26 abril 2017

Coerência necessária

Aos governantes, dois deveres
Luciano Siqueira

Refiro-me a prefeitos de cidades médias e grandes e a governadores de estado. No caso, os dois deveres são a preservação de relações institucionais cooperativas com o governo da União; e a fidelidade à linha política e aos compromissos com os quais tenham conquistado o posto que exercem.

A Constituição guarda distinção e independência entre os três entes federativos – a União, os estados e os municípios.

O cipoal de dispositivos estruturais e jurídico-formais vigentes, por outro lado, impõe a interdependência administrativa entre os três entes.

Basta que se tenha em conta, por exemplo, a distribuição do chamado “bolo tributário”, que concentra recursos na União e resulta na absoluta necessidade da busca desses recursos pelos estados e municípios como meio indispensável às ações nos planos estadual e local.

Salvo em situações extremas, relações cordiais entre os governantes nas três esferas de poder são, portanto, indispensáveis.

O governador Marconi Perillo, de Goiás, no auge da escalada golpista encetada pelo seu partido, o PSDB, cunhou a expressão “governador não faz oposição, governador governa”, para justificar suas boas relações com a então presidenta Dilma Rousseff.

Nem por isso se opôs à linha adotada pelos tucanos, ao modo da velha UDN, useira e vezeira no desrespeito ao pronunciamento das urnas, adepta de golpes institucionais.

Caso agora de Temer à testa de um governo espúrio e despido de credibilidade, pois fruto de um golpe institucional. Mais ainda por adotar uma agenda regressiva, de cunho neoliberal, em tudo desencontrada das verdadeiras necessidades e aspirações do povo e da Nação.

Prefeitos e governadores de partidos não comprometidos com o governo – salvo se tiverem transmutado suas convicções e seus compromissos fundamentais -, ao lado da convivência institucional, têm o dever da resistência às proposições de caráter antipopular.

Nada, nem mesmo pressões administrativas de curto prazo, justificam a cedência essencial e a adoção das concepções do adversário.

Miguel Arraes nos deu um belo exemplo em sua experiência de mais de cinquenta anos de vida pública, durante os quais três vezes governador de Pernambuco. Não há registro de nenhuma agressão que tenha cometido contra qualquer adversário ou eventual aliado, tendo preservado sempre relações respeitosas com todos.

Mas igualmente não há nenhum exemplo de que tenha, a qualquer título, se deslocado do seu campo político e se distanciado de sua base predominantemente popular de apoio.


Um exemplo a ser considerado no conturbado tempo político que vivemos - com um olhar no presente e outro na História.
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Compromisso de classe

"Temer precisa mostrar força na votação das reformas para não perder a confiança do mercado financeiro e do empresariado", diz comentarista da CBN agora cedo.

Realmente. Por isso ataca conquistas e direitos dos trabalhadores. 

Humor de resistência

Bruno Galvão vê a regressão de direitos promovida pelo governo Temer.

Ataque ao trabalhador

"Com a reforma trabalhista, o poder do empregado fica reduzido a pó"
Para pesquisadora de sociologia do trabalho, a aprovação da reforma trabalhista conduzirá ao aumento da violência e da desigualdade
CartaCapital
Maria Aparecida da Cruz Bridi, professora de Sociologia da Universidade Federal do Paraná e membro da Associação Brasileira de Estudos do Trabalho, afirma que o argumento do governo de que a reforma serve para gerar empregos é uma falácia, e que essas transformações servem ao empresariado.
"Que nação vamos construir ao abrir mão da possibilidade de reduzir a desigualdade? O que é uma sociedade que não visa garantir empregos? Quando todo um país deixar de acreditar nas instituições, como ocorreu no Espírito Santo, o que vai acontecer?", questiona a pesquisadora.
Não consigo ver como essas reformas vão ajudar o trabalhador ou sequer aumentar os empregos. Este é o principal argumento do governo, mas não passa de uma falácia.
Pode-se constatar empiricamente que o governo de Lula e Dilma criou muitos empregos sem alterar a CLT, como na construção civil, que foi um dos setores que mais empregou naquele período em função de toda a política de fomento da economia sem necessidade de alterar a lei. O que cria emprego efetivamente é o aquecimento da economia, são as políticas públicas.
Essas reformas estão muito ligadas ao empresariado, embora eles não assumam. Querem o desmonte de uma estrutura organizada desde 1943, e que nunca chegou a alcançar a maioria dos trabalhadores. O resultado disso só pode ser a institucionalização da precariedade do mercado de trabalho.
O mais grave é que não foi discutido com a população. Se essa reforma passar, o negociado se coloca acima do legislado, e em uma situação de desemprego vai ficar mais difícil para o trabalhador em condições precárias fazer exigências.
O que estamos vivendo agora é um ataque ao trabalho, que implica em uma crise do futuro. Parte da população que já se aposentou está protegida, mas há toda uma gama da juventude que vai acessar um mercado de trabalho completamente desestruturado e quase com a impossibilidade de se aposentar.

Para ler a matéria na íntegra clique aqui http://migre.me/wvAje

A luta segue

A base governista aprovou o desmonte das leis trabalhistas, mas os destaques, no entanto, foram prejudicados pelo início da Ordem do Dia, com isso, os embates agora seguem direto para o Plenário da Câmara, que já iniciará a votação da matéria hoje (26). Em menos de menos de seis horas, os deputados “discutiram amplamente” o substitutivo de Rogério Marinho (PSDB-RN) que altera 117 artigos da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e que recebeu 457 novas emendas. Leia mais http://migre.me/wvA4T

Baixo nível

Os pronunciamentos dos deputados em favor da reforma trabalhista na Comissão Especial da Câmara, ontem, revelam a precariedade da representação parlamentar governista. Uma mescla de furiosa defesa dos interesses do patronato e desprezo aos trabalhadores e um enorme desprezo para com a opinião pública. 

A onda cresce

Nas redes e nas ruas – literalmente. Assim vem ganhando força a Greve Geral marcada para a sexta-feira próxima. As adesões surgem de amplos e variados segmentos da sociedade brasileira – dos trabalhadores organizados em sindicatos aos movimentos sociais em geral, intelectuais, artistas e religiosos. A CNBB cumpre um papel importante na convocação para o movimento. E nas redes sociais, multiplicam-se em velocidade impar e com muita criatividade as manifestações de apoio. No dia seguinte, a oposição ao governo Temer terá ganhado outra dimensão e a resistência às reformas antipopulares um importante impulso. 

25 abril 2017

Contra os pobres

Que país a Reforma da Previdência projeta para meados do século XXI? Numa perspectiva crítica e de comprometimento social com a coletividade, o ajuste estrutural na Previdência Social delineado pelo governo está de costas para o futuro. Responsável por assegurar a renda dos trabalhadores e de seus dependentes quando da perda da capacidade de trabalho, o que está por trás da Reforma (Proposta de Emenda Constitucional N° 287) é retirar o mínimo de justiça social definido pela Constituição Federal de 1988. Leia mais http://migre.me/wvt7e

Bispos contra a reforma

O secretário geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil dom Leonardo Steinerd confirmou a posição do Conselho Permanente da entidade em apoio à Greve Geral do dia 28 de abril convocada pelas centrais sindicais e apoiada pelos movimentos sociais. O dirigente da Igreja Católica afirmou também que o movimento sinaliza que a sociedade que debater a reforma da Previdência. Leia mais http://migre.me/wvt4K

Quem prova?

Lula sobre Lava Jato: Mentem e agora estão com dificuldade de provar
Blog do Renato

Em entrevista concedida à Rádio Cidade, do Rio Grande do Norte, nesta segunda-feira (25), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva falou sobre os desdobramentos da operação Lava Jato. Ele disse que “quem está mais preocupado são as pessoas da Lava Jato que mentiram e agora estão com dificuldade de provar” as denúncias contra ele.

Ele lembrou que, desde o início da operação, já invadiram a casa do ex-presidente, quebraram seus sigilos fiscal e telefônico, devassaram as conversas com sua família e ainda não encontraram provas. “Se tem um cidadão nesse país que quer a verdade sou eu. Falo isso de coração aberto, se tem uma coisa que tenho orgulho foi de aprender com uma mulher nordestina analfabeta o que é ser pobre e andar de cabeça erguida”, reafirmou.
Lula destacou ainda a perseguição que enfrenta pelas investigações com delações que, segundo ele, são resultado de pressão para que seu nome seja citado. Ele usou como exemplo o depoimento do o ex-presidente da construtora Léo Pinheiro.

“Desde o ano passado que exigem que ele [Léo Pinheiro] fale meu nome. Parece que aceitaram agora a delação porque ia falar o meu nome. Se está condenado a 26 anos, 27 anos de prisão, e vê o delator que roubou milhões devolver alguns milhões e ir viver na beira mar, vê nego morando em casa de luxo, ele diz: ‘também vou delatar’, e delata até a mãe. Se tem um cidadão neste país que quer a verdade sou eu”, afirmou. Leia mais http://migre.me/wvmw5

Manipulação dos fatos

Tanto quanto nas outras redes
Luciano Siqueira, no Blog da Folha

No Estadão, leio conceitos emitidos pelo professor Pail Mihailidis, da Emerson College e diretor da Salzburgo Cademy on Media & Global Change, de Boston, EUA, acerca do cerceamento da boa informação nas redes sociais. 

 “As redes sociais têm que responder pela polarização que causam”, diz ele. Isto porque as ferramentas de uso na internet geram uma situação que leva as pessoas a viverem em pequenas "bolhas" de informação, nas quais não há espaço para opiniões contrárias. 

O que se agrava pela profusão de informações falsas, que circulam sem resistência do público que as recebe. 

Ao que se acrescenta – acentua ele - que também a mídia tradicional, em busca de público, pega carona na esteira das redes sociais e também difunde notícias falsas.

Tudo isso é verdade. Mas não é novidade.

Antes desse salto qualitativo em matéria de tecnologia a serviço da conecção entre as pessoas - as chamadas redes sociais -, os meios de comunicação tradicionais já cumprem papel semelhante na distorção das informações.

No Brasil, onde é permitido a um mesmo grupo econômico o controle da mídia impressa, TV, rádio e internet, não passa de ingênua ilusão supor que o cidadão tem acesso às informações efetivamente relevantes e confiáveis.

O acesso é parcial e dirigido. Apenas nove famílias, à testa de conglomerados de comunicação, determinam o que o brasileiro pode saber, ouvir, ver e ler. 

Grupos regionais se conectam às redes nacionais e se submetem ao mesmo diapasão.

Além disso, a informação restrita aos interesses representados pelos conglomerados de multimídia, nos chega com a marca e o rótulo de uma espécie de pensamento único dominante.  

Aqui e acolá uma notícia diferenciada ou a presença de articulistas de opinião própria dão um falso tom da pluralidade. Mas tão somente isso: um falso tom.

De tal modo que os conceitos do professor norte-americano são válidos, sim; mas extensivos a todas as mídias.

E no que se refere às redes sociais especificamente, bem sabemos que através de sofisticado uso de algoritmos os provedores dessas redes terminam por confinar cada um de nós aos nossos próprios grupos de afinidade.

Esse amigo de vocês utiliza regularmente as redes - Facebook, Twitter, Instagram e WhatsApp - pela possibilidade de alcançar, em frações de segundos, alguns milhares de pessoas. Mas com a consciência de que a liberdade para tanto é relativa e, em certa medida, o faço circunscrito à redoma a que eu, como você que me lê agora, estamos confinados. 
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Bom sinal

PSB fecha questão contras as reformas trabalhista e previdenciária propostas por Temer. Contra apenas cinco votos contrários.

Arcebispo pela greve geral

video
Tem conteúdo, consistência e emoção a palavra de Dom Saburido, arcebispo de Olinda e Recife, em vídeo, convocando para greve geral do dia 28. Confira.

O prazer da fotografia

Cena urbana: Morro Dois Irmãos visto do Arpoador em fim de tarde, Rio (Foto: LS) #cenaurbana #riodejaneiro #fotografia

Protesto

Outro dia, no ônibus de Casa Caiada, Olinda, com destino ao Recife, uma vendedora de “cremosinho” fez demorado discurso aos passageiros protestando contra a reforma da Previdência.

Expressão de uma consciência crítica que se amplia rapidamente no seio do povo.

24 abril 2017

Ciência & ambiente

Entre a lenda e a ciência: as 25 espécies mais buscadas pelos cientistas

A lista inclui animais e uma planta que não são vistos há mais de 1.500 anos

Joana Oliveira, El País 

O último exemplar vivo da tartaruga gigante da ilha Fernandina, em Galápagos, foi visto pela última vez há 111 anos

É difícil imaginar que seja possível perder uma tartaruga gigante, mas é exatamente o que aconteceu com a espécie da ilha Fernandina, a menos explorada e a mais jovem das Ilhas Galápagos. O único exemplar já encontrado foi um macho, descoberto em 1906 por pesquisadores da Academia de Ciências da Califórnia, que o mataram para estudá-lo como modelo. A pista seguinte apareceu em 1964, quando um grupo de cientistas encontrou excrementos do animal. Uma expedição aérea em 2009 detectou algo parecido com uma tartaruga gigante, mas para todos os efeitos práticos o rastro desse réptil se perdeu há 111 anos.
Agora, a busca para encontrar esta e outras 24 espécies desaparecidas se renova graças a uma iniciativa da organização Global Wildlife Conservation (GWC), que lançou uma campanha global para encontrar o que consideram os 25 animais (e uma planta) mais procurados do planeta. Nenhum está oficialmente extinto, mas, coletivamente, as espécies não foram vistas em mais de 1.500 anos. “A tartaruga gigante, por exemplo, está na mais vulcânica das Ilhas Galápagos. Todo o território é um cone vulcânico massivo, coberto de matagais quase impenetráveis. Alguém poderia caminhar muito perto de uma tartaruga de mais de um metro do outro lado de um arbusto e sequer perceber que estava ali”, comenta Robin Moore, biólogo e líder do projeto.
A lista, elaborada por centenas de cientistas da União Internacional para a Conservação da Natureza, inclui um morcego, uma abelha, um periquito, um cavalo-marinho e um tipo de coral. Os especialistas tiveram de nomear espécies que não tinham sido detectadas em mais de 10 anos —aquelas já declaradas extintas, como o tigre da Tasmânia, não foram consideradas— e, a partir de uma lista inicial de 1.200 espécies, a organização reduziu a busca ao que considera 25 espécies “peculiares e carismáticas” que, se ainda existem, são encontradas em 18 países em todo o mundo.
As expedições começarão no fim do verão europeu (fim do nosso inverno), depois de uma campanha para arrecadar 500.000 dólares (cerca de 1,6 milhão de reais). Moore explica que cada investigação será diferente. Os cientistas podem dar início a uma busca de duas semanas nas pradarias e pântanos do norte de Myanmar (antiga Birmânia) para procurar o pato de cabeça rosada, que está desaparecido há 68 anos. Para procurar a equidna de Attenborough, o mais provável é que os cientistas utilizem armadilhas de câmeras que serão monitoradas pelos moradores. A busca da salamandra escaladora de Jackson vai exigir uma expedição aos bosques nevoentos da Guatemala para revirar troncos durante o dia e percorrer a selva com lanternas à noite. “Falar com os moradores será chave na maioria das buscas, como no caso da rã conhecida como sapinho arlequim, na selva da Venezuela”, comenta o biólogo.
Moore tem certeza de que a campanha funcionará e tem evidências em primeira mão para acreditar: liderou em 2010 uma busca por sapos possivelmente extintos, que envolveu 33 equipes de especialistas em espécies desaparecidas em 21 países, e que resultou não só na redescoberta de três dos 10 anfíbios mais procurados, mas também conseguiu encontrar outras 15 espécies.
Há, além disso, indícios que sustentam a hipótese de que as 25 espécies procuradas atualmente podem estar escondidas em algum canto do planeta. Em 2007, um grupo de cientistas encontrou rastros de tocas que, por sua forma, poderiam ser da equidna de Attenborough, apesar de não haver evidência física ou de DNA. Entre 2000 e 2001, caçadores encontraram sinais que indicam que uma espécie de macaco antes considerado extinto, o colombo vermelho ocidental, sobreviveu. Na Guatemala, duas espécies de salamandra foram redescobertas depois de mais de três décadas sem deixar rastro —“O que nos leva a crer que a salamandra escaladora também pode nos surpreender”, diz Moore. E na Venezuela, os nativos relataram ter visto rãs que coincidem com a descrição do sapinho arlequim. “Todos esses fragmentos de evidências são tentadores. É uma centelha de esperança para a redescoberta dessas espécies”, afirma o biólogo.
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Sintonia

A conhecida loja de roupas Dimpus, na Visconde de Pirajá, Ipanema, zona sul do Rio, procura atrair clientes em sintonia com o sentimento da maioria. Num cartaz anuncia: quem gritar Fora Temer ganha 20% de desconto. #ForaTemer #cenaurbana

Humor de resistência

Bessinha vê o direcionamento político das delações no âmbito da Operação Lava Jato.

Por um amplo pacto

Tempus fugit
Eduardo Bomfim, no portal Vermelho

A prolongada crise nacional vai atingindo múltiplos aspectos da sociedade brasileira e nada indica que nesse rumo, ou na absoluta falta dele, as coisas vão chegar a um bom termo.

No plano econômico, mesmo com o denodado esforço da grande mídia hegemônica, a contínua queda dos indicadores econômicos aponta no sentido do agravamento da recessão, aumento galopante do desemprego, além do processo estrutural da desindustrialização do País.

No aspecto institucional, o que se observa é a afirmação de uma espécie de novo tipo de fascismo adequado às características e exigências do Mercado financeiro, e das oportunidades que usufruem as grandes empresas estrangeiras com o desmonte do parque produtivo nacional, estatal e privado.

No campo social são evidentes as ameaças, e concretizações destas, às Históricas conquistas trabalhistas adquiridas desde a revolução de 1930. De outro lado, tramitam no Congresso Nacional projetos que ameaçam a soberania e integridade nacional, como a venda criminosa de terras a grandes grupos estrangeiros, incluindo a Amazônia brasileira.

A nação já não vive um clima de legalidade democrática, encontra-se sob um verdadeiro Estado de Exceção, onde o poder executivo, a presidência da República, vítima de golpe de mão, não representa qualquer segmento da sociedade nacional, salvo os interesses do capital rentista, da mídia golpista e de aventureiros de ocasião cujos anseios estão a anos luz da grandeza que a nação exige.

O Congresso Nacional, salvo louváveis exceções já conhecidas, vai à deriva, abatido por si próprio tanto como pelos ataques cirúrgicos da grande mídia hegemônica, uma das protagonistas do golpe de Estado.

O açoitamento da política, caminho da participação social nos rumos do País, tem sido uma constante por essa mesma grande mídia hegemônica, que é recorrente na prática de arranjos autoritários para o País, como nos tempos atuais.

Por isso, tempus fugit: o tempo voa para que os democratas, patriotas e progressistas constituam um amplo pacto político, com intensa participação de variadas camadas sociais, que enseje a reconstrução nacional, a integridade do País, assegure os direitos trabalhistas dos cidadãos, aponte um novo rumo para a economia e o desenvolvimento, antes que alguma figura delirante empalme os destinos do Brasil.
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Menos direitos

A reforma trabalhista proposta pelo governo Temer permitirá que o patrão possa reduzir os salários dos trabalhadores ainda que ele continue a exercer a mesma função na empresa, e nem mesmo a Justiça poderá interferir no assunto. A irredutibilidade dos salários é uma garantia da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho). Leia mais http://migre.me/wuU7x

Pela ciência

Uma inédita manifestação mobilizou milhares de pessoas em mais de 500 cidades de diferentes países no último sábado (22). Cientistas, professores, pesquisadores, estudantes de graduação e pós-graduação, além de parlamentares e lideranças sociais ocuparam as ruas em cerca de 70 países para participar da Marcha pela Ciência. No Brasil, pelo menos vinte cidades participaram da marcha. Leia mais http://migre.me/wuTX3 

23 abril 2017

Desastre

Em três anos, empresas investigadas pela Lava Jato já demitiram mais de 600 mil trabalhadores. É no que dá a não separação do joio e o trigo e colocar na mesma vala a punição de executivos corruptos e a inviabilização das empresas. Campo aberto para empresas estrangeiras ocuparem o lugar das nacionais e para a liquidação da engenharia brasileira. 

Para onde?

Oito dos onze candidatos à presidência da França, hoje, defendem a saída da União Europeia. Subproduto da crise global e da transição a uma nova ordem multipolar. 

O prazer da fotografia

Cena urbana: O sol se põe no Arpoador (Foto: LS) #cenaurbana #riodejaneiro

22 abril 2017

Inquisição

Numa escola sem partido, quais autores seriam permitidos, comunistas arrependidos ou reacionários assumidos?, pergunta Marcelo Rubens Paiva em sua coluna no Estadão. "Se o projeto escola sem partido for adiante, nossos melhores historiadores e escritores serão chamas da grande fogueira da intolerância, livros queimando em pátios, numa inquisição ideológica de que ninguém tem saudades", afirma.

Tem razão.

Ônus

Lula afirma — com toda razão — que os que o acusam têm o dever de provar a sua culpa; e não ele provar sua inocência.

Delação

Advogados de Lula afirmam que o empresário Leo Pinheiro, da OAS, está mentindo sobre o ex-presidente para ter a sua delação premiada aprovado. Pode ser. Faz sentido

Golpe

Enquanto a grande mídia monopolizada se deixa com sofreguidão à sanha de atacar Lula a todo custo, a revista CartaCapital publica extensa reportagem, na dação desta semana, dando conta das confissões de Temer que confirmam o espírito de vingança que moveu Eduardo Cunha ao deflagrar o processo de impeachment de Dilma Rousseff. Rolou uma negociata de 40 milhões de dólares com Temer e Cunha no escritório do atual presidente. Confira: cartacapital.com.br 

21 abril 2017

Carga pesada

Na capa do jornal O Globo hoje, verdadeiro bombardeio contra Lula — das principais manchetes às chamadas das colunas. Enquanto isso, Aécio, Serra, Alckmin, Temer, Fernando Henrique Cardoso et caterva continuam tratados amigavelmente. Não se trata de combate à corrupção; é o jogo duro para evitar Lula em 2018.

20 abril 2017

Preferência

Pergunto a Alice, 3 anos:
- Do que é que você gosta mais aqui na praia?
- Bolo de rolo e piscina!

Tarefa indispensável

Nada substitui o trabalho político na base
Luciano Siqueira, no portal Vermelho e no Blog do Renato

Resultados de pesquisa recente realizada pela Fundação Perseu Abramo com foco em populações periféricas de São Paulo causam estranheza e inquietude.

Mas não deviam surpreender, pois apenas revelam conhecido dado da realidade: a discrepância entre o discurso político dos segmentos mais avançados da sociedade e o nível de percepção da maioria da população.

Essa discrepância é maior ou menor, dependendo em boa parte das circunstâncias políticas; e é mediada por vários fatores – entre os quais a natureza e a qualidade dos vínculos de partidos e agrupamentos políticos com a base da sociedade.

Pesa, sobretudo, a qualidade do diálogo entre militantes e ativistas e o cidadão comum.
Quando do último pleito presidencial, uma expressão esteve presente no discurso de todos os candidatos: "Você chegou até aqui por esforço próprio".

Isto porque as pesquisas de então já revelavam que os quase 40 milhões de brasileiros que haviam ascendido socialmente em doze anos de Lula e Dilma não percebiam sua melhoria de vida como fruto de políticas públicas adotadas pelo governo. Atribuíam o êxito ao próprio esforço.

É que o processo de formação de uma consciência social avançada é algo complexo, nem é instantâneo nem se dá em linha reta.

Espontaneamente o indivíduo tende a ver quase que somente a realidade local e pessoal. Não faz a relação de suas vivências individuais ou coletivas com a realidade do país e com a necessidade de se mudar a natureza do poder político como condição indispensável a transformações sociais e políticas que permitam solucionar os problemas fundamentais do povo e destravar o desenvolvimento nacional.

Por mais eficiente que seja a propaganda dos feitos e benefícios atribuídos a determinado governo, jamais dispensará um trabalho cotidiano que proporcione ao cidadão seu aprendizado político.

É o que é Lenin em sua obra clássica "Que fazer?" chamou de introdução do elemento consciente no movimento espontâneo.

A realidade atual é bem diversa daquela em que o grande líder russo atuou, final do século XIX e início do século XX.

Hoje o trabalho político militante envolve um conjunto de variáveis, da sofisticação dos meios de comunicação à multiplicidade de estímulos com os quais o indivíduo convive no seu dia a dia.

Mas o desafio é o mesmo. E não foi enfrentado devidamente pelas forças governantes no ciclo transformador recém-interrompido.

O limitado descortino estratégico da força política hegemônica e a presença saliente, na coalizão governista, de segmentos conservadores pesaram nesse sentido.

Neste instante da vida do país em que está instaurada a crise e a instabilidade em todas as esferas da sociedade, sob correlação de forças favorável ao agrupamento que deu o golpe e promove o retrocesso neoliberal, a luta no terreno das ideias e a atividade militante, pedagogicamente eficiente, têm enorme relevância.
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Futuro

Um novo salto civilizatório no Brasil se dará com o socialismo. Há um longo, complexo e sinuoso caminho a ser percorrido até lá - passando por conjunturas adversas como a atual. 

Vai quem quer

A frente ampla contra o governo golpista de Temer e por um novo ciclo de transformações políticas e sociais é uma proposta justa. A sua construção é um processo gradativo, sem esquema prévio; e provavelmente não incluirá todas as forças de esquerda, ficando de fora alguns grupos que não compreendem a necessidade de uma coalizão ampla e preferem o autoisolamento.

Alvo

Informações dadas por delatores não são necessariamente verdadeiras. A mídia faz uma edição muito bem feita e com orientação política clara: já não pode esconder os tucanos e os peemedebistas, mas mantém Lula e o PT como alvo principal.

19 abril 2017

Reforma política em alta

Mais de cem entidades civis se reuniram para reativar a Coalizão pela Reforma Política, nessa segunda-feira (17), em Brasília, dentre elas a CNBB, o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, UNE e OAB Nacional. A decisão foi tomada por representantes do grupo para fazer pressão à reforma política-eleitoral, em discussão na Câmara dos Deputados. Recentemente, o relator da proposta, Vicente Cândido (PT-SP), defendeu o sistema de voto em lista fechada e o financiamento público para as eleições de 2018 como um modelo de transição que vigore até as eleições de 2022. A partir do ano eleitoral seguinte, em 2026, as escolhas dos candidatos seriam realizadas no modelo distrital misto. Para o eleitor desatento, todos esses termos como “voto em lista aberta, ou fechada”, “modelo distrital puro, ou misto”, por exemplo, acabam causando confusão. Por isso, o ex-deputado pelo PCdoB e um dos articuladores da Coalizão pela Reforma, Aldo Arantes, defende a máxima divulgação do tema na imprensa e nas redes sociais. Em entrevista para Luis Nassif, do Jornal GGN, Arantes explicou que o que obrigou o Congresso a colocar na mesa a reforma política foi o fim do financiamento privado de campanha, apontando o tipo de sistema eleitoral defendido pela Coalizão e os riscos de a reforma reforçar a cultura do coronelismo no país, caso um modelo distrital consiga passar. Entenda os principais pontos da reforma que propõe mudanças eleitorais e pode reforçar retrocessos no país http://migre.me/wt0Zh

Rejeição

Na pesquisa CNI/Ibope, a maior rejeição a Temer se dá na população entre 25 a 44 anos de idade.

Gesto elevado

Defesa da nação
Luciano Siqueira, no Blog da Folha

Um país que se respeite há de ter sempre, nos momentos mais difíceis, vozes que se alevantam em defesa dos interesses nacionais e do povo.

O Brasil é um país de peso geopolítico próprio, mais do que respeitável, ainda que temporariamente – com José Serra e agora com Aloysio Nunes -, tenha abandonado a postura de independência e altivez e se realinhado com os EUA.

Num mundo em transição para uma nova ordem multipolar, voltamos a uma posição retrógrada.
Isto num cenário geral de crise mundial e interna, o que acentua nossas vulnerabilidades.

E para completar os infortúnios do momento, na esteira da controversa Operação Lava Jato se acelera o esgarçamento das instituições e a negação da política, abrindo um perigoso vazio muito próprio de situações pré-ditaduras.

Mas, nessas adversas circunstâncias, sob a liderança do ex-ministro Luiz Carlos Bresser-Pereira, renomados economistas, professores, físicos, engenheiros, sociólogos, músicos, arquitetos, cineastas, escritores, intelectuais, políticos, advogados lançaram dias atrás o Manifesto do Projeto Brasil Nação  http://migre.me/wqMLG.

Nele, com clareza e consistência, a denúncia do desmonte do Estado nacional e a regressão de conquistas e direitos sociais, o esfacelamento de nossa indústria a partir da espoliação da Petrobras – que ameaçam conduzir o Brasil “à dependência colonial e ao empobrecimento dos cidadãos, minando qualquer projeto de desenvolvimento.”

“Privatizar e desnacionalizar monopólios serve apenas para aumentar os ganhos de rentistas nacionais e estrangeiros e endividar o país”, assinala o documento. 

E acentua que “o governo reacionário e carente de legitimidade não tem um projeto para o Brasil. Nem pode tê-lo, porque a ideia de construção nacional é inexistente no liberalismo econômico e na financeirização planetária. Cabe a nós repensarmos o Brasil para projetar o seu futuro – hoje bloqueado, fadado à extinção do empresariado privado industrial e à miséria dos cidadãos”.

Nessa direção, os subscritores do documento se ajuntam aos que se batem pela necessidade de se combinar a denúncia e o protesto – no parlamento, nas redes e nas ruas – com a construção de uma plataforma capaz de unir amplos segmentos sociais e políticos verdadeiramente comprometidos com a defesa da Nação.

O documento sentencia que “nossos pilares são: autonomia nacional, democracia, liberdade individual, desenvolvimento econômico, diminuição da desigualdade, segurança e proteção do ambiente – os pilares de um regime desenvolvimentista e social.”

Uma palavra sensata, aguerrida e oportuna – a ser considerada e debatida amplamente.

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Marionete

Em carta enviada a Temer, o Papa Francisco alerta: "Não se pode confiar na 'mão invisível' do mercado". O problema é que Temer é um marionete do "mercado"!

Cena esquisita

Moro e Temer riem de quê?

Vamos ver

Derrota do pedido de urgência para a tramitação da reforma trabalhista pode ter dois sinais: ou a base governista que por negociar mais vantagens na negociação direta com o Planalto ou cresce o volume de dissensões. É acompanhar para ver. 

Intriga no covil

No Planalto, há queixas de que o líder do governo no Congresso, deputado André Moura (PSC-SE) seria apenas "decorativo", e não líder de fato, segundo a coluna política da Folha de S. Paulo. A base governista envolta com uma agenda francamente impopular claudica. 

Até onde?

Pergunta oportuna: Quando chegarão ao Judiciário e ao Mercado Financeiro as revelações feitas nas delações premiadas? 

Saída política

O caos e o futuro
Luciano Siqueira, no Blog de Jamildo/portal ne10

- Nunca vi tamanha confusão, pra onde a gente se vira só tem notícia ruim, comenta o amigo no WhatsApp.

- Pois eu já vi, rapaz. Vi, vivi e a História registra inúmeras situações assim, respondo.

- Até aqueles grupos que organizaram manifestações pelo impeachment viraram avestruz, cara!

- Como assim?

- Calaram o bico, enfiaram a cabeça no chão e estão feito cachorro de mudança que cai de caminhão...

- Sim, é verdade. Derrubaram Dilma e botaram Temer achando que o país ia melhorar e quebraram a cara. O país afunda e o grupo que governa com Temer se revela envolvido em tudo o que não presta.

- Então, a gente não sabe o que fazer nem sabe para onde ir...

- De lado de cá, da oposição, também tem muito bate-cabeça, tem gente que alimenta a revolta (justa) e protesta, mas não encontra o rumo.

- Uns reclamam dos outros...

- Alguns usam uma metralhadora giratória, atacam inimigos, adversários ocasionais, aliados, potenciais aliados...

- E aí, como a gente sai dessa?

- Calma, amigo. Esse caos aparente é próprio das situações de crise, acontece no Brasil e mundo afora. Nem tudo é delação da Odebrecht, embora a mídia só fale nisso.

- Você acredita numa luz no fim do túnel?

- Mais ou menos isso. Meu partido, o PCdoB, tem trabalhado nessa direção. O ex-ministro Bresser-Pereira lidera um movimento chamado Projeto Brasil Nação, que reúne expressivo contingente de economistas, físicos, artistas, sociólogos, arquitetos, jornalistas... muita gente respeitada. Setores de partidos de oposição, juristas, a OAB, a CNBB, parcelas dos movimentos sociais trabalham também nisso...

- E tem a greve geral dia 28, né?

- A greve geral, as manifestações contra as reformas previdenciária e trabalhista, o Grito da Terra, a defesa de conquistas sociais e direitos.

- O pessoal está reagindo...

- Sim, há uma crescente resistência que ganha as ruas e sensibiliza milhões dos que não estavam compreendendo as mudanças políticas recentes. E há um esforço, ainda disperso, mas que tende a convergir, no sentido de construir uma plataforma que una todas as forças que lutam pela democracia, pela retomada do desenvolvimento econômico com inclusão social, pela soberania do país.

- Você é otimista.

- Sempre. Do caos pode brotar o futuro.
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18 abril 2017

Manifesto oportuno

Liderados pelo ex-ministro Luiz Carlos Bresser-Pereira, economistas, professores, físicos, engenheiros, sociólogos, músicos, arquitetos, cineastas, escritores, intelectuais, políticos, advogados estão lançando o Manifesto do Projeto Brasil Nação. O texto afirma que o Brasil passa por um desmonte, com o esquartejamento da Petrobras, a destruição da indústria, a demolição de direitos sociais. Esse processo levará o país “à dependência colonial e ao empobrecimento dos cidadãos, minando qualquer projeto de desenvolvimento. Privatizar e desnacionalizar monopólios serve apenas para aumentar os ganhos de rentistas nacionais e estrangeiros e endividar o país”. Leia mais http://migre.me/wqMLG

O prazer da fotografia

Cena urbana: Baía Formosa, RN (Foto: LS)

Regressão

O Projeto de Lei 6787/16, da reforma trabalhista de Temer, que já era muito ruim, piorou ainda mais com o parecer apresentado pelo relator, o deputado Rogério Marinho (PSDB-RN). Para o Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), “o substitutivo se traduz num cardápio de maldades contra os trabalhadores”. Ainda segundo o Diap, “a proposta estabelece que o acordo e/ou convenção se sobreponha aos direitos garantidos em lei e, ainda, que o acordo prevalecerá sobre a negociação coletiva e possibilita o impedimento do acesso à Justiça na forma do acordo extrajudicial irrevogável e arbitragem das relações de trabalho, dentre outras formas, como o termo de quitação anual das obrigações trabalhistas” – assinala Editorial do portal Vermelho. Leia mais http://migre.me/wqN1U

Coisa antiga

"O que temos no Brasil não é um negócio de cinco, dez anos. Estamos falando de 30 anos atrás", afirmou Emílio Odebrecht em seu depoimento à Lava Jato, a propósito do chamado “caixa 2”. Por que essa verdade é pouco debatida na mídia hegemônica?

Quem comanda o retrocesso?

Quem são os donos do golpe
Desde a sua concepção até a sua execução diária, há cristalinos interesses econômicos no golpe em curso. Os interesses econômicos não são simples participantes dentro do movimento político do golpe; tais interesses são dirigentes, são a bússola do golpe.
Por João Sicsu, na Carta Capital 

Muitos interesses e diferentes atores compuseram o movimento do golpe de 2016. Há golpistas de primeiro escalão, são aqueles que estão pilotando a agenda econômica do governo de Michel Temer. Há também golpistas de segundo escalão, que têm interesses ora atendidos e ora contrariados. E, existiu o terceiro escalão, que já foi até descartado.

Já foi descartada a classe média que apoiou o golpe acreditando num novo governo sem corruptos e que promoveria o crescimento econômico. A Fiesp e a Firjan, entre outros patos, estão naquele grupo intermediário que ganha alguma coisa e, ao mesmo tempo, têm boa parte de seus estímulos públicos solapados. Na proa do golpe estão os banqueiros, as multinacionais e os interesses rentistas.

O empresariado produtivo brasileiro, as multinacionais e os bancos ganharam com a aprovação da terceirização ilimitada. Mas o empresariado produtivo brasileiro perdeu com a mudança das regras de conteúdo nacional (na cadeia de petróleo e gás). E perdeu também com a mudança do ordenamento que garantia baixas taxas de juros nos financiamentos do BNDES.

A mudança da regra de conteúdo nacional e o desmonte do BNDES são ganhos para as multinacionais. E mais: recente decreto (no 8.957) do governo federal (aliás, muito pouco divulgado pela mídia desinformadora) escancarou as portas da economia brasileira para as empresas estrangeiras.

Esse decreto associado à lei 4.131/1962 permitirá que empresas estrangeiras obtenham créditos e garantias junto aos bancos públicos para realizar investimentos em áreas agora consideradas de “alto interesse nacional”. Entre os setores indicados no novo decreto estão: telecomunicações de qualquer natureza, têxtil, petróleo e gás natural (compreendendo a exploração e a produção de hidrocarbonetos e toda a sua cadeia produtiva), serviços de turismo, saúde, educação e comércio. Ganharam (muito) as multinacionais com o novo decreto.

Além disso, a primeira mudança de grande impacto do governo golpista atendeu imediatamente os interesses rentistas quando aprovaram a PEC que limita todos os gastos do governo, exceto os pagamentos de juros da dívida pública. Garantiram ao rentismo, portanto, uma polpuda reserva dentro orçamento público por vinte anos.

Multinacionais estão abocanhando ativos da Petrobras e o pré-sal – e ganhando com a destruição da indústria naval nacional e das empreiteiras brasileiras. E avançam sobre a indústria nacional da carne e sobre reservas minerais (ouro, por exemplo) e naturais. Mais: as multinacionais vão poder comprar grandes extensões de terras brasileiras.

Banqueiros empurram goela abaixo do Congresso Nacional um projeto de reforma da Previdência que fará disseminar planos de aposentadoria oferecidos pelo sistema financeiro. O arrocho previdenciário e o desmonte de programas sociais (Mais Médicos, Farmácias Populares etc) buscam garantir recursos no orçamento público para serem transferidos ao rentismo.

Os alvos do golpe são os pobres, os trabalhadores, a classe média e o funcionalismo público. Ademais, as pequenas e médias empresas e a grande indústria nacional também estão na mira. Todas as instituições do Estado brasileiro que são protetoras ou geradoras de empregos e de bem-estar social para esses segmentos estão sob ameaça porque o objetivo do governo é limpar o terreno (higienizar o ambiente) para que haja a facilitação de ganhos econômicos e financeiros para o primeiro escalão golpista.
 

Os pobres, os trabalhadores, a classe média, o funcionalismo público e algumas instituições são barreiras ao aumento dos lucros e ganhos das multinacionais, dos banqueiros e do rentismo. É dentro dessa lógica que podemos entender o desmonte do Estado brasileiro que está se transformando num balcão de negócios e favorecimentos exclusivo do primeiro escalão golpista.

Essa é a lógica que explica a tentativa de destruição da ciência e tecnologia desenvolvidas nas universidades e centros de pesquisa brasileiros. Os esforços nacionais não são considerados úteis, as multinacionais já dominam conhecimento necessário à exploração do País.

Essa é a lógica que explica também porque os bancos públicos federais estão sendo desmontados juntamente com os programas sociais que estão associados. Estão vindo abaixo o programa de financiamento estudantil (Fies), o Minha Casa Minha Vida e os programas de microcrédito. O programa de financiamento da agricultura familiar (Pronaf) será a próxima vítima.

O objetivo da destruição dos bancos públicos é abrir espaço no mercado financeiro para os bancos privados. O objetivo do definhamento dos programas sociais é, como dito, aliviar o orçamento federal garantindo recursos para os rentistas.

Até os bancos públicos estaduais vão ser privatizados como obrigação dentro do projeto de alívio orçamentário provisório do Estados da federação que o governo federal tenta aprovar no Congresso Nacional. No passado, o Itaú comprou quatro bancos estaduais. O Bradesco adquiriu outros quatro. O Santander abocanhou o Banestado (SP). Agora estão de olhos e bocas abertas para o Banrisul (RS), o BRB (DF), o Banpará (PA), o Banestes (ES) e o Banese (SE).

Em conclusão, no programa econômico do golpe, bancos, multinacionais e rentistas somente ganham. E os pobres, os trabalhadores, a classe média e o funcionalismo público só perdem. A Fiesp e patos assemelhados viraram baratas tontas – seguem desorientados tentando se agarrar no governo ilegítimo que lhes tratam como gente de segunda linha.

Essa é uma possível anatomia econômica dos interesses, empresas, instituições e pessoas presentes ou afetadas pelo golpe em curso. Uma anatomia política discorreria certamente sobre a Lava Jato, os políticos patrimonialistas, o sistema político-eleitoral e a grande mídia desinformadora.
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No fundo do poço

Vox Populi: 93% dos brasileiros são contra reforma da Previdência. E a rejeição ao governo de Michel Temer continua em trajetória crescente. Uma nova pesquisa do instituto Vox Populi encomendada pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), realizada entre 6 e 10 de abril, mostra que apenas 5% dos entrevistados consideram o desempenho do presidente ótimo ou bom. Esse percentual era de 8% em dezembro do ano passado e de 14% em outubro. Leia mais http://migre.me/wqMPX

Resistência

Que os estragos, em termos de imagem, de grande parte da representação política atual – sobretudo dos que deram o golpe, afastaram Dilma e puseram Temer no governo -, possam reforçar a necessidade de se avançar em saídas para a crise. Temer e seu grupo palaciano, manipulados pelo “mercado”, cuidam das reformas neoliberais antipopulares com a sofreguidão de quem tem um dever de casa a fazer e o tempo é curto. Seu destino é a lata de lixo da História. Mas no seio da sociedade e dos partidos comprometidos com a democracia, há se construir a plataforma de unidade que possibilite uma vitória do povo em 2018.

Sumiço


Luzes e sombras

O novo século
Eduardo Bomfim, no portal Vermelho

O que acontece atualmente com o Brasil, com o golpe de Estado que entronizou no poder Michel Temer, é reflexo direto de uma encarniçada batalha geopolítica em curso.

O País é a 7ª economia mundial e não chegou a tal escala de crescimento através de geração espontânea, como a falsa teoria de Lamarck, mas graças à condição peculiar de nação continental, detentora de múltiplas riquezas naturais como o petróleo, além de várias outras estratégicas como o Nióbio etc.

Possui imensa riqueza em águas, como a reserva aquífera da Amazônia, a maior do mundo. Uma situação geopolítica que o define, junto com suas dimensões geográficas, como um dos principais atores no atual tabuleiro de xadrez da arquitetura mundial.

Na verdade, há várias décadas o Brasil deixou de ser o País do futuro, definido pelo escritor austríaco Stefan Zweig, que aqui se exilou fugindo do nazismo na Europa.

Após a 2a Guerra Mundial a nação passou a trilhar, com idas e vindas, avanços e retrocessos, um protagonismo crescente, adquiriu sofisticada estrutura com quadros nos mais diversos estamentos do aparato estatal.

A economia brasileira foi atingindo, apesar dos percalços, a dimensão atual, e o caminho do desenvolvimento nacional mesclou a associação dos setores público e privado, característico dos Países em desenvolvimento.

No século XX, o século norte-americano, o Brasil não só sobreviveu às agruras da ação intervencionista dos EUA como chegou ao patamar que o define hoje como um dos integrantes dos BRICS. E a tendência de tornar-se em 2050 a 5a economia mundial, apesar das abissais desigualdades sociais, enorme déficit em infraestrutura etc.

Já disseram: se você controla o petróleo controla as nações... se controla o dinheiro controla o mundo.

O século XXI é o século do poder do Mercado financeiro global, da decadência agressiva dos EUA. Mas também da emergência geopolítica multipolar onde o Brasil é protagonista de nível médio.

O golpe de Estado, além de antidemocrático, tem a intenção de desconstruir a cadeia produtiva nacional, privada e estatal, pretende a subalternidade da nação frente às suas imensas possibilidades de ator geopolítico, de interlocutor progressista num mundo em rápida transformação. Por isso a necessidade de uma frente patriótica e democrática em defesa da reconstrução da nação.

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