

O fato, visto de algum longínquo país da Ásia ou da Oceania, poderia ser compreendido como demonstração de força do governante. Porém, como bem sabemos, não passa de mais um exemplo de deterioração moral, ética e política.

O governo Temer é fraco. O presidente sequer tem condições de visitar instalações militares porque generais, almirantes e brigadeiros se negam a prestar-lhe continência.

Na opinião pública, é o mais rejeitado de nossa História, desde que se inauguraram pesquisas de opinião em nosso país. Oscila entre 3 a 5% de aprovação, com mais de 90% de insatisfeitos.

Mesmo sua base parlamentar é movediça. A vitória que provavelmente se consumará agora ocorrerá por menor diferença de quando da rejeição da primeira denúncia da PGR. Nem consegue entregar tudo o que prometeu, no ingente toma-lá-dá-cá comandado por ele próprio, nem atender novas e mais amplas exigências de parlamentares dispostos a vender a alma ao diabo.

Na verdade, se mantém sustentado por sua deprimente maioria congressual, por parte da mídia e pelo Mercado — precisamente porque se dispõe a fazer o jogo sujo, ou seja, cumprir a agenda que justificou o golpe contra a presidenta Dilma, de cunho neoliberal, de supressão de direitos e conquistas sociais e solapadora da soberania nacional. Um marionete.

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Maldade

Líderes governistas se articulam para votar reforma previdenciária até novembro. Maldades sem limites.

09 outubro 2017

Imposição ideológica

O futuro
Eduardo Bomfim, no Vermelho

O mais danoso dos males com a Nova Ordem global, o Mercado financeiro, que capturou de forma hegemônica múltiplas organizações internacionais, tem sido a ditadura do pensamento único que se expressa através de conceitos do chamado “politicamente correto”.

O exercício desse poder, com uma mão de ferro, é extremamente perigoso porque invisível, não tem sede nem é eleito pelo voto de nenhum cidadão do planeta e transformou-se em um tipo de autoritarismo sem precedentes na História contemporânea. Seria o sonho do Reich dos mil anos que Hitler pensou mas não conseguiu executar em decorrência da tenaz resistência dos povos durante a 2a Guerra Mundial.

Tal projeto exerce-se via grande mídia que impõe diuturnamente uma profusão de conceitos e versões sobre os fenômenos políticos e sociais coadunados à agenda do Mercado e seus interesses de rapina.

O objetivo é a ruptura das identidades nacionais, a criminalização das formas de enfrentamento ao rentismo canibalesco, a divisão das sociedades em grupos que competem uns contra os outros, a dissociação do bem comum que caracteriza o sentimento de pertencimento e identidade a uma comunidade nacional.

Instalou-se o individualismo mais pragmático de grupos ou subgrupos contra os demais segmentos sociais que não expressam os seus próprios interesses corporativos, constituindo-se “bolhas” de tribos atomizadas desprovidas de valores mais avançados de uma comunidade.

A desconstrução dos instrumentos constitutivos do Estado nação tornou-se uma prática corriqueira visando quebrar as formas que a sociedade entende como referência para a sua representatividade, criminalizando-as, visando torná-las abomináveis aos olhos da população.

A crise estrutural brasileira é parte desse intuito macabro, enquanto o patrimônio nacional, estatal e financeiro, é dilapidado brutalmente.

Só a reconstrução das estruturas republicanas sob novas bases podem apresentar outro rumo ao País e à própria democracia, desfigurada, faz um bom tempo, para além da ópera bufa do governo Temer.

O Brasil necessita urgentemente de novos caminhos que só podem surgir através de um tipo de estadismo e um projeto de nação que dê protagonismo e sentido fundamentais a um grande povo que tem todas as condições de cumprir o seu destino de sociedade original, solidária e soberana.

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08 outubro 2017

Distinção

Temer comprou dois terrenos um dia depois de suposto repasse da JBS. Mas é muita maldade ligar um fato ao outro, né? Afinal, Temer não é Lula.

Rejeição

Apesar do comportamento pirotécnico e midiático, aprovação de Doria entre paulistanos cai nove pontos, e maioria rejeita seu projeto eleitoral presidencial.

Barbárie

Maior parte dos EUA vai contra pressão por lei mais dura sobre controle de armas. Pela barbárie, lobby da indústria armamentista prevalece.

Petulância

Pelo Twitter, entre fanfarrão e irresponsável, Trump volta a ameaçar a Coreia do Norte. É a decadência do Império.

07 outubro 2017

Atraso

Para vencedores do Nobel, o Brasil não terá prêmio se não investir. Imagine com os cortes de Temer!

Humor de resistência

Duke vê as ameaças de intervenção militar.

Tragédia

As mãos e as vozes que empurraram o reitor da UFSC para a morte
Por Luís Nassif

Luís Roberto Barroso tem fixação por sua imagem pública. Algumas denúncias estampadas em blogs de Curitiba, encampadas pelos blogueiros de Veja, foram suficientes para deixa-lo de joelhos. As denúncias falavam da compra de um apartamento em Miami pela senhora Barroso, através de uma offshore. Mesmo casados em comunhão de bens, compartilhando um escritório bem-sucedido, o nome de Barroso não entrou na história, até o eixo Curitiba-Veja entrar no tema.
E o Ministro Barroso decidiu defender sua imagem com as armas que conhecia: abandonou suas teses legalistas, seu passado garantista e decidiu aderir aos agressores. Sua estreia se deu na votação da autorização para a prisão do réu após condenação em Segunda Instância.Dali em diante, surgiu um novo Barroso, defensor dos métodos policiais, punitivista convicto, defensor da tese de que ou o Brasil acabava com a corrupção ou a corrupção com o Brasil. Não a corrupção corporativa de seus clientes, ele que se vangloria de preparar anteprojetos de lei para que os clientes possam oferecer a seus deputados de estimação; não a do Poder Judiciário, ou mesmo a impunidade sua ex-cliente, a Globo. Mas a corrupção do inimigo, a defesa do direito penal do inimigo que chegou ao auge com sua defesa explícita do Estado de Exceção.
Desde então, Barroso se tornou o guru da Lava Jato e dos punitivistas do Ministério Público Federal, o profeta do Estado de Exceção, o principal estimulador das bestas que habitam os porões, onde nenhum direito é respeitado. Suas frases se tornaram os bordões prediletos dos procuradores nas redes sociais, o alimento legal que engordava os monstros gerados da barriga da Lava Jato.
E das entranhas da Lava Jato a delegada da Polícia Federal Erika Marena saiu de Curitiba e transportou os métodos da Lava Jato para Santa Catarina. Estrela de cinema, tinha que manter a fama de implacável.  Lá, encontrou como chefe o delegado Marcelo Mosele que, ao assumir a superintendência da PF em Santa Catarina, discursou afirmando que a corrupção é a maior ameaça à humanidade. Era esse o clima dominante na PF quando chegaram denúncias envolvendo a Universidade Federal de Santa Catarina. Mencionavam desvios que teriam ocorrido desde 2006 nos cursos de educação à distância. O reitor assumirá apenas em 2016.
No início, denúncias anônimas. Depois, denúncias personalizadas, uma da professora Tais Dias, outra do corregedor da UFSC, Roberto Henkel do Prado. Escolhido em uma lista tríplice, o corregedor responde ao reitor e também à CGU (Controladoria Geral da União). Quando o reitor Luiz Carlos Cancellier pediu acesso ao inquérito, imediatamente foi denunciado por Henkel, como tentativa de obstrução da Justiça. Nesses tempos bicudos, as longas mãos da CGU criaram núcleos de poder em cada universidade, e Henkel pretendeu exercê-lo com a autoridade dos moralistas e com a plenitude dos superpoderosos. Imediatamente obteve a adesão de Orlando Vieira de Castro Jr, superintendente da CGU em Florianópolis. E o caso foi parar com o procurador da República André Stefani Bertuol.
A Polícia Federal foi acionada e a sede de sangue atingiu a juíza federal Janaína Cassol Machado, que, consultado o procurador Bertuol, autorizou a prisão preventiva dos professores. Em Brasília, o eminente Ministro Barroso despejava frases feitas:
- Para ser preso, no Brasil, precisa ser muito pobre ou muito mal defendido.
Ou então: Pense o que você poder fazer diariamente pelo bem.
Lá embaixo, nos porões da nova ditadura, a delegada Marena, o delegado Mosele, comandavam policiais treinados nas artes da humilhação. Os professores foram despidos, ficaram nus, foram jogados em celas
Enquanto isto, Barroso, que se tornou um Ministro choroso quando a imprensa meramente flagrou-o em uma afirmação relativamente racista em relação a Joaquim Barbosa, que se desmanchou em lágrimas tal como uma donzela com a reputação colocava em dúvida, continuava lançando seus dardos no Olimpo e alimentando com princípios pútridos a carne que era servida às hienas.
No dia seguinte, uma juíza substituta, Marjorie Feriberg, ordenou a libertação do grupo. Foi publicamente admoestada por Janaína, que se atirou sobre ela como uma harpia da mitologia. Restou a Cancellier a única saída que encontrou para a desonra que se abateu sobre ele: o suicídio.
Depois da tragédia, apareceram notícias dizendo que a única acusação formal contra ele era a de ter impedido a investigação. Que seu sangue caia sobre todos seus algozes. Mas, especialmente, sobre os que destruíram os alicerces dos direitos individuais pensando exclusivamente em seus próprios interesses.

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Lamaçal

Com desfaçatez, Temer dedicou dia a comprar apoio

Janio de Freitas, Folha de S. Paulo

A quantidade de compras de apoio por Michel Temer, bem ilustrada na recepção a mais de 50 deputados em apenas 12 horas da última terça-feira (3), suscita uma questão importante por si mesma, não para o alheamento vigente no Brasil: que legitimidade terá uma recusa da Câmara a processo criminal contra Temer, se obtida por mais práticas inescrupulosas do denunciado?
A relação de deputados recebidos por Temer naquele período, que a repórter Letícia Fernandes cuidou de esmiuçar, não foi o começo nem o fim dos negócios de apoio. Seu relevo não está só na quantidade, mas também, ou sobretudo, na sem-cerimônia, na desfaçatez com que todo um dia "presidencial" é dedicado a tal finalidade. No palácio de governo do país em crise.
Na imensidão das instituições desta louvada democracia não cabe nem espanto com a ausência até da discrição comum às ordinarices. Como espantar-se, então, com a continuidade das tramoias, enquanto dizem que o país aderiu à moralidade? Da própria Presidência vem a constatação, feita por outra repórter, Mariana Carneiro, de que em torno de Temer e na Câmara beneficiam-se de uma medida provisória pessoas que também a elaboraram. É aquela que concede maiores prazos e melhores condições, sob o nome de Refis, a dívidas na Receita Federal.
Os comprometimentos de Michel Temer e Aécio Neves não vêm de delações em busca de liberdade. Ambos foram entregues pelas próprias vozes, gravados em alguns dos seus momentos de autenticidade. Apesar disso, o pressentimento de que as compras de votos vão se comprovar como bons negócios, favorecendo Temer contra a segunda denúncia, precisam consolar-se com a ideia de que o processo apenas aguardará o fim do mandato. É a alternativa oferecida na legislação.
Mas aí entra o truque de Temer. Sem mandato, seu caso vai para a Justiça comum. Onde Temer nem precisará preocupar-se com ganhos sucessivos de prazo: a velhice, já suficiente, valerá como imunidade.
Aécio Neves, por sua vez, no papel de centro de um choque entre dois Poderes é como um pedido, a todos os distraídos, de alguma atenção para a decadência institucional. Aécio é só um desmascarado. E nem está ainda investigado como devido, mas vários sinais de parte do que falta são também conhecidos no Senado como no Supremo Tribunal Federal. E conhecê-los seria bastante para dispensar os tantos dias e tiros verbais a propósito do desmascarado.
Marcar só para o dia 11 a decisão final sobre o afastamento de Aécio do Senado e, ainda, sobre seu recolhimento domiciliar à noite, foi um erro do Supremo. Criou o intervalo propício ao duvidoso brio senatorial e aos incentivos do governo à defesa do seu aliado. Sempre contra o Supremo.
Sob a aparência de adiamento da sua reação ao Judiciário, de ontem para o dia 17, na verdade o Senado adiou o seu embaraço. Lá na frente, caso confirmado o imposto a Aécio, os senadores ficarão outra vez entre engolir a confirmação ou desrespeitar o Supremo.
Tudo isso, com Temer, Aécio e velhos companheiros, no país onde eles sempre disseram que "decisão da Justiça não se discute, cumpre-se". 
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Poesia sempre

Vincent Van Gogh
A dança
Pablo Neruda

Não te amo como se fosse rosa de sal, topázio
ou flecha de cravos que propagam o fogo:
te amo secretamente, entre a sombra e a alma.

Te amo como a planta que não floresce e leva
dentro de si, oculta, a luz daquelas flores,
e graças a teu amor vive escuro em meu corpo
o apertado aroma que ascender da terra.

Te amo sem saber como, nem quando, nem onde,
te amo diretamente sem problemas nem orgulho:
assim te amo porque não sei amar de outra maneira,

Se não assim deste modo em que não sou nem és
tão perto que a tua mão sobre meu peito é minha
tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho.

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05 outubro 2017

Ruth Escobar

O teatro brasileiro perde Ruth Escobar, notável combatente na resistência à ditadura instaurada em 1964.

Crítica

Paulo Câmara diz que Temer só se preocupa com a própria sobrevivência — enquanto a situação do país se agrava.

Reforma política

Mini reforma: quando o razoável é muito bom
Luciano Siqueira, no Vermelho e no Blog do Renato

Finda longa sequência de pequenas, mas penosas batalhas, mais uma mini reforma política se consuma. Entre mortos e feridos, um bom resultado.

Isto porque a composição majoritariamente conservadora do Congresso desautoriza qualquer expectativa de reforma efetivamente progressista.

Pelo menos o pior, agora, foi evitado. 

A cláusula de barreira — dispositivo em si antidemocrático — fixada em 1.5% dos votos válidos para deputado federal em pelo menos 9 estados, afinal, se mostra razoável. 

A interdição de coligações partidárias para cargos legislativos, a vigorar a partir de 2020, idem.

E o fundo público eleitoral, tão hipocritamente combatido por alguns e pela mídia monopolizada, finalmente está instituído.

Em editorial, o vetusto Estadão celebra as decisões de ontem como aptas a "afetar a distribuição de poder e a forma como é exercido. (...) Haverá fortalecimento das grandes legendas e das cúpulas partidárias. As maiores agremiações receberão mais recursos para campanha e verão a concorrência das pequenas e médias diminuir, pois elas terão dificuldade para atingir o quociente eleitoral e a cláusula de barreira. A tendência, no médio prazo, é que muitas até deixem de existir." 

Nem tanto. 

Pois se pequenas legendas sem nenhuma tradição e excessivamente "pragmáticas" talvez venham a ser extintas, na vigência das novas regras, o fortalecimento da representação parlamentar em bases programáticas está muito longe de ser garantido. 

Isto aconteceria com a adoção do sistema de listas preordenadas pelos partidos, que induziria o eleitor a escolher entre diferentes propostas programáticas e tornaria os detentores de mandato compromissados com o programa partidário. 

A simples manutenção de correlação de forças muito desigual e em favor das atuais grandes legendas não assegura nada em matéria de conteúdo — e de melhora de qualidade das casas legislativas.

Mas, nesse aspecto, a última palavra emergirá das urnas de outubro de 2018 — o que requer, desde já, preparativos consistentes da parte dos partidos comprometidos com a nação e o povo. 

Ao PCdoB em especial, cuja bancada reduzida, porém competente e hábil, merece aplausos pelas conquistas parciais ontem obtidas, cumpre esforços extremos para que alcance seus objetivos próprios no próximo pleito.

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Veneno

Advogados de Michel Temer acusam Janot de golpista. Quem disso usa, disso cuida.

04 outubro 2017

Credibilidade

Na política, o discurso não pode ser como água — que se adapta a qualquer recipiente —, precisa ser verdadeiro e coerente. Quem muda bruscamente de lado não merece confiança.

Estado de exceção

Suicídios, linchamentos e os abusos do penalismo do espetáculo
Editorial do Vermelho

Abuso das prisões temporárias e preventivas, uso indiscriminado e irregular do instrumento das delações premiadas, investigações que não consideram as garantias individuais mínimas, condenações que subvertem completamente o princípio da proporcionalidade entre delito e pena – todos esses elementos e mais alguns com o mesmo sentido marcam a realidade jurídica brasileira nos últimos anos.

O trágico suicídio do reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Luiz Carlos Cancellier, que havia sido preso de modo arbitrário há alguns dias, deve ser visto como parte desse triste processo. Em carta publicada logo após a sua soltura, Cancellier havia feito um relato sobre o linchamento social a que vinha sendo submetido. Sem direito à defesa, impedido de entrar na universidade que dirigia, visto do dia para a noite como corrupto, o professor demonstrou no texto a tristeza e a estupefação que, aparentemente, o levaram ao ato extremo.

Um processo parecido já havia ocorrido ao almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, considerado o pai do Programa Nuclear brasileiro. Condenado a incríveis 43 anos de prisão pelo juiz Sérgio Moro, o militar, segundo noticiou a imprensa, também tentou o suicídio. Conhecendo o papel central jogado pelo almirante nos projetos ligados aos interesses nacionais é de se imaginar que sua retirada da atividade científico-militar atende às pretensões dos que não querem ver o Brasil desenvolvendo todas as suas potencialidades como nação livre, soberana e independente.

Chama a atenção, no caso do reitor da Universidade Federal de Santa Catarina, o uso político feito por vários setores da esquerda de sua prisão arbitrária. Cegos diante do arbítrio, movidos pela mesquinhez das disputas locais, ávidos pelos aplausos fáceis dos que acham que corrupção é o único mal do Brasil, o udenismo de esquerda contribuiu para o apedrejamento do qual o reitor foi vítima. Que o trágico episódio sirva para demonstrar que o arbítrio e a cessações dos direitos individuais são processos que, se não forem barrados, carregarão a todos, especialmente os mais fracos.

Também é importante notar o papel jogado por parcela importante da imprensa nesse processo. No penalismo do espetáculo, os holofotes têm sido dados por uma mídia irresponsável e interessada na destruição da política e dos interesses nacionais. As mesmas luzes que transformam figuras do judiciário em estrelas, têm funcionado como o instrumento privilegiado do linchamento público de cidadãos que, até que o devido processo prove o contrário, são inocentes.

Vivemos no Brasil dias muito difíceis. Estão sob ataque princípios nascidos do iluminismo penal no século 18. No ano que vem completam-se 280 anos do nascimento de Césare Beccaria que, com seu livro Dos delitos e das penas, lançou ao mundo as ideias que dariam base às garantias individuais mínimas que agora são solenemente desprezadas. Que os democratas brasileiros de todos os quadrantes políticos se unam imediatamente, para que possamos homenagear o pensador italiano em um outro cenário.

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Lama

Temer organiza balcão de pedidos no Palácio do Planalto para garantir rejeição da denúncia pela Câmara dos Deputados. Aí de ti, República!

Humor de resistência

Laerte vê a "politização" do Judiciário

Punição

Justiça condena Bolsonaro por dizer que ‘quilombolas não servem nem para procriar’. Ponto para a rejeição ao neofascismo.

03 outubro 2017

A força da mulher

Base objetiva para a igualdade de gênero
Luciano Siqueira

O debate ideológico é indispensável, bem sabemos, sobretudo quando se trata de vencer tabus e preconceitos e avançar na evolução civilizatória.

A base objetiva para dar sustança à mudança de padrões, entretanto, faz-se indispensável.

A luta pela igualdade de gênero, que nas últimas décadas tem obtido conquistas notáveis no mundo e no Brasil, encontra na sociedade capitalista tanto elementos de exacerbação da desigualdade quanto de estímulo à luta transformadora. A cada dia, a mulher deixa o forno e o fogão e vai à luta, ocupando seu lugar no mercado de trabalho, seja para ampliar a renda familiar, seja para garantir o sustento dos seus, convertida cada vez mais ela própria em chefe de família.

Uma das vertentes da ocupação da mulher é a iniciativa do próprio empreendimento. Nesse nicho, segundo pesquisa do Global Entrepreneurship Monitor, a distinção entre homens e mulheres empreendedores diminui a passos largos no mundo e, em particular, no Brasil.

Só em 2016, 163 milhões de mulheres iniciaram o próprio negócio mundo afora. No Brasil, segundo a pesquisa, as mulheres tiveram no período mais iniciativas empreendedoras do que os homens.

Uma constatação sobre o fenômeno em nosso país, citada pelo Blog do Empreendedor, é muito significativa: o maior percentual de mulheres empreendedoras se situa entre 25 e 34 anos - fase da vida de extrema vitalidade e também propensa a novas ideias, acrescento.

Um reforço quantitativo poderoso, que se ajunta aos milhões de mulheres trabalhadoras de diversas outras categorias.

A mulher que trabalha e, portanto, não depende do marido-provedor tende a encarar a vida com um olhar para além da dependência e da submissão.

Vale para relações matrimoniais e familiares mais justas, vale também para a inserção da mulher trabalhadora na luta específica pela igualdade de gênero.

Ao movimento feminista cumpre estabelecer vínculos entre a luta pela sobrevivência e a luta pela igualdade - e assim ganhar maior dimensão, tanto prática (encorpando a sua capacidade mobilizadora), quanto político-teórica (porque não há como separar contradições de classe da contradição de gênero).

Assim, esta que é uma bandeira muito cara às forças populares e democráticas, há de ser empunhada crescentemente com mais vigor – para muito além dos limites da percepção meramente sexista.
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Deformidade

Lobby pró-venda livre de armas nos EUA doou US$ 33 milhões para o então candidato Donald Trump e mais US$ 20 milhões para senadores republicanos. E os massacres como
o de Las Vegas se repetem.

Veja a diferença

Rombo fiscal: Com FHC, em setembro de 2002, a dívida pública líquida chegou a 62,45% do PIB. Com Lula-Dilma, em janeiro de 2014, havia caído para 30% do PIB. Dá pra comparar?

02 outubro 2017

Desconfiança

Delações premiadas cansam a opinião pública, em dúvida entre a verdade e a esperteza para escapar da cadeia atacando o PT.

Absurdo

'Não é momento de debater armas', diz Casa Branca após ataque em Las Vegas. Nos EUA, venda de armas é livre. Até quando?

Já?

Moro diz que Operação Lava Jato está chegando ao fim. Quer dizer que tucanos não serão investigados? 

Maioria

Planalto avalia que é ‘pouco provável’ que a Câmara aceite 2ª denúncia contra Temer. Mais do que o mérito, vale a maioria parlamentar governista. 

Pirotecnia x realidade

Insucesso nas ações contra criminosos é rotina na Grande Rocinha

Janio de Freitas, na Folha de S. Paulo

Em tempos de prêmios entre acusados/condenados por crimes e autoridades, nada mais natural que, em suas celas, Nem e outros nens pensassem em acordos. Faltaria a motivação a justificá-lo, no precário conceito da distribuição de prêmios.
No caso da Rocinha, mais conturbada desde a vinda do paulista PCC para se apoderar de áreas no Rio, o ataque a alegados traidores foi uma ideia eficiente para gerar clima propício a negociações. Que começaram e prosperavam. Precipitações, desentendimentos, inseguranças abriram campo à ação policial. A Rocinha, diz a voz oficial, voltou à (sua) normalidade.
O Exército foi-se da Rocinha antes que se compreendesse para que lá chegou. Nas condições atuais do país, seria irrazoável esperar resultado correspondente ao dispêndio de dinheiro, energia e propaganda. O país se corrói. Mas, como tudo voltou à mesma na Rocinha e o ministro da Defesa avisa que, "se necessário", o Exército volta, convém pôr alguns tiros nos is.
Por ocasião da Rio-92, a internacional do ambiente, a "segurança" feita pelo Exército plantou um canhão apontado para a Rocinha. Pretendia dar tiros de canhão na população da Rocinha? Alguns por certo consideraram a hipótese, mas não é crível que pudessem consumá-la. Carros de combate, tanques e seus canhões ficaram apontados para muitos pontos habitados da cidade. Bill Clinton, presidente à época, não evitou um comentário pouco diplomático sobre essa segurança "ridícula", como a qualificou.
Desde então, e mais uma vez, repete-se a lerda, custosa e descabida ideia de ação contra a insegurança. O tempo para mover essa máquina é muito grande –e contra adversários rápidos e hábeis. Como ninguém chega às chefias dos bandos por promoção burocrática, mas por mérito, esconderijos, rotas de fuga e defesas não são improvisados. Nem foram "os vazamentos", como invocou Raul Jungmann, a reduzirem as primeiras incursões em favelas, nesta etapa, a uma coleta de armas que caberiam nos bolsos de um único soldado –sem os encher.
O próprio ministro da Defesa, promovendo-se com as repetidas falas sobre as futuras operações no Rio, antecipou a ida dos caçados, com seus armamentos e estoques de drogas, para rotas de fuga e esconderijos seguros.
O insucesso é grande. Ou o Exército se adequa ao adversário que tem ou melhor será poupar o gasto e o desgaste. Nem o seu anunciado cerco sem riscos à Rocinha cercou alguma coisa. Mas preparar-se é necessário, mesmo. A quantidade de armas de combate em mãos impróprias é incalculável. E crescente. A habilitação e a expansão geográfica dos bandos mais capazes provoca sustos a cada constatação, atrasadas todas.
A volta ao agravamento continuado das dificuldades de vida de multidões transfere energia às forças delinquentes – desde o seu início na infância ultrajada ao pai desempregado que precisa de cargas roubadas para seu comércio de calçada e estômago.
A realidade não se esconde. Um fuzil ou revólver na mão de delinquente tem feito mais estrago na sociedade do que todos os indiscriminados fuzis da polícia fazem pela defesa da sociedade. O roubo da pistola de um sargento fez o Exército movimentar 500 soldados para recuperá-la. Passou a ser a pistola mais valiosa do mundo. Embora nada valha para a sociedade e, portanto, para o país, porque a pistola logo roubada de um civil fez o mesmo serviço, para o delinquente, contra a sociedade.
Nas respectivas proporções e pretensões, a ordem de um Marcola ou de um Fernandinho Beira-Mar, vinda da cadeia, é capaz de mais efeitos do que a fala oficial de um Michel Temer na TV.
Se os delinquentes crescem em número e em territórios, a delinquência tem que crescer. Inclusive em outras linhas de ação poderosa. Nada de enganos: esta é a realidade da Grande Rocinha, mais vulgarmente chamada de Brasil. 

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